• Café arábica atingiu US¢ 419,75/lb na ICE, alta semanal de 3,8%;
• Café robusta avançou 2,9%, fechando a USD 5.726/t na bolsa de Londres.
• Indicador Cepea para o arábica subiu 2,9%, alcançando R$ 2.731/saca.
• Indicador Cepea para o robusta subiu 0,8%, encerrando a R$ 2.075/saca.
• Estoques reduzidos e lentidão logística mantêm pressão sobre os preços.
• Suspensão das operações da Central do Café gera apreensão no mercado.
• ICE elevou margens iniciais para contratos, aumentando custo para operadores na bolsa.
• Pesquisa mostra expectativa do mercado de que os preços do arábica encerrem 2025 a US¢ 295/lb, queda de 30% em relação às máximas recentes.
• Para o robusta, a pesquisa aponta expectativa de fechamento do ano em USD 4.200/t.
• Mediana das estimativas da pesquisa apontam produção de 64,6 milhões de sacas para o Brasil em 2025/26, queda de 2,7%.
• Sul de Minas, Matas de Minas e Triângulo Mineiro registram boas condições hídricas após chuvas significativas em janeiro e fevereiro.
• Espírito Santo e Bahia (robusta/conilon) enfrentam tempo seco, mas uso de tecnologia pode mitigar impactos na produtividade.
Os futuros de café seguiram avançando, renovando mais uma vez os recordes na bolsa de Nova Iorque, enquanto o mercado continua em um mercado que continua muito pressionado, com preços excessivamente elevados nas bolsas dificultando as negociações, enquanto os estoques reduzidos e logística lenta despertam certo desespero em alguns consumidores. A notícia de que uma comerciante em Minas Gerais suspendeu suas operações na semana passada contribuiu para manter o mercado apreensivo com os possíveis impactos dos preços elevados na cadeia de fornecimento de café. A tela de março/25 terminou a sexta-feira cotada a US¢ 419,75/lb, ganho semanal de 3,8%. O café robusta na bolsa de Londres seguiu o direcionamento do café arábica, que tem estado no centro dos holofotes, e avançou 2,9% para fechar cotado a R$ 5.726/t.
O indicador CEPEA para o café arábica alcançou valorização de 2,9% na semana, terminando cotado a R$ 2.731/saca, enquanto o robusta avançou 0,8%, fechando cotado a R$ 2.075/saca.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 10/02 a 14/02

Como mencionado anteriormente, as preocupações com a situação financeira de empresas do setor, incluindo possíveis inadimplências e dificuldades para honrar compromissos de fornecimento, têm gerado tensão entre os operadores. Na semana passada, foi noticiado que a Central do Café, uma comerciante de porte médio localizada em Muzambinho, Minas Gerais, suspendeu temporariamente suas operações para renegociar suas dívidas. A empresa afirmou que permanecerá fechada por tempo indeterminado enquanto avalia sua situação financeira.
Além disso, também na semana passada, a ICE elevou as margens iniciais para operações com contratos na bolsa, em uma medida para mitigar riscos e reduzir a possibilidade de inadimplência dos operadores. Esse aumento nas margens iniciais merece atenção, caso se torne recorrente. No ano passado, o mercado de cacau enfrentou uma situação semelhante, quando a ICE promoveu sucessivos reajustes nas margens iniciais em meio à disparada dos preços, impulsionada por preocupações com a produção global da commodity. O aumento expressivo das margens resultou na saída de diversos agentes do mercado, tanto especuladores quanto participantes comerciais, reduzindo a liquidez nas bolsas e contribuindo para uma maior volatilidade das cotações.
Apesar do café em níveis significativamente elevados, vale destacar que a percepção dos agentes é de que os preços atuais devem ceder ao longo do ano. Segundo uma pesquisa realizada pela agência Reuters com os participantes do mercado de café, a mediana das repostas mostrou expectativas de que a cotação do contrato mais ativo do café na bolsa de Nova Iorque encerre o ano em torno de US¢ 295/lb, o que representaria uma retração de 30% frente as máximas atingidas na semana passada. Para o café robusta o movimento é semelhante, com os agentes enxergando o ano terminando a USD 4.200/t, recuando 28% frente aos níveis máximos atingidos nesse ano.
Estimativas dos agentes para os preços do café nas bolsas ao final de 2025

Fontes: Reuters. Elaboração: StoneX.
O principal motivo por trás da redução são os potenciais impactos das altas no consumo da bebida, conforme as empresas começam a repassar com maior intensidade os aumentos dos seus custos aos preços do produto final. No Brasil, o aumento já tem sido notado nas gôndolas. Após os recordes vistos em fevereiro, algumas torrefadoras têm emitido informe aos seus parceiros sobre a realização de novos ajustes de preços acima de 10% tanto no café torrado e moído quanto no café solúvel a partir de março.
Para a produção da safra brasileira de 2025/26, a mediana das estimativas acredita em uma retração de 2,7% para 64,6 milhões de sacas. O desempenho é puxado pela expectativa de oferta 6,6% pior para o arábica, indo de 43,4 milhões de sacas em 2024/25 para 40,55 milhões em 2025/26. Para o robusta a mediana as apostas são de um aumento de 16,7% para 24,5 milhões. No próximo mês, a StoneX divulgará a revisão das estimativas para a safra brasileira. No relatório preliminar divulgado em novembro, a StoneX estimou uma retração de 10,5% na produção brasileira de café arábica, para 40 milhões de sacas, junto de um aumento de 20,9% no café robusta para 25,6 milhões, totalizando uma leve retração de 0,4% na produção do Brasil, para 65,6 milhões de sacas.
Por fim, para o Vietnã a mediana das estimativas acredita em uma elevação de 3,6% na produção do país, indo de 28 milhões de sacas em 2024/25 para 29 milhões na próxima temporada. A expectativa é de que o clima menos extremo no país, que sofreu no último ano com temperaturas acima da média e posteriormente chuvas em excesso, contribua para uma recuperação.
Estimativas dos agentes para a produção de café do Brasil e Vietnã
Fonte: Reuters. Elaboração: StoneX.
Update climático do cinturão cafeeiro
Sul de Minas, Matas de Minas e Triângulo Mineiro: As previsões para os próximos 14 dias indicam chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas nessas regiões. Isso sugere a ocorrência de chuvas convectivas típicas do verão (pancadas de chuva, especialmente à tarde) e nebulosidade, o que pode influenciar as temperaturas. No entanto, ao longo de janeiro, os volumes de chuva foram significativos, com acumulados superiores a 200 mm. Até o dia 16 de fevereiro, o Triângulo Mineiro e o Sul de Minas, próximos à divisa com São Paulo, já registraram mais de 100 mm de precipitação. Dessa forma, o solo ainda mantém boas condições hídricas, favorecendo o desenvolvimento das lavouras. Esse cenário indica que a cultura pode atravessar o período de redução hídrica sem grandes prejuízos, garantindo um bom desenvolvimento da granação, o que mantém as expectativas de rendimento positivo.
Precipitação acumulada para observada o mês de janeiro (A) e até o 16 de fevereiro (B)) do 2025

Fonte: INPE.
Conilon (Espírito Santo e Bahia): As áreas produtoras dessas regiões enfrentam períodos consecutivos sem chuvas significativas, resultando em tempo seco e temperaturas elevadas. Porém, observações em campo indicam que o desenvolvimento das flores foi um pouco mais precoce e uniforme. Além disso, as condições climáticas de janeiro foram ótimas para os primeiros estágios da granação. Uma particularidade do sistema de produção do robusta é a utilização de tecnologias avançadas, como irrigação e clones melhorados. Entre os clones adotados em grande parte das lavouras, alguns possuem maior área foliar, o que pode ajudar a proteger os frutos contra escaldadura e manter um microclima mais favorável dentro da plantação. Esse fator pode permitir que as lavouras enfrentem o período de déficit hídrico sem comprometer o rendimento esperado.
TABELA DE INDICADORES




