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Semanal de Café

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Cotações de café terminaram a semana com resultados mistos
 
Fernando Maximiliano
 
Leonardo Rossetti
 
Os reflexos do conflito entre Rússia e Ucrânia continuam pressionando os preços, porém ainda existem fatores altistas que limitaram as perdas
Resumo

•    Cotações de café arábica recuaram 230 pontos (1,0%) em NY na semana, encerrando cotado a US₵ 221,95/lb. 
•    Indicador Cepea de café arábica recuou 1,5%, encerrando a R$ 1.305,56/sc.
•    Preços de café robusta avançam USD 57 (2,8%) em Londres, para USD 2095/ton.
•    Indicador Cepea para o robusta apresentou queda de 1,2% e terminou a semana cotado em R$ 758,52/sc.
•    Tensões em Rússia e Ucrânia continuam pressionando as cotações de café 
•    Conflito no leste europeu pode afetar consumo de café 
•    Chuvas torrenciais tem provocado perdas e colocado a Colômbia em alerta 
•    Modelos apontam para volumes expressivos de chuva na Colômbia nas próximas duas semanas 
•    NOAA indica aumento na probabilidade da ocorrência de La Niña no inverno e no segundo semestre 
•    Aproximação do inverno brasileiro deve aumentar a volatilidade no mercado de café 
•    Cecafé: exportação brasileira recua 14,3% em fevereiro 
•    Queda nas exportações de robusta está ligada aos diferenciais 
•    Apesar de aversão ao risco global, real tem mais uma semana de avanço 
•    Alta das commodities e busca por ativos relacionados às matérias-primas tem favorecido a moeda brasileira 
•    Além da guerra, decisões dos bancos centrais do Brasil e EUA estarão no foco da semana

   Fatores baixistas       Fatores altistas

 

Os preços de café terminaram a semana com resultados mistos, com Nova Iorque estendendo perdas e Londres apresentando recuperação. Enquanto os efeitos da guerra continuam pressionando as cotações de café, outros fatores altistas atuam para limitar as perdas. O contrato mais ativo de café arábica (maio/22) encerrou a sexta-feira (11) cotado a US₵ 221,95 /lb, um recuo de 230 pontos (1,0%) em relação à sexta-feira anterior (04). No Brasil, o indicador CEPEA para o café arábica seguiu a movimentação de Nova Iorque e terminou a semana em queda, apresentando um recuo de R$ 20,42 (1,5%), cotado a R$ 1.305,56/saca.

De forma antagônica ao observado em Nova Iorque, os papeis futuros de café robusta terminaram a semana em recuperação. O contrato mais ativo do robusta (maio/22), avançou USD 57 (2,8%) para encerrar a semana cotado a USD 2.095/ton. Por outro lado, o indicador CEPEA para o café robusta apresentou queda de 1,22% e terminou a semana cotado em R$ 758,52/sc.
 

INTRADAY SEMANAL (CONTRATO MAIS ATIVO) - 07/03 A 11/03
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Como foi abordado no último semanal, com relação à guerra, existem dois fatores principais que estão contribuindo para pressionar os preços de café. O início do conflito aumenta o sentimento de aversão ao risco, o que diminui o apetite dos investidores para ativos de maior risco, como o café. Além disso, outro problema está ligado ao consumo de café pelos países que estão evolvidos na guerra. Os dados do USDA indicam que a Rússia consumiu 4,16 milhões de sacas e a Ucrânia 1,23 milhões em 2020/21, portanto os dois países tiveram um consumo anual de 5,4 milhões de sacas.

O cenário de forma geral ainda é incerto, devido as enormes incertezas e preocupações que envolvem momentos de conflitos armados. Porém, mesmo nestas condições, outros fatores altistas têm dado suporte as movimentações do mercado. A perspectiva de menor oferta de café, em meio aos problemas no Brasil e os problemas climáticos se apresentam como fatores altistas para o mercado. 

O excesso chuva continua afetando a produção de café na Colômbia. Recentemente, o país emitiu um alerta vermelho devido aos problemas que têm sido provocados pelas chuvas torrenciais no país; várias regiões produtoras têm vivenciado alagamentos e deslizamentos de terra. Além da situação preocupante, os modelos climáticos apontaram paras expressivos volumes de chuvas para as próximas duas semanas, com acumulados acima de 200 mm em algumas regiões. O excesso de chuva na Colômbia é um reflexo direto da ocorrência do La Niña, que vem afetando o clima no mundo desde o segundo semestre de 2021.

Previsão acumulada de chuva para os próximos 14 dias na Colômbia
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Fonte: StoneX, com dados de NOAA/NCEP/EMC (GFS: Global Forecast System), 2021. 

Nos últimos meses, os modelos probabilísticos para a região do El Niño apontaram para a manutenção da condição de La Niña até o outono no hemisfério sul, mas diminuía a probabilidade de La Niña durante o inverno e dirigira para o retorno de uma condição neutra. No entanto, os últimos dados divulgados pela agência americana (NOAA), apresentaram um aumento na probabilidade da manutenção de La Niña durante o inverno e no segundo semestre do ano. Claro que os modelos de previsão de longo prazo estão sujeitos a maiores chances de erro. Mas, caso esse cenário se confirme, com a ocorrência de La Niña durante o inverno brasileiro e sua persistência durante o segundo semestre do ano, o principal impacto seria o atraso das chuvas e problemas com o desenvolvimento da safra, como foi observado em 2020 e 2021. Portanto, o monitoramento desta condição é crucial para antecipar as tendências do mercado.

Previsão Probabilística de El Niño/La Niña 
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Fonte: NOAA. Elaboração: StoneX.

Ademais, em poucos meses entraremos no inverno brasileiro e a chegada de novas ondas de frio deverá trazer volatilidade para o mercado. Em um evento organizado pela Associação Nacional do Café nos EUA (NCA, sigla em inglês) e com cobertura do CoffeeNetwork, o presidente do World Weather Inc., Drew Lerner, indicou que existe uma forte relação entre os eventos de geada no Brasil e as mínimas solares, momento do ciclo em que o sol tem menor atividade. 

Segundo Lerner, a última mínima solar aconteceu em 2020, mas 2022 ainda está dentro da janela de possibilidade para a ocorrência do fenômeno. No entanto, tendo em vista a geada de 2021, ele lembra que a ocorrência de geadas múltiplas em um mesmo período de mínimas solares tem sido menos prováveis desde a década de 60. Apesar das incertezas, a ocorrência de ondas de frio tende a afetar o mercado e provocar maior volatilidade. 

Cecafé: exportação brasileira recua 14,3% em fevereiro

Na última sexta-feira (11) o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (CECAFÉ) divulgou os dados das exportações brasileiras em fevereiro. De acordo com o conselho, o Brasil exportou 3,15 milhões de sacas de café cru em fevereiro, postando um recuo de 14,3% se comparado ao mesmo mês de 2021, quando o país exportou 3,67 milhões de sacas. As exportações da variedade arábica totalizaram 3 milhões de sacas, representando uma queda de 10,2% ano a ano. Já as exportações de robusta totalizaram 129,8 mil sacas, recuando 58,6% se comparado ao mesmo mês do ano anterior.

EXPORTAÇÕES acumuladas de CAFÉ VERDE DO BRASIL  (MIL SACAS)

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Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.
 
 

Desde o início do atual ano safra (jul-fev), o Brasil exportou 23,67 milhões de sacas, volume 20,2% menor que o observado no mesmo período do ano passado. Neste período, as exportações de arábica foram 17,8% inferiores e as exportações de café robusta foram 39% menores. O forte recuo nas exportações é resultado da menor produção no Brasil e dos problemas logísticos enfrentados. Além disso, a queda mais intensa nas exportações de robusta se devem aos movimentos dos diferenciais.

O forte recuo nas exportações do robusta é resultado do fortalecimento nos diferenciais da variedade no Brasil, se comparado a bolsa de referência em Londres. O último relatório da StoneX mostrou que os diferenciais seguiram em campo positivo desde meados de janeiro, chegando a atingir + USD 156/ton no início de fevereiro, porém tem apresentado queda nas últimas semanas. Entre julho e outubro de 2021, os diferenciais também estiveram no campo positivo, com o prêmio alcançando valores máximos em torno de USD 360/ton em outubro. O fortalecimento dos diferenciais indica o maior apetite da indústria nacional e desestimula a exportação do tipo robusta. 

Sazonalidade dos diferenciais de café robusta no Brasil (USD/ton)
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Fonte: ICE, CEPEA. Elaboração: StoneX.
Apesar de aversão ao risco global, real tem mais uma semana de avanço

Na última semana, o dólar voltou a testar níveis próximos dos R$ 5,00, com o par real/dólar registrando recuo de 0,5% para fechar a sexta-feira (11) cotado a R$ 5,05. No ano, a divisa americana acumula queda de 9,3% no mercado cambial brasileiro. Já o dollar index avançou 0,5%, refletindo as tensões no mercado internacional em torno da guerra entre Rússia e Ucrânia, e encerrou cotado a 99,1 pontos.

O sentimento de aversão ao risco deve permanecer entre os investidores globais. Na semana passada, os Estados Unidos avançaram nas sanções impostas à Rússia, proibindo a importação de petróleo russo pelo país e bloqueando a importação de uma série de outros produtos, com destaque para vodca, frutos do mar e diamantes. O Reino Unido também se pronunciou que eliminará a importação de petróleo até o final deste ano. As medidas buscam atingir ainda mais a economia russa, uma vez que o óleo representa uma fatia significativa das receitas com exportações. Pelo outro lado, o Kremlin restringiu as exportações e importações de uma lista de produtos, incluindo matérias-primas, a nações que considera “hostis”, como Estados Unidos, Reino Unido, e integrantes da União Europeia

Neste contexto, a moeda brasileira vem sendo favorecida. Apesar da aversão ao risco global e busca por ativos de segurança, como o dólar e títulos do tesouro americano, devido à forte valorização de grande parte do complexo de commodities, ativos brasileiros relacionados a estes produtos tem recebido maior procura por investidores. Também há uma expectativa de que o Brasil possa se posicionar como uma alternativa tanto devido à interrupção do comércio dos países com a Rússia, seja através de sanções, seja pelo medo de serem “mal-vistos” por negociarem com o país ou pelo receio de sofrerem calotes após a retirada dos bancos russos do sistema financeiro global Swift.

No entanto, os efeitos da guerra tendem a refletir na inflação de grande parte dos países. Na última semana, o Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS) dos Estados Unidos revelou que o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) registrou aceleração de 0,8% em fevereiro. Apesar de dentro das expectativas, o acumulado nos últimos 12 meses chegou a 7,9%, maior valor desde 1982. É provável que março registre uma aceleração ainda maior, uma vez que o mês captará mais dos efeitos da guerra, iniciada no final de fevereiro, sobre os preços das commodities energéticas, alimentícias e metálicas. Vale lembrar que a meta buscada pelo banco central americano é de em média 2,0% ao ano.

Assim, cria-se uma maior expectativa para a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), que ocorrerá nesta quarta-feira (16). A expectativa de que o Fed seguirá com o aumento de 0,25 ponto percentual sinalizado previamente, o que deve contribuir para continuar elevando a atratividade do dólar no atual cenário global. Todavia, será importante acompanhar o posicionamento dos membros do Comitê sobre como o Fed deve se comportar no contexto da guerra entre Rússia e Ucrânia, e quais ações podem ser tomada em caso de a inflação sair fora do controle no país. A reunião também será marcada pela divulgação das primeiras projeções trimestrais dos membros do FOMC para os principais indicadores da economia americana, que costumam funcionar como um balizador para as expectativas dos agentes para o ano.

No Brasil, o IBGE divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro, que marcou uma alta de 1,01% no mês, levemente acima das expectativas. Desta forma, o acumulado em 12 meses passou de 10,38% em janeiro para 10,54%.

Segundo o relatório, o preço do café moído sofreu um ajuste de 2,51% ao consumidor final, avanço inferior ao observado em janeiro, de 4,75%, e menor alta mensal desde maio de 2021, quando registrou aumento de 1,57%. Todavia, o acumulado em 2022 já chega a 7,38%, com o acumulado dos últimos 12 meses passando de 56,87% em janeiro para 61,19% no último mês. Já os preços de café solúvel ao consumidor, segundo o IBGE, avançaram 1,81% em fevereiro, com o acumulado no ano chegando a 3,93% e com o acumulado em 12 meses avançando de 13,81% em janeiro para 15,43%.

Evolução dos preços de café torrado e moído no Brasil
nos últimos 12 meses
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Fonte: IBGE. Elaboração: StoneX.

Os impactos da guerra também devem ser observados nos preços ao consumidor brasileiro. Na última semana, a Petrobrás anunciou um reajuste de 18,7% nos preços da gasolina, 24,9% no diesel e 16% no gás de botijão, em função das fortes altas dos preços do petróleo no mercado internacional. Desta maneira, espera-se que em março o IPCA continue registrando avanço expressivo dos preços no Brasil.

O foco dos agentes no país deve ficar para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que ocorrerá também nesta quarta-feira (16). A sinalização na última reunião do colegiado foi de que o Banco Central deve elevar a taxa básica de juros (Selic) em 1 ponto percentual, indo de 10,75% para 11,75% ao ano. Todavia, devido à expectativa de que os efeitos da guerra irão promover um crescimento nos preços maiores que o esperado, será importante acompanhar qual será a postura do Copom para seus próximos encontros. O Boletim Focus do Banco Central desta segunda-feira mostrou um forte reajuste nas projeções do mercado, com as apostas da semana passada de que o IPCA terminará 2022 em 5,65% passando para 6,45%, já significativamente acima do limite superior da meta do BC, de 5,0%. As apostas de que a taxa Selic ao final de 2022 também sofreram reajustes, passando de 12,25% para 12,75%, o que deve implicar em reajustes no ritmo planejado pelo Copom para suas próximas reuniões.

 

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Tabela de indicadores
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Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
 
 
  • Café

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