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Semanal de Café

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Fatores cambiais e macroeconômicos continuam impactando as cotações de café
 
Fernando Maximiliano
 
Leonardo Rossetti
 
Queda do dólar suportou avanços em Nova Iorque, mas pressionou as cotações do arábica no Brasil. Café robusta segue com prêmio no mercado doméstico brasileiro
Resumo

•    Cotações de café arábica avançaram 655 pontos (2,95%) em NY na semana, encerrando cotado a US₵ 228,40/lb. 
•    Indicador Cepea de café arábica recuou 0,93%, encerrando a R$ 1.245,32/sc.
•    Preços de café robusta recuaram USD 9 (0,4%) em Londres, para USD 2139/ton.
•    Indicador Cepea para o robusta apresentou avanço de 5,3% e terminou a semana cotado em R$ 807,75/sc.
•    Tensões entre Rússia e Ucrânia continuam pressionando as cotações de café 
•    Preocupação de que o conflito no leste europeu possa afetar consumo de café 
•    Diferenciais de café arábica no mercado doméstico brasileiro avançaram nas últimas semanas
•    GSO: exportações vietnamitas avançaram 1,41% no ano-safra até março 
•    Café robusta alcançou prêmios acima de USD 700/ton na última semana 
•    Secex: exportações brasileiras recuaram 15,9% em março 
•    BOM: La Niña dever perder força e retornar à condição neutra no final do outono ou início do inverno 
•    Correlação inversa entre cotações de dólar e café se destaca nas últimas semanas
•    Continuidade da queda do dólar tende a seguir dando suporte às cotações de café na bolsa 
•    Ata do FOMC e inflação de março no Brasil são destaques na agenda desta semana

   Fatores baixistas       Fatores altistas

 

Sem grandes novidades no ponto de vista dos fundamentos e sob influência de fatores técnicos e macroeconômicos, os preços de café terminaram a semana com resultados mistos, com Nova Iorque em alta e Londres apresentando leve recuo. A recuperação da moeda brasileira contribuiu para o avanço dos preços em Nova Iorque, onde o contrato mais ativo de café arábica (maio/22) encerrou a sexta-feira (01) cotado a US₵ 228,40 /lb, um avanço de 655 pontos (2,95%) em relação à sexta-feira anterior (25). No Brasil, na contramão de Nova Iorque, o indicador CEPEA para o café arábica terminou a semana em queda, apresentando um recuo de R$ 11,74 (0,93%), cotado a R$ 1.245,32/saca; o recuo foi resultado da queda do dólar de 1,7% na semana.

Por outro lado, os papeis futuros de café robusta terminaram a semana com leves perdas. O contrato mais ativo do robusta (maio/22), recuou USD 9 (0,4%) para encerrar a semana cotado a USD 2.139/ton. Por outro lado, o indicador CEPEA para o café robusta apresentou um importante avanço de 5,3% e terminou a sexta-feira (01) cotado em R$ 807,75/sc.

INTRADAY SEMANAL (CONTRATO MAIS ATIVO) - 28/03 A 01/04
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Com cenário quase inalterado no campo dos fundamentos, o mercado de café continuou a ser impactado por fatores macroeconômicos e técnicos. Como foi apresentado, o mercado de café arábica em Nova Iorque obteve suporte em meio a recuperação da moeda brasileira e queda do dólar no mercado nacional. Além disso, o mercado ainda sente os impactos causados pela guerra entre a Rússia e a Ucrânia, como já foi apresentado em outras edições deste relatório. 

Para o mercado de café arábica, houve um importante fortalecimento dos diferenciais nas praças brasileiras com relação a bolsa de referência em Nova Iorque. O avanço dos diferenciais se deu principalmente devido a forte queda do dólar no mercado brasileiro. Além disso, o recuo das máximas do ano em Nova Iorque em meio aos impactos da guerra contribuiu para essa movimentação – o diferencial do café tipo 6 entre São Paulo e a bolsa de Nova Iorque foi de US₵ -30 /lb em meados de fevereiro para US₵ -25 /lb na última semana.

SAZONALIDADE DOS DIFERENCIAIS DE CAFÉ ARÁBICA EM SÃO PAULO (US₵/LB)
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Fonte: ICE, CEPEA. Elaboração: StoneX.

Com relação ao robusta, vale ressaltar que as estimativas de exportação do Vietnã divulgado pelo escritório geral de estatística (GSO, sigla em inglês) indicaram um aumento de 0,2% nas exportações do mês de março, que totalizou 2,83 milhões se sacas, se comparado com o mesmo mês do ano passado. O acumulado do ano-safra (out-mar) totalizou 12,91 milhões de sacas, postando um aumento de 1,41%. 

O aumento das exportações de café robusta do Vietnã ocorre em meio à forte queda nas exportações brasileiras para o tipo, como reflexo da condição dos diferenciais. Devido à forte restrição na oferta de café no Brasil, e a alta nos preços do arábica, houve o aumento da demanda de café robusta por parte das indústrias, resultando em diferenciais positivos no mercado doméstico brasileiro; na última semana, o diferencial entre o indicador Cepea para o robusta e a bolsa de Londres atingiu valores acima de R$ 750,00.

Secex: exportações brasileiras de café recuaram 15,9% em março

Os dados preliminares da balança comercial brasileira em março, divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), indicaram que o Brasil exportou 3,38 milhões de sacas em março, representando um recuo de 15,9% se comparado com o mesmo mês do ano passado, quando o país exportou 4,02 milhões de sacas. O forte recuo nas exportações é resultado da menor disponibilidade de café em meio a reduzida produção em 2021/22 e aos problemas logísticos que ainda continuam impactando as exportações.

Nas próximas semanas, o mercado de café deverá ser impactado pelas movimentações nos campos macroeconômico e do câmbio – no caso de contínua recuperação da moeda brasileira, as cotações em Nova Iorque tendem a reagir positivamente, enquanto o mercado doméstico continuaria pressionado. Devido as grandes incertezas ligadas ao conflito entre a Rússia e a Ucrânia, o mercado de café, assim como outras commodities, seguirá reagindo aos eventos ligados a guerra. 

Como foi comentado, os dados de exportação da Secex já indicam que as exportações em março tiveram forte redução. Nas próximas semanas, o Cecafé divulgará os dados oficiais para as exportações brasileiras, que tendem a ficar em linha ao que foi divulgado pela Secex. O reduzido volume de exportação no Brasil corrobora com a perspectiva de menor oferta, o que junto dos problemas logísticos trazem um tom altista para o mercado. 

Além disso, os agentes acompanharão de perto o clima nos países produtores e a divulgação da probabilidade de manutenção do La Niña que será publicado no dia 14 de abril pela agência americana NOAA. A última atualização divulgada pela agência Australia BOM indicou que o La Niña permanece ativo, porém o pico do fenômeno já passou. Ademais, de acordo com a agência, a maioria dos sete modelos climáticos internacionais apontam que o La Niña perderá força nos próximos 3 meses e retornará para uma condição neutra mais provavelmente no fim do outono ou início do inverno no hemisfério sul. Uma confirmação deste cenário, com melhora nas condições climáticas nos países produtores, pode atuar de maneira a pressionar os preços nas bolsas.

Anomalia mensal da temperatura da superfície do mar para a região do
NINO 3.4
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Fonte: Departamento Australiano de Meteorologia.
Correlação inversa entre cotações de dólar e café se destaca
nas últimas semanas

Atuando como fator de suporte para impulsionar novamente os preços de café na bolsa de Nova Iorque, o par real/dólar encerrou a última semana com queda de 1,7% no mercado cambial brasileiro, cotado a R$ 4,667. Desta maneira, a divisa americana engatou sua quinta semana consecutiva em queda, acumulando no ano uma retração de 16,3%. O dólar também registrou leve recuo frente a uma cesta de moedas de economias avançadas, com o dollar index recuando 0,2% para terminar a última sexta-feira (1) contado a 98,6 pontos.

O real vem se fortalecendo desde o início do ano devido a uma série de fatores, como a valorização das commodities, a maior entrada de investidores no país em busca de ativos considerados “baratos” e em função da elevação dos diferenciais de rendimento entre a taxa de juros brasileira e americana. Desde o início da guerra russa-ucraniana, devido à nova onda de valorização das commodities, à exposição relativamente menor do Brasil aos efeitos do conflito e à posição do país como possível substituto dos produtos primários exportados por Rússia e Ucrânia, a moeda brasileira vem ganhando fôlego além do esperado. Com isso, o par real/dólar tem recuado para níveis significativamente inferiores à forte resistência psicológica dos R$ 5,00, algo pouco imaginado até o início deste ano, quando em meio às perspectivas de fraco crescimento da economia e de incertezas frente à corrida para a eleição presidencial, se esperava alta volatilidade e patamares elevados para a taxa de câmbio.

Vale lembrar que, fundamentos à parte, as variações do dólar frente ao real, devido à grande participação do Brasil na produção global, tendem a ter uma correlação inversa às cotações de café. Isso ocorre pois, em momentos em que o real está mais desvalorizado, os preços se tornam mais atraentes aos produtores e exportadores brasileiros, que tendem buscar mais comercializações, ampliando a oferta e pressionando os preços. Por outro lado, quando o real se fortalece, as exportações se tornam menos atraentes, e os agentes comerciais costumam a “segurar” o café para aguardar melhores oportunidades, reduzindo a oferta e ampliando os preços.

Neste contexto, desde meados de março, quando o dólar iniciou uma rodada de consecutivas quedas de maior intensidade, esta correlação assumiu maior protagonismo e evidência no mercado. Desde o dia 15 de março, quando o par real/dólar havia registrado uma sequência de três altas consecutivas, a divisa americana saiu de R$ 5,16 para R$ 4,66 até a última sexta-feira (1), uma queda de 9,8% ao longo de 13 pregões, os quais marcaram 10 quedas diárias e 3 altas. Neste mesmo período, as cotações da tela mais ativam em Nova Iorque, saiu de US₵ 212,3 no dia 15 de março, quando atingiu suas mínimas em 4 meses, para avançar 7,6% até a última sexta-feira, período em que computou 9 pregões de alta e 4 de queda.

cotações de café arábica vs. dólar comercial
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Desta forma, é importante continuar acompanhando a continuidade das quedas do dólar frente ao real, que enquanto se mantiver, deve continuar tendo influência altista sobre as cotações de café, que tendem a continuar prevalecendo enquanto não apareçam novas notícias ou alterações significativas em relação aos fundamentos do mercado.

Nesta semana, destacam na agenda de indicadores no exterior os PMIs de Serviços e Consolidado de março para as principais economias globais e a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (FOMC) do Federal Reserve, que deve apresentar mais detalhes a respeito dos debates dos membros a respeito de uma possível elevação mais intensa da taxa básica de juros e dos planos de redução dos ativos do balanço patrimonial do Fed como forma de combater os efeitos da inflação. No Brasil, a publicação de indicadores econômicos do Banco Central (BC) continua incerta devido à greve dos servidores da instituição, e o destaque fica para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março, que será divulgado pelo IBGE na sexta-feira (8), e deve mostrar forte aumento de preços, especialmente devido aos reajustes no preço dos combustíveis realizado pela Petrobrás em 11 de março.

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Tabela de indicadores
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Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
 
 
  • Café

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