No ponto de vista dos fundamentos, a perspectiva ainda é positiva, em meio a oferta restrita de café no atual ano-safra e a expectativa de menor disponibilidade em 2022/23. Além da grande redução na produção brasileira, a Colômbia tem enfrentado um cenário adverso, que resultou em menor produção e adicionou ao sentimento altista. Os últimos dados da Federação Nacional dos Cafeteiros da Colômbia indicaram que houve uma queda de 13% na produção do país em março, quando foram produzidas 914 mil sacas.
Além disso, em nova avaliação pós-monção, a Índia revisou suas estimativas para a produção de café. O Conselho do Café da Índia reduziu suas estimativas em 5,6% para a safra 2021/22, totalizando 5,8 milhões de sacas, ante 6,15 milhões na estimativa anterior. A estimativa para o arábica foi reduzida em 8,6% para 1,65 milhões de sacas e a estimativa para o robusta foi reduzida em 4,3% para 4,16 milhões de sacas. No entanto, as projeções ainda apontam para um avanço de 4,3% com relação à safra 2020/21.
Ademais, o fim da pandemia e a recuperação do consumo a níveis pré-pandêmicos nos EUA, por exemplo, atuam como fatores altistas para o mercado. Recentemente, a Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC) divulgou os dados de consumo no Brasil entre novembro de 2020 e outubro de 2021, indicando que o consumo no país teve um aumento de 1,7%, totalizando 21,54 milhões de sacas. A expectativa de consumo forte adiciona um sentimento construtivo para as cotações de café.
Enquanto os fatores supracitados têm atuado de forma positiva para as cotações, os impactos da guerra entre a Rússia e Ucrânia seguem adicionado um sentimento de grande incerteza. Os dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior, vinculada ao Ministério da Economia, apontaram para forte recuo nas exportações de café do Brasil para a Rússia e Ucrânia em março.
De acordo com a SECEX, as exportações brasileiras de café para a Rússia totalizaram 54,5 mil sacas em março, volume 36,4% inferior ao observado em fevereiro e 38,3% menor que o total exportado em março de 2021 – as exportações em março foram 25,4% inferiores à média dos últimos 3 anos para o mês.
SAZONALIDADE DAS EXPORTAÇÕES DE CAFÉ PARA A RÚSSIA (MIL SACAS)
Fonte: SECEX. Elaboração: StoneX.
Segundo tendência similar, as exportações brasileiras para a Ucrânia em março totalizaram 2.559 sacas, postando um recuo de 69% se comparado com fevereiro. Apesar de não haver diferença entre março de 2022 e de 2021, o volume exportado em 2022 é 29,6% inferior à média dos últimos 3 anos para o mês. Até o momento da produção deste conteúdo, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) não havia divulgado os dados oficiais das exportações brasileiras, porém a divulgação está prevista para as 16 horas de hoje (11) e deve corroborar com o cenário apresentado acima.
SAZONALIDADE DAS EXPORTAÇÕES DE CAFÉ PARA A UCRÂNIA (MIL SACAS)
Fonte: SECEX. Elaboração: StoneX.
Na contramão da tendência de Nova Iorque, o mercado de café robusta esteve pressionado durante a semana em meio ao sentimento de oferta confortável da variedade, apoiado pelos avanços nas exportações vietnamitas de café. De acordo os dados da agência aduaneira do Vietnã, as exportações do país totalizaram 9,7 milhões de sacas, aumento de 28,3% se comparado com o primeiro trimestre de 2021.
EXPORTAÇÕES VIETNAMITAS DE CAFÉ (MILHOES DE SACAS)
Fonte: Vietnam Customs. Elaboração: StoneX.
Como já foi apresentado em outras edições deste relatório, o aumento das exportações de café robusta do Vietnã ocorre em meio à forte queda nas exportações brasileiras para o tipo, como reflexo da condição dos diferenciais. Devido à forte restrição na oferta de café no Brasil, e a alta nos preços do arábica, houve o aumento da demanda de café robusta por parte das indústrias, resultando em diferenciais positivos no mercado doméstico brasileiro; na última semana, o diferencial entre o indicador Cepea para o robusta e a bolsa de Londres atingiu valores acima de 800,00 USD/ton.
Relatório CFTC aponta maior apetite dos agentes spec pelos papeis de arábica
O relatório Commitment of Traders da CFTC revelou na última semana que os fundos especulativos ampliaram suas posições liquidamente compradas em futuros e opções de café no período entre 29 de março e 5 de abril na bolsa de Nova Iorque. Segundo o relatório, os specs elevaram suas posições compradas em 4.743, enquanto reduziram suas posições vendidas em 2.918, avançando seu saldo liquidamente comprados em 7.661 para 23.395 contratos. No mesmo período as cotações avançaram 1.545 pontos, indo de US₵ 215,80/lb para US₵ 231,25/lb.
Nota-se que desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, quando uma forte onde de aversão ao risco tomou os mercados globais, os especuladores vinham reduzindo significativamente suas posições compradas, indo de 58.881 até 22 de fevereiro, último relatório antes do início da guerra, para 26.237 em 29 de março. É importante notar que conforme se arrefeceram os temores em relação aos efeitos da guerra, o avanço nas compras dos fundos na última semana se deu junto de uma redução nas posições vendidas, que atingiram seu menor nível desde janeiro, e que também foi acompanhada de uma redução nas posições abertas pelos especuladores. O movimento sinaliza uma possível retirada dos apostadores nas baixas do café, e caso se consolide, pode contribuir com mais força para os atuais fundamentos altistas que têm impulsionado novamente as cotações de café em patamares elevados desde o início de abril.
Dólar avança com cautela global após ata do FOMC
Depois de cinco semanas consecutivas de valorização, período que posicionou o real como moeda relevante de melhor desempenho no mundo em 2022, o par real/dólar avançou 1,0% em meio a pregões de grande volatilidade na última semana, encerrando o período cotado a R$ 4,712. A divisa americana apresentou durante a semana uma amplitude que foi de uma mínima de R$ 4,479 a R$ 4,793. O dollar index registrou expressivo avanço de 1,2% na semana para encerrar cotado a 99,8, maior encerramento em uma semana desde maio de 2020.