A despeito das dúvidas que ainda permeiam a produção da próxima safra brasileira, a produção de café na Colômbia vem registrando perdas significativas enquanto segue sofrendo com o excesso de chuva. Os dados da Federação Nacional dos Cafeteiros (FNC), na Colômbia, indicaram que a produção do país em abril totalizou 750 mil sacas, volume 7% menor que o observado no mesmo mês no ano passado. A produção colombiana segue sendo impactada pelo excesso de chuvas no país, um reflexo dos impactos do La Niña no clima. No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, a produção colombiana acumula 3,460 milhões de sacas, 14,5% abaixo do mesmo período em 2021, quando o país contabilizava 4,048 milhões de sacas produzidas.
Já o mercado de café robusta segue de olho nas exportações de café do Vietnã, que têm alcançado volumes maiores neste ano. Como foi apresentado de forma mais detalhada no relatório de perspectivas, os diferenciais de café robusta no Brasil estão em patamar elevado, enquanto os diferenciais no Vietnã seguem enfraquecidos, indicando a maior competitividade do país. Desta forma, os volumes de exportação brasileiros têm caído, enquanto os embarques vietnamitas avançaram.
Sazonalidade das exportações vietnamitas de café (milhões de sacas)
Fonte: Vietnam Customs. Elaboração: StoneX.
Os dados divulgados pelo órgão aduaneiro vietnamita indicaram que o país exportou 2,6 milhões de sacas em abril, volume 19,2% maior que o observado em abril de 2021, porém, 24% menor que o volume exportado em março, o que índica um arrefecimento no ritmo das exportações do país. Como podemos notar no gráfico sazonal de exportações, existe a tendência de redução nas exportações a partir de abril, devido ao período de entressafra no país – a colheita no Vietnã se inicia em meados de novembro e segue até janeiro.
Em relação à demanda, dados financeiros das Starbucks apontaram para um consumo forte, mas os novos casos na China preocupam. Com o fim da pandemia em grande parte dos países, o consumo de café vem se recuperando. Os dados da Starbucks mostra que as vendas da empresa avançaram 7% em seu segundo trimestre fiscal, que terminou no dia 3 de abril. O crescimento é reflexo da reabertura das economias após o choque causado pela pandemia. No entanto, um ponto de atenção são os novos casos de Covid-19 na China, que adotou novas medidas restritivas para evitar a disseminação da doença.
O último relatório Commitment of Traders divulgado pela CFTC mostrou um leve movimento dos fundos especulativos nos futuros e opções de café na bolsa de Nova Iorque. De acordo com os dados do relatório, os especuladores reduziram 1.331 posições compradas no período entre 26 abril e 03 de maio, indo a um total de 31.510 contratos. As novas posições vendidas também registraram uma queda, com diminuição de 749 contratos, indo a 9.652 posições vendidas na bolsa. Desta maneira, o saldo líquido dos specs apresentou uma leve retração de 582, ficado em 21.858 posições compradas.
Posição dos fundos especulativos em futuros e opções de café vs. contrato mais ativo na ICE NY
Fonte: CFTC, Trader's Pro. Elaboração: StoneX.
Através do gráfico acima é possível observar que desde meados de dezembro do ano passado, após as cotações terem absorvido a maior parte dos impactos do clima seco e geadas sobre as perspectivas da produção brasileira e do saldo global de O&D, os preços e o saldo dos fundos passaram a se relacionar com mais intensidade, apresentando movimentos bastante semelhantes ao longo das semanas. Isto sugere que as quedas mais intensas registradas nos últimos pregões, que se estendem para atingirem nesta segunda-feira (9) suas mínimas desde novembro e não encontram uma forte explicação no campo dos fundamentos, possuem grande influência de movimentos técnicos de fundos especulativos.
Para esta semana, as atenções dos agentes estão na divulgação dos dados de exportação de café no Brasil pelo Cecafé. Os dados do Cecafé, além de mostrarem o ritmo dos embarques e os possíveis impactos dos problemas logísticos na exportação do país, podem ajudar a dimensionar o tamanho do impacto da guerra, através dos indicadores de exportação para a Rússia e para a Ucrânia. Os dados de exportação divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), indicam que o Brasil exportou 2,76 milhões de sacas em abril, representando uma queda de 20% se comparado com abril de 2021. Importante destacar que os dados da Secex e do Cecafé geralmente divergem, o que indica que os números que serão divulgados pelo Cecafé podem apresentar um cenário diferente.
Na próxima semana, será divulgado, pela Green Coffee Association, o relatório dos estoques de café nos portos americanos em abril. O último relatório apontou para um avanço de quase 55 mil sacas (0,95%) em março, se comparado com o mês anterior. Como pode ser observado no gráfico sazonal dos estoques GCA, existe a tendencia de avanço nos estoques a partir de março. O padrão sazonal dos estoques GCA reflete os maiores volumes de importação de cafés da América Central, a partir de março/abril e depois os volumes vindos da Colômbia e do Brasil, no segundo semestre do ano. Portanto, os dados dos estoques podem mostram avanços substanciais em abril, o que atuaria de forma baixista para o mercado de café.
Sazonalidade dos estoques de café nos portos americanos – GCA (milhões de sacas)
Fonte: GCA. Elaboração: StoneX.
Dólar fecha semana acima de R$ 5,00 pela primeira vez em 7 semanas
A recuperação do dólar segue sendo fator de pressão para as cotações de café na bolsa. A moeda americana registrou sua terceira semana consecutiva em alta contra o real, com a taxa de câmbio registrando um avanço semanal de 2,6% para terminar a sexta-feira (6) cotado a R$ 5,073. O dollar index, por sua vez, manteve no exterior seu passo de valorização pela quinta semana em sequência, avançando 0,7% para terminar a semana cotado a 103,7 pontos, maior patamar em 20 anos.
A última semana foi de exacerbada volatilidade no mercado cambial brasileiro, com o dólar apresentando em todos os pregões amplitude de mais de 10 centavos de dólar, indicando um momento de acentuada incerteza e instabilidade nos mercados globais.