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Semanal de Café

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Perspectiva de balanço mais equilibrado em 22/23 arrefece as preocupações com a oferta
 
Fernando Maximiliano
 
Leonardo Rossetti
 
Além do contexto dos fundamentos, fatores macroeconômicos e cambiais pressionaram as cotações de café durante a semana
Resumo

•    Cotações de café arábica recuaram 1165 pontos (-5,2%) em NY na semana, encerrando cotado a US₵ 210,45/lb. 
•    Indicador Cepea de café arábica teve queda de 1,8% na semana, cotado a R$ 1.244,41/saca.
•    Preços de café robusta recuaram USD 25 (1,13%) em Londres, para USD 2083/ton.
•    Indicador Cepea para o robusta teve queda de 2,7%, para R$ 770,84/sc.
•    Efeitos da guerra continuam pressionando as cotações de café 
•    Produção de café na Colômbia teve queda de 7% em abril 
•    Excesso de chuva causado pelo La Niña continua afetando a produção na Colômbia 
•    Exportação de café no Vietnã cai em abril, mas ainda é maior na comparação anual 
•    Resultados financeiros da Starbucks indicam recuperação da demanda 
•    O surgimento de novos casos e a adoção de novas medidas restritivas na China preocupa os agentes com relação a demanda 
•    Atenção para a divulgação dos dados Cecafé e GCA nas próximas semanas
•    Dólar fecha semana acima de R$ 5,00 pela primeira vez em 7 semanas 
•    Apesar de alta dos juros do Fed dentro do esperado, mercado cambial registra grande volatilidade na semana
•    Agentes ascendem preocupações com inflação prolongada e baixo crescimento
•    Dados de inflação em abril no Brasil e Estados Unidos são destaque na semana

   Fatores baixistas       Fatores altistas

 

A StoneX divulgou na última quinta-feira (05) as perspectivas para mercado de café [maio-julho], acesse aqui o relatório completo.

Como foi apresentado no relatório de perspectivas para o mercado de café, a expectativa de um balanço de oferta e demanda (O&D) mais equilibrado ou com excedente em 2022/23, após um ano com expressivo déficit, arrefece as preocupações dos agentes com relação a oferta de café em 2022/23. Além disso, durante a semana, a alta do dólar, que reagiu à decisão do Fed, como será abordado na sessão macro, pressionou as cotações de café na semana. Ademais, traders observaram a liquidação de contratos por parte dos fundos especulativos, que ainda mantém posição bastante comprada, em 21,8 mil contratos, volume acima da média dos últimos 3 anos que foi de 8,5 mil contratos.

O contrato mais ativo de café arábica (julho/22) encerrou a sexta-feira (06) cotado a US₵ 210,45 /lb, postando um recuo de 1165 pontos (-5,2%) em relação à sexta-feira anterior (29). Seguindo a mesma tendência, no Brasil, o indicador CEPEA para o café arábica terminou a semana com queda de 1,8%, cotado a R$ 1.244,41/saca – a queda nas cotações não foi tão intensa como em Nova Iorque devido a alta de 2,6% do dólar na semana. 

Para o mercado de robusta, as cotações também terminaram a semana em queda, com o contrato mais ativo do robusta (julho/22), recuando USD 25 (1,13%) e encerrando a semana cotado a USD 2.083. No Brasil, o indicador CEPEA para o café robusta encerrou com queda de 2,7%, cotado em R$ 770,84/sc. Como já abordado em outras edições deste relatório, o início da colheita do tipo robusta no Brasil amplia sua disponibilidade e contribui para pressionar as cotações.

Intraday Semanal (Contrato mais ativo) - 02/05 a 06/05
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

A despeito das dúvidas que ainda permeiam a produção da próxima safra brasileira, a produção de café na Colômbia vem registrando perdas significativas enquanto segue sofrendo com o excesso de chuva. Os dados da Federação Nacional dos Cafeteiros (FNC), na Colômbia, indicaram que a produção do país em abril totalizou 750 mil sacas, volume 7% menor que o observado no mesmo mês no ano passado. A produção colombiana segue sendo impactada pelo excesso de chuvas no país, um reflexo dos impactos do La Niña no clima. No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, a produção colombiana acumula 3,460 milhões de sacas, 14,5% abaixo do mesmo período em 2021, quando o país contabilizava 4,048 milhões de sacas produzidas. 

Já o mercado de café robusta segue de olho nas exportações de café do Vietnã, que têm alcançado volumes maiores neste ano. Como foi apresentado de forma mais detalhada no relatório de perspectivas, os diferenciais de café robusta no Brasil estão em patamar elevado, enquanto os diferenciais no Vietnã seguem enfraquecidos, indicando a maior competitividade do país. Desta forma, os volumes de exportação brasileiros têm caído, enquanto os embarques vietnamitas avançaram.

Sazonalidade das exportações vietnamitas de café (milhões de sacas)

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Fonte: Vietnam Customs. Elaboração: StoneX.

Os dados divulgados pelo órgão aduaneiro vietnamita indicaram que o país exportou 2,6 milhões de sacas em abril, volume 19,2% maior que o observado em abril de 2021, porém, 24% menor que o volume exportado em março, o que índica um arrefecimento no ritmo das exportações do país. Como podemos notar no gráfico sazonal de exportações, existe a tendência de redução nas exportações a partir de abril, devido ao período de entressafra no país – a colheita no Vietnã se inicia em meados de novembro e segue até janeiro.

Em relação à demanda, dados financeiros das Starbucks apontaram para um consumo forte, mas os novos casos na China preocupam. Com o fim da pandemia em grande parte dos países, o consumo de café vem se recuperando. Os dados da Starbucks mostra que as vendas da empresa avançaram 7% em seu segundo trimestre fiscal, que terminou no dia 3 de abril. O crescimento é reflexo da reabertura das economias após o choque causado pela pandemia. No entanto, um ponto de atenção são os novos casos de Covid-19 na China, que adotou novas medidas restritivas para evitar a disseminação da doença. 

O último relatório Commitment of Traders divulgado pela CFTC mostrou um leve movimento dos fundos especulativos nos futuros e opções de café na bolsa de Nova Iorque. De acordo com os dados do relatório, os especuladores reduziram 1.331 posições compradas no período entre 26 abril e 03 de maio, indo a um total de 31.510 contratos. As novas posições vendidas também registraram uma queda, com diminuição de 749 contratos, indo a 9.652 posições vendidas na bolsa. Desta maneira, o saldo líquido dos specs apresentou uma leve retração de 582, ficado em 21.858 posições compradas.

Posição dos fundos especulativos em futuros e opções de café vs. contrato mais ativo na ICE NY

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Fonte: CFTC, Trader's Pro. Elaboração: StoneX.

 

Através do gráfico acima é possível observar que desde meados de dezembro do ano passado, após as cotações terem absorvido a maior parte dos impactos do clima seco e geadas sobre as perspectivas da produção brasileira e do saldo global de O&D, os preços e o saldo dos fundos passaram a se relacionar com mais intensidade, apresentando movimentos bastante semelhantes ao longo das semanas. Isto sugere que as quedas mais intensas registradas nos últimos pregões, que se estendem para atingirem nesta segunda-feira (9) suas mínimas desde novembro e não encontram uma forte explicação no campo dos fundamentos, possuem grande influência de movimentos técnicos de fundos especulativos. 

Para esta semana, as atenções dos agentes estão na divulgação dos dados de exportação de café no Brasil pelo Cecafé. Os dados do Cecafé, além de mostrarem o ritmo dos embarques e os possíveis impactos dos problemas logísticos na exportação do país, podem ajudar a dimensionar o tamanho do impacto da guerra, através dos indicadores de exportação para a Rússia e para a Ucrânia. Os dados de exportação divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), indicam que o Brasil exportou 2,76 milhões de sacas em abril, representando uma queda de 20% se comparado com abril de 2021. Importante destacar que os dados da Secex e do Cecafé geralmente divergem, o que indica que os números que serão divulgados pelo Cecafé podem apresentar um cenário diferente. 

Na próxima semana, será divulgado, pela Green Coffee Association, o relatório dos estoques de café nos portos americanos em abril. O último relatório apontou para um avanço de quase 55 mil sacas (0,95%) em março, se comparado com o mês anterior. Como pode ser observado no gráfico sazonal dos estoques GCA, existe a tendencia de avanço nos estoques a partir de março. O padrão sazonal dos estoques GCA reflete os maiores volumes de importação de cafés da América Central, a partir de março/abril e depois os volumes vindos da Colômbia e do Brasil, no segundo semestre do ano. Portanto, os dados dos estoques podem mostram avanços substanciais em abril, o que atuaria de forma baixista para o mercado de café.

Sazonalidade dos estoques de café nos portos americanos – GCA (milhões de sacas)

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Fonte: GCA. Elaboração: StoneX.
Dólar fecha semana acima de R$ 5,00 pela primeira vez em 7 semanas

A recuperação do dólar segue sendo fator de pressão para as cotações de café na bolsa. A moeda americana registrou sua terceira semana consecutiva em alta contra o real, com a taxa de câmbio registrando um avanço semanal de 2,6% para terminar a sexta-feira (6) cotado a R$ 5,073. O dollar index, por sua vez, manteve no exterior seu passo de valorização pela quinta semana em sequência, avançando 0,7% para terminar a semana cotado a 103,7 pontos, maior patamar em 20 anos.

A última semana foi de exacerbada volatilidade no mercado cambial brasileiro, com o dólar apresentando em todos os pregões amplitude de mais de 10 centavos de dólar, indicando um momento de acentuada incerteza e instabilidade nos mercados globais.

O principal evento que influenciou as oscilações da semana foi a decisão do Comitê de Política Monetária (FOMC) do Federal Reserve, que confirmou as expectativas e elevou em 50 p.p. a taxa básica de juros dos Estados Unidos, para o intervalo entre 0,75% a.a. e 1,00% a.a. Surpreendeu, no entanto, a fala do presidente do Fed, Jerome Powell, de que o Comitê não considerava ativamente ajustes de 0,75 p.p. na taxa básica de juros. Apesar da afirmação, o mercado de juros futuros tem oscilado ao longo dos dias, chegando a sinalizar em alguns momentos da última semana apostas majoritárias para uma elevação de 0,75 p.p. na próxima reunião, mesmo com as falas de Powell.

Esta dispersão das apostas, principal fator para a volatilidade do dólar nas últimas sessões, deve ser amenizada nesta semana após as entrevistas de diversos membros do FOMC, que devem ajudar a clarear o cenário que o banco central americano desenha para os próximos meses e para sua próxima reunião.

A decisão na quinta-feira (5) do Banco Central da Inglaterra (BoE) de elevar a taxa de juros do país em 0,25 p.p., pela quarta ocasião consecutiva, indo a 1,0% ao ano, também contribuiu para as oscilações no mercado internacional de câmbio. O BoE, junto da elevação na taxa de juros, aumentou suas projeções para a inflação em 2022 para 10% e em 2023 para 6,6%, patamares historicamente elevados para o país. Além disso, a autoridade monetária manteve a projeção de crescimento da economia de 3,75% em 2022 e revisou o PIB de 2023 para uma variação de -0,25%. As previsões de inflação ainda alta e contração da economia em 2023 aqueceram os debates sobre os possíveis efeitos prolongados da inflação global, assim como sobre a possibilidade de um cenário de estagflação nas principais economias do mundo.

Adicionou para a visualização deste cenário, ainda, o avanço da disseminação da variante ômicron da Covid-19 na China, e a continuidade da adoção de medidas rígidas para a contenção do espraiamento do vírus, até o momento sem sucesso. Na última semana, a IHS Markit divulgou um resultado de 36,2 pontos para o PMI de Serviços de Abril do país, que junto com o resultado PMI da Indústria (47,4), indicou o segundo mês consecutivo de queda na atividade de ambos os setores. É válido lembrar que um PMI abaixo do limiar de 50 pontos sinaliza uma contração na atividade do setor em questão, enquanto acima de 50 pontos indica uma condição de expansão. Desta maneira, tem crescido a leitura dos participantes do mercado da perspectiva de menor crescimento da economia do país (e por consequência, da economia global) e de um novo agravamento dos problemas logísticos globais, o que aumenta o risco de voltar a afetar em maior grau a cadeia do café.

No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) confirmou as expectativas e aumentou em 1,0 p.p. a taxa básica de juros (Selic), indo a 12,75% ao ano. Em comunicado, o colegiado afirmou que em função da desafiadora conjuntura global, com a continuidade da guerra russo-ucraniana e o agravamento da situação da Covid-19 na China, entenderá o ciclo de contração monetária com um próximo ajuste “de menor magnitude”, com as apostas do mercado indicando que o BC deve elevar 0,5 p.p. em junho.

Nesta semana, devem receber destaque, ainda, a divulgação na quarta-feira (11) do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de abril no Brasil e Estados Unidos. As decisões irão auxiliar as projeções dos participantes do mercado sobre os próximos passos dos bancos centrais dos países, com resultados acima do esperado tendendo a contribuir para uma maior atração de divisas para os respectivos mercados cambiais e, consequentemente, a favorecer o fortalecimento de suas moedas.

Tabela de indicadores
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Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
 
 
  • Café

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