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Semanal de Café

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Preços de café recuam com alta do dólar
 
Fernando Maximiliano
 
Leonardo Rossetti
 
Além da alta do dólar, mercado acompanhou de perto a divulgação dos relatórios do USDA e os estoques certificados de café;
Inflação nos preços de café no Brasil é a maior entre os maiores consumidores
Resumo

•    Cotações de café arábica recuaram 375 pontos (1,6%) em NY na semana, encerrando cotado a US₵ 228,80/lb. 
•    Indicador Cepea de café arábica teve alta de 1,1% na semana, cotado a R$ 1308,09/saca.
•    Preços de café robusta recuaram 2,0% em Londres, para USD 2095/ton.
•    Indicador Cepea para o robusta se manteve estável fechando em R$ 693,51/sc.
•    Estoques certificados de café arábica tiveram queda de 6.177 sacas na semana
•    Importações de café dos estados unidos registram salto anual de 25% em abril
•    Modelos indicam que la niña deve perder força, mas pode continuar até o final do ano
•    USDA divulga novos relatórios attaché do Brasil e Vietnã
•    IBGE revisou para baixo em 3,7% a produção brasileira em 2021/22 para 52,8 milhões
•    USDA attaché: estimativas divulgadas até o momento indicam aumento de 5% na produção
•    Cecafé: exportações brasileiras de café avançaram 5,8% em maio
•    Acompanhando cenário no exterior e doméstico, o par real/dólar encerrou a semana com alta de 4,4%
•    Avanço na moeda americana refletiu o aumento da inflação nos EUA, perspectiva de aperto monetário e risco fiscal no Brasil
•    Brasil tem maior inflação nos preços de café ao consumidor

   Fatores baixistas       Fatores altistas

Preços de café nas bolsas internacionais terminaram a semana em queda, reagindo a fatores cambiais, enquanto acompanhava de perto as divulgações dos relatórios dos adidos do USDA e a redução nos estoques certificados de café arábica. O avanço de 4,4% do dólar no mercado brasileiro, que reagiu tanto a fatores domésticos como externos, atuou de forma baixista para as cotações futuras de café arábica nos EUA. 

Em Nova Iorque (ICE), o vencimento de set/22 registrou um recuo semanal de 375 pontos (1,6%), para encerrar o período cotado a US₵ 228,80/lb. No terminal de Londres (ICE Europe), o contrato equivalente de café robusta encerrou o período cotado a USD 2095/t, queda semanal de 2,0%.

Para os estoques certificados, a redução no ritmo das quedas arrefeceu o sentimento dos participantes, mas a constante queda e o cenário ainda desfavorável a certificação, deve contribuir para mais quedas o que pode atuar de forma positiva para os preços. Na semana anterior, os estoques certificados de café arábica haviam caído mais de 55 mil sacas, porém, na semana passada, mesmo com o avanço de 4.875 sacas na segunda-feira (06), os estoques tiveram queda de 6.177 sacas. Considerando os diferenciais em patamares elevados nas origens, não existe a perspectiva de novas certificações, o que indica que as quedas podem continuar.  

Intraday Semanal (Contrato mais ativo) - 06/06 a 10/06

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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

No Brasil, os preços de café arábica ao produtor apresentou tendência altista, principalmente devido a alta do dólar no mercado cambial brasileiro. O indicador CEPEA para o café arábica encerrou a sexta-feira cotado a R$ 1308,09/saca, um avanço semanal de 1,1%. 

Já para o café robusta, o indicador CEPEA terminou a semana quase inalterado, fechando cotado a R$ 693,51/saca. Recentemente, a queda dos preços do café robusta no mercado doméstico esteve ligada ao aumento da disponibilidade em meio ao estágio mais avançado da colheita nos estados produtores da variedade. 

Nas próximas semanas, o mercado ficará de olho nas mudanças nos estoques certificados, a divulgação dos estoques GCA, prevista para o dia 15, e a divulgação do relatório global do USDA, previso para o dia 23 deste mês. Além disso, qualquer perspectiva da chegada de uma nova onda de frio poderá impactar as movimentações e gerar volatilidade. 

IMPORTAÇÕES DE CAFÉ DOS ESTADOS UNIDOS REGISTRAM SALTO ANUAL DE 25% EM ABRIL

De acordo com os dados divulgados nesta semana pelo USDA, em abril, as importações de café dos Estados Unidos totalizaram 2.380.270 de sacas de café verde, um avanço de 11% em relação a março e de 25% em relação ao total importado em abril de 2021. Entre os principais fornecedores, o Brasil representou 29,8% das importações do mês, seguido por Colômbia (26,6%), Guatemala (8,8%), Vietnã (7,9%), Honduras (6,8%), Nicarágua (6.0%) e México (5,3%).

Em relação a abril do ano passado, o Brasil registrou alta de 28,2%, com altas também no café oriundo da Colômbia (+23,8%), Guatemala (+25,9%), Vietnã (+18,4%), Honduras (+2,2%) e Nicarágua (+30,2%).

Sazonalidade das importações de café nos EUA

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Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
Para abril, de acordo com a Green Coffee Association (GCA), os estoques de café nos portos aumentaram 1,5% frente a março, e 2,5% ante a abril de 2021, totalizando 5.906.606 de sacas. Olhando para as estimativas de demanda nos portos, que considera o desaparecimento de café através do balanço do total de importações e dos estoques GCA, o volume com desaparecimento em abril totalizou 2.293.962 de sacas, que ficou 9,6% acima no comparativo com março, e 25,9% em relação a abril do ano passado.
MODELOS INDICAM QUE LA NIÑA DEVE PERDER FORÇA, MAS PODE CONTINUAR ATÉ O FINAL DO ANO

De acordo com a agência Australiana, BOM, os dados dos principais modelos de previsão indicam que as condições no Oceano Pacífico devem retornar ao estado neutro no inverno no hemisfério sul. Porém, outros 2 modelos indicam um cenário de manutenção do La Niña durante o segundo semestre do ano. 

No último modelo probabilístico divulgado pela agência americana, NOAA, houve um leve aumento na probabilidade de manutenção do La Niña no final do ano, com o enfraquecimento do fenômeno entre julho e setembro, antes de voltar a ter um La Niña mais intenso no restante do segundo semestre. Importante mencionar que o modelo do NOAA indica uma probabilidade de manutenção acima de 50% entre julho e setembro e acima de 55% de outubro até o final do ano. 

Previsão Probabilística de El Niño/La Niña

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Fonte: NOAA. Elaboração: StoneX.
Com já foi mencionado em outras edições do relatório semanal de café, a manutenção de uma condição de La Niña poderia provocar o atraso na chegada das chuvas no cinturão cafeeiro durante o segundo semestre do ano, o que poderia prejudicar a florada do café, como aconteceu nos últimos 2 anos. Como se pode notar, a grande discrepância nos indicadores torna incerto o cenário e pode gerar volatilidade. 
USDA DIVULGA NOVOS RELATÓRIOS ATTACHÉ E IBGE CORRIGE SUA ESTIMATIVA PARA A PRODUÇÃO EM 2021/22

Na última semana, o USDA divulgou seus relatórios attachés para os dois maiores produtores mundiais, Brasil e Vietnã, completando até o momento, a divulgação de 14 países. Ainda restam os relatórios de outros 5 países, incluindo Etiópia, Honduras, China, Malásia e Tanzânia. No entanto, o volume produzido nesses países é menos expressivo se comparado aos países que já tiveram suas estimativas divulgadas.  

Para o Brasil, o USDA ajustou para cima sua estimativa para a produção em 2021/22, de 56,3 milhões de sacas para 58,1 milhões, representando um aumento de 3,2%. Na contramão do USDA, o IBGE revisou para baixo em 3,7% sua estimativa para a produção em 2021/22, para 52,8 milhões de sacas. Para 2022/23, a produção do país deve avançar 10,4% para 64,3 milhões de sacas, sendo 41,5 milhões de café arábica e 22,8 milhões de café robusta. 

Com relação a demanda no Brasil, segundo maior consumidor global, o USDA reduziu sua estimativa para o consumo em 2021/22 em 5,6% para 22,34 milhões de sacas. Para 2022/23, o USDA vê um consumo quase estável, com um leve avanço de 0,5% para 22,45 milhões de sacas. Para as exportações totais, o USDA ajustou suas estimativas de 2021/22 com alta de 14,4%, indo de 33,2 para 37,9 milhões de sacas. Em 2022/23, segundo a agência, as exportações brasileiras devem avançar 2,8% para 39,04 milhões de sacas. 

Para o Vietnã, o USDA ajustou para cima em 1,5% sua estimativa para 2021/22, indo de 31,1 para 31,58 milhões de sacas. Em 2022/23, a produção deverá ter um recuo de 2% para 30,93 milhões de sacas. Com relação as exportações, a estimativa da agência para 2021/22 teve um ajuste para baixo de 6,6%, para 27 milhões de sacas e para 2022/23, as exportações devem recuar 1,3% para 26,65 milhões de sacas.   

Considerando todos os dados divulgados até o momento, a produção desses países deverá aumentar 5,0% em 2022/23, enquanto as exportações devem avançar 1,2%. Como foi comentando, ainda falta a divulgação das estimativas de 5 países produtores. O relatório final do USDA, com suas estimativas para o balanço global de oferta e demanda será divulgado na quinta-feira (23) da próxima semana. Considerando os dados divulgados até o momento, a perspectiva é de que o relatório do USDA indique um grande excedente no balanço de oferta e demanda em 2022/23. 

Tabela resumo das estimativas dos relatórios dos adidos USDA

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Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
CECAFÉ: EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS DE CAFÉ AVANÇARAM 5,8% EM MAIO

Na última semana, o Conselho dos Exportadores de Café divulgou os dados das exportações brasileiras de café em maio, que tiveram um avanço de 5,9% para o café cru e 5,1% no volume total, se comparado com maio de 2021. No mês foram embarcadas 2,53 milhões de sacas de café cru, sendo 2,4 milhões de café arábica e 121 mil de café robusta. Considerando o total exportado, o volume embarcado atingiu 2,8 milhões de sacas. 

No mês, o volume exportado de café arábica avançou 15,6%, enquanto o total de café conilon teve queda de 60,1%, refletindo o cenário desfavorável à exportação, reflexo dos diferenciais fortalecidos e em patamares positivos, com preços no mercado brasileiro sendo negociados acima do observado em Londres. De forma geral, o avanço nas exportações foi atribuído a uma melhora nas condições logísticas, que estão sendo impactadas desde o início da pandemia da Covid-19. 

Considerando o ano safra, o volume exportado de café cru recuou 16,3% para 32,6 milhões de sacas, refletindo a menor produção observada em 2021/22. Destes, 30,1 milhões de sacas foram da variedade arábica, que teve recuo de 12,9% e 2,45 milhões de café robusta, que recuou 43,4%. Mesmo com as quedas no volume exportado no acumulado do ano safra, a receita acumulada em dólares teve um incremento de 35,5% e totalizou 7,34 bilhões de dólares, ou 38,6 bilhões de reais. 

INFLAÇÃO ACIMA DO ESPERADO NOS EUA E PERCEPÇÃO DE ELEVAÇÃO DOS RISCOS FISCAIS NO BRASIL SUPORTARAM ALTA DO DÓLAR DE 4,4% NA SEMANA 
Impactado pela expectativa de que as políticas de contração monetária pelos bancos centrais de Estados Unidos e Europa devem se manter firmes, e pela percepção de elevação dos riscos fiscais no Brasil por investidores, a taxa de câmbio da moeda brasileira registrou uma semana de marcada desvalorização, contribuindo para pressionar as cotações de café na semana. Após registrar avanço nos 5 pregões da semana, o par real/dólar terminou a sexta-feira (10) cotado a R$ 4,989, com uma alta semanal de 4,4%, e inicia esta segunda-feira (13) cotada acima do nível psicológico de R$ 5,00. Já o dollar index terminou cotado a 104,2 pontos, com forte ganho de 2,0% no período e voltando a se aproximar de suas máximas em 20 anos.

O mercado internacional reagiu aos sinais de que a inflação global deve permanecer por mais tempo e mais disseminada que o esperado, após o Escritório de Estatísticas do Trabalho (BLS) dos Estados Unidos revelar um Índice de Preços ao Consumidor (CPI) maior que o esperado em maio no país, levando o acumulado em 12 meses para 8,6%, renovando seu maior patamar em 40 anos. O resultado reforça as perspectivas de que o Federal Reserve deve manter o firme passo de elevação da taxa básica de juros do país para controlar a aceleração de preços, o que contribui para elevar a cautela nos mercados globais e aumentar a atratividade da moeda americana.

Contribuiu também para este cenário a decisão do Banco Central Europeu (BCE) de que iniciar um ciclo de elevação de sua taxa básica de juros antes do esperado, em função da inflação em níveis recordes que tem assolado o bloco econômico. Segundo a presidente da instituição, Christine Lagarde, os aumentos devem se iniciar com altas de 0,25 p.p. em julho, com novo aumento de 0,25 p.p. e 0,50 p.p. em setembro. Anteriormente, a sinalização do BCE era de que os aumentos iniciariam apenas no final do terceiro trimestre. O avanço mais forte dos bancos centrais para controlar o aumento quase que generalizado de preço deve comprometer o crescimento dessas economias em 2022, e contribuir para uma maior atração do fluxo de divisas para ativos em dólar e euro.

No Brasil, as movimentações do governo Bolsonaro para avançar com diversas medidas para zerar impostos federais e estaduais sobre combustíveis, a fim de tentar controlar o forte aumento de preços no país, contribuíram para afastar investimentos do país e pressionar as cotações do real na semana.

Em suma, conforme comentado no Resumo Semanal de Câmbio da última sexta-feira, “Não há como se ignorar que a perda de arrecadação na ordem de dezena de bilhões de reais a quatro meses de uma eleição, que desrespeita o teto de gastos, em um contexto de visível pressão sobre a política de preços da Petrobras, não constitua uma medida que amplifica os riscos fiscais percebidos sobre o Brasil. As constantes alterações no Orçamento de 2022 que representam aumento de gastos ou redução de arrecadação fiscal podem elevar a percepção de risco fiscal associado ao Brasil, elevando a exigência de prêmio de risco por parte dos investidores, o que, por sua vez, poderia reduzir o fluxo de capital estrangeiro ao país e enfraquecer o real.”

Vale comentar também que o IBGE divulgou na última semana que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou um avanço de 0,47% em maio, com o acumulado em 12 meses indo a 11,73%. O aumento ficou abaixo das projeções de analistas e foi o menor desde abril do ano passado, principalmente devido à redução nos preços da energia elétrica após a mudança da bandeira tarifária da categoria escassez hídrica para verde.

Para o café torrado e moído, o IBGE registrou uma elevação de preços de 1,25% ao consumidor brasileiro em maio. Vale mencionar que este foi o menor aumento mensal desde abril de 2021, com o acumulado em 12 meses registrando sua primeira redução desde o mesmo mês, passando de 67,5% no mês passado para 67,0% em maio. A inflação sobre os preços de café no Brasil é a maior dentre os maiores consumidores. Para se ter ideia, nos últimos 12 meses, a inflação acumulada nos preços de café ao consumidor foi de 25% nos EUA e 3% na Zona do Euro.

Evolução da inflação sobre o café torrado e moído no Brasil, EUA e Europa nos últimos 12 meses

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Fonte: IBGE, BLS, Eurostat. Elaboração: StoneX.
 
tabela de indicadores
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Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
 

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