No Brasil, os preços de café arábica ao produtor apresentou tendência altista, principalmente devido a alta do dólar no mercado cambial brasileiro. O indicador CEPEA para o café arábica encerrou a sexta-feira cotado a R$ 1308,09/saca, um avanço semanal de 1,1%.
Já para o café robusta, o indicador CEPEA terminou a semana quase inalterado, fechando cotado a R$ 693,51/saca. Recentemente, a queda dos preços do café robusta no mercado doméstico esteve ligada ao aumento da disponibilidade em meio ao estágio mais avançado da colheita nos estados produtores da variedade.
Nas próximas semanas, o mercado ficará de olho nas mudanças nos estoques certificados, a divulgação dos estoques GCA, prevista para o dia 15, e a divulgação do relatório global do USDA, previso para o dia 23 deste mês. Além disso, qualquer perspectiva da chegada de uma nova onda de frio poderá impactar as movimentações e gerar volatilidade.
IMPORTAÇÕES DE CAFÉ DOS ESTADOS UNIDOS REGISTRAM SALTO ANUAL DE 25% EM ABRIL
De acordo com os dados divulgados nesta semana pelo USDA, em abril, as importações de café dos Estados Unidos totalizaram 2.380.270 de sacas de café verde, um avanço de 11% em relação a março e de 25% em relação ao total importado em abril de 2021. Entre os principais fornecedores, o Brasil representou 29,8% das importações do mês, seguido por Colômbia (26,6%), Guatemala (8,8%), Vietnã (7,9%), Honduras (6,8%), Nicarágua (6.0%) e México (5,3%).
Em relação a abril do ano passado, o Brasil registrou alta de 28,2%, com altas também no café oriundo da Colômbia (+23,8%), Guatemala (+25,9%), Vietnã (+18,4%), Honduras (+2,2%) e Nicarágua (+30,2%).
Sazonalidade das importações de café nos EUA
Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
Para abril, de acordo com a Green Coffee Association (GCA), os estoques de café nos portos aumentaram 1,5% frente a março, e 2,5% ante a abril de 2021, totalizando 5.906.606 de sacas. Olhando para as estimativas de demanda nos portos, que considera o desaparecimento de café através do balanço do total de importações e dos estoques GCA, o volume com desaparecimento em abril totalizou 2.293.962 de sacas, que ficou 9,6% acima no comparativo com março, e 25,9% em relação a abril do ano passado.
MODELOS INDICAM QUE LA NIÑA DEVE PERDER FORÇA, MAS PODE CONTINUAR ATÉ O FINAL DO ANO
De acordo com a agência Australiana, BOM, os dados dos principais modelos de previsão indicam que as condições no Oceano Pacífico devem retornar ao estado neutro no inverno no hemisfério sul. Porém, outros 2 modelos indicam um cenário de manutenção do La Niña durante o segundo semestre do ano.
No último modelo probabilístico divulgado pela agência americana, NOAA, houve um leve aumento na probabilidade de manutenção do La Niña no final do ano, com o enfraquecimento do fenômeno entre julho e setembro, antes de voltar a ter um La Niña mais intenso no restante do segundo semestre. Importante mencionar que o modelo do NOAA indica uma probabilidade de manutenção acima de 50% entre julho e setembro e acima de 55% de outubro até o final do ano.
Previsão Probabilística de El Niño/La Niña
Fonte: NOAA. Elaboração: StoneX.
Com já foi mencionado em outras edições do relatório semanal de café, a manutenção de uma condição de La Niña poderia provocar o atraso na chegada das chuvas no cinturão cafeeiro durante o segundo semestre do ano, o que poderia prejudicar a florada do café, como aconteceu nos últimos 2 anos. Como se pode notar, a grande discrepância nos indicadores torna incerto o cenário e pode gerar volatilidade.
USDA DIVULGA NOVOS RELATÓRIOS ATTACHÉ E IBGE CORRIGE SUA ESTIMATIVA PARA A PRODUÇÃO EM 2021/22
Na última semana, o USDA divulgou seus relatórios attachés para os dois maiores produtores mundiais, Brasil e Vietnã, completando até o momento, a divulgação de 14 países. Ainda restam os relatórios de outros 5 países, incluindo Etiópia, Honduras, China, Malásia e Tanzânia. No entanto, o volume produzido nesses países é menos expressivo se comparado aos países que já tiveram suas estimativas divulgadas.
Para o Brasil, o USDA ajustou para cima sua estimativa para a produção em 2021/22, de 56,3 milhões de sacas para 58,1 milhões, representando um aumento de 3,2%. Na contramão do USDA, o IBGE revisou para baixo em 3,7% sua estimativa para a produção em 2021/22, para 52,8 milhões de sacas. Para 2022/23, a produção do país deve avançar 10,4% para 64,3 milhões de sacas, sendo 41,5 milhões de café arábica e 22,8 milhões de café robusta.
Com relação a demanda no Brasil, segundo maior consumidor global, o USDA reduziu sua estimativa para o consumo em 2021/22 em 5,6% para 22,34 milhões de sacas. Para 2022/23, o USDA vê um consumo quase estável, com um leve avanço de 0,5% para 22,45 milhões de sacas. Para as exportações totais, o USDA ajustou suas estimativas de 2021/22 com alta de 14,4%, indo de 33,2 para 37,9 milhões de sacas. Em 2022/23, segundo a agência, as exportações brasileiras devem avançar 2,8% para 39,04 milhões de sacas.
Para o Vietnã, o USDA ajustou para cima em 1,5% sua estimativa para 2021/22, indo de 31,1 para 31,58 milhões de sacas. Em 2022/23, a produção deverá ter um recuo de 2% para 30,93 milhões de sacas. Com relação as exportações, a estimativa da agência para 2021/22 teve um ajuste para baixo de 6,6%, para 27 milhões de sacas e para 2022/23, as exportações devem recuar 1,3% para 26,65 milhões de sacas.
Considerando todos os dados divulgados até o momento, a produção desses países deverá aumentar 5,0% em 2022/23, enquanto as exportações devem avançar 1,2%. Como foi comentando, ainda falta a divulgação das estimativas de 5 países produtores. O relatório final do USDA, com suas estimativas para o balanço global de oferta e demanda será divulgado na quinta-feira (23) da próxima semana. Considerando os dados divulgados até o momento, a perspectiva é de que o relatório do USDA indique um grande excedente no balanço de oferta e demanda em 2022/23.
Tabela resumo das estimativas dos relatórios dos adidos USDA
Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
CECAFÉ: EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS DE CAFÉ AVANÇARAM 5,8% EM MAIO
Na última semana, o Conselho dos Exportadores de Café divulgou os dados das exportações brasileiras de café em maio, que tiveram um avanço de 5,9% para o café cru e 5,1% no volume total, se comparado com maio de 2021. No mês foram embarcadas 2,53 milhões de sacas de café cru, sendo 2,4 milhões de café arábica e 121 mil de café robusta. Considerando o total exportado, o volume embarcado atingiu 2,8 milhões de sacas.
No mês, o volume exportado de café arábica avançou 15,6%, enquanto o total de café conilon teve queda de 60,1%, refletindo o cenário desfavorável à exportação, reflexo dos diferenciais fortalecidos e em patamares positivos, com preços no mercado brasileiro sendo negociados acima do observado em Londres. De forma geral, o avanço nas exportações foi atribuído a uma melhora nas condições logísticas, que estão sendo impactadas desde o início da pandemia da Covid-19.
Considerando o ano safra, o volume exportado de café cru recuou 16,3% para 32,6 milhões de sacas, refletindo a menor produção observada em 2021/22. Destes, 30,1 milhões de sacas foram da variedade arábica, que teve recuo de 12,9% e 2,45 milhões de café robusta, que recuou 43,4%. Mesmo com as quedas no volume exportado no acumulado do ano safra, a receita acumulada em dólares teve um incremento de 35,5% e totalizou 7,34 bilhões de dólares, ou 38,6 bilhões de reais.
INFLAÇÃO ACIMA DO ESPERADO NOS EUA E PERCEPÇÃO DE ELEVAÇÃO DOS RISCOS FISCAIS NO BRASIL SUPORTARAM ALTA DO DÓLAR DE 4,4% NA SEMANA
Impactado pela expectativa de que as políticas de contração monetária pelos bancos centrais de Estados Unidos e Europa devem se manter firmes, e pela percepção de elevação dos riscos fiscais no Brasil por investidores, a taxa de câmbio da moeda brasileira registrou uma semana de marcada desvalorização, contribuindo para pressionar as cotações de café na semana. Após registrar avanço nos 5 pregões da semana, o par real/dólar terminou a sexta-feira (10) cotado a R$ 4,989, com uma alta semanal de 4,4%, e inicia esta segunda-feira (13) cotada acima do nível psicológico de R$ 5,00. Já o dollar index terminou cotado a 104,2 pontos, com forte ganho de 2,0% no período e voltando a se aproximar de suas máximas em 20 anos.