Com o avanço do dólar, os preços de café arábica pago ao produtor brasileiro terminaram a semana em alta. O indicador CEPEA para o café arábica encerrou a sexta-feira cotado a R$ 1.326,24/saca, um avanço semanal de 1,4%.
Já para o café robusta, o indicador CEPEA terminou a semana com leve queda de 0,3%, fechando cotado a R$ 691,43/saca. Recentemente, os preços do café robusta no mercado doméstico estiveram pressionados em meio ao avanço da colheita do tipo no Brasil.
Durante a semana, o mercado continuará de olho nas mudanças nos estoques certificados, que não tem perspectiva de recuperação, como já foi apresentado em outras edições desse relatório. Além disso, as atenções estarão voltadas para a divulgação do relatório global de café do USDA, que trará as estimativas do órgão para o balanço global de café em 2022/23 – como será abordado a frente, a maioria dos relatórios attaché do USDA já foram divulgados e indicam até o momento um avanço de 7 milhões de sacas na produção mundial. Ademais, qualquer perspectiva da chegada de uma nova onda de frio poderá impactar as movimentações e gerar volatilidade.
Ainda nesta semana, na quarta-feira (22), o CoffeeNetwork, empresa do grupo StoneX, divulgará suas expectativas para o balanço de oferta e demanda (O&D) global de café em 2022/23, relatório que estará disponível para os clientes no portal de inteligência de mercado da StoneX.
ESTOQUES DE CAFÉ NOS ESTADOS UNIDOS CRESCEM EM MAIO
A Green Coffee Association (GCA) divulgou na última semana que os estoques nos portos americanos cresceram 97.125 em maio para chegar a 6 milhões de sacas, maior patamar desde setembro do ano passado. A alta representa uma variação positiva de 1,6% em relação ao mês anterior, menor que a variação média de 3,0% nos anos anteriores, e um crescimento de 3,2% em relação a maio de 2021. Apesar do aumento, o atual nível fica 9,7% abaixo da média dos últimos cinco anos para o mês, de 6,6 milhões de sacas.
Sazonalidade dos estoques de café nos portos americanos – GCA (milhões de sacas)
Fonte:GCA. Elaboração: StoneX.
O aumento, já sazonalmente esperado para o mês, corrobora com os dados de elevação das importações de café acima da média de abril nos Estados Unidos, que deram sinais de uma demanda ainda aquecida no país. Vale lembrar que em abril esperava-se uma queda nas importações americanas, devido aos números mais baixos nas exportações de importantes fornecedores, como o Brasil. O resultado de avanço reforçou que o tempo de trânsito mais longo dos carregamentos de café, devido aos problemas logísticos, ainda tem dificultado uma leitura no curto-prazo do real cenário para a demanda. Todavia, até o momento, os estoques da GCA por enquanto indicam uma demanda estável no maior consumidor de café do mundo, apesar dos preços ao consumidor se encontrarem em ascensão nos últimos meses.
USDA DIVULGA RELATÓRIO ATTACHÉ COM AS ESTIMATIVAS PARA A TANZÂNIA
Na última semana, o USDA divulgou seu relatório attaché apenas para a Tanzânia, corrigindo a produção do país de 1,4 para 1,2 milhões de sacas em 2021/22. Além disso o USDA projetou uma queda de 4,2% na produção do país em 2022/23. Com relação às exportações, o USDA ajustou para baixo as exportações do país em 2021/22, de 1,6 para 1,2 milhões de sacas e estimou as exportações em 2022/23 em 1,1 milhões de sacas, representando uma queda de 8,6%.
Até o momento, foram divulgados os relatórios attaché para 15 países produtores, incluindo os países mais importantes, como Brasil, Colômbia e Vietnã. Ainda resta a divulgação do relatório para outros 4 países; Etiópia, Honduras, China e Malásia. Nesta quinta-feira (23), o USDA divulgará seu relatório global de café, que trará suas expectativas para o balanço de oferta e demanda global em 2022/23. A divulgações dos relatórios attaché para os países restantes deverão acontecer nos próximos dias, mas é possível que sejam divulgados junto do relatório global, como já aconteceu em anos anteriores.
Para os relatórios divulgados até o momento, considerando o somatório parcial das estimativas, o USDA ajustou em 0,7% suas estimativas para a produção em 2021/22, indo de 142,2 para 143,1 milhões de sacas. O ajuste para as exportações em 2021/22 mostrou um avanço de 0,9%, indo de 113,4 para 114,4 milhões de sacas.
Considerando a produção em 2022/23, os dados parciais indicam um avanço de 7 milhões de sacas (4,9%) para 150,1 milhões de sacas. Para as exportações, os dados parciais indicam um avanço de 1,3 milhões de sacas (1,1%) em 2022/23, para um total de 115,7 milhões de sacas.
Tabela resumo das estimativas dos relatórios dos adidos USDA
Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
Em semana de decisão de política monetária no Brasil e EUA, dólar termina em alta
A taxa de câmbio da moeda brasileira encerrou a última sexta-feira (17) cotada a R$ 5,146, um avanço de 3,1%, garantindo sua terceira semana consecutiva em valorização. O dollar index também marcou sua terceira semana com ganhos ao registrar alta de 0,3%, para terminar cotado a 104,5 pontos.
Os mercados globais repercutiram na semana a decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve em aumentar a taxa básica de juros dos Estados Unidos em 0,75 ponto percentual, indo a um intervalo entre 1,5% e 1,75% ao ano e sinalizando que em sua próxima reunião deve voltar a aumentar entre 0,5 e 0,75 p.p, a depender dos indicadores econômicos. Uma forte alta como esta, não vista desde 1994, mantém a postura mais agressiva do Fed e reafirma o comprometimento de seus membros em controlar a inflação no país, que se encontra em seus maiores patamares em 40 anos.