No final da semana, os agentes também repercutiram as prévias dos PMIs das principais economias globais, uma vez que indicadores de atividade têm sido observados com maior atenção nos últimos meses em meio à preocupação com a desaceleração da atividade nos países. Entre os resultados, destacou-se o resultado do PMI de serviços dos Estados Unidos, que recuou de 52,7 em junho para 47,0 em julho, levando o resultado consolidado (indústria e serviços) para 47,5 pontos, abaixo dos 50 pontos que divide uma condição de expansão e contração. Na zona do euro, o setor de serviços caiu de 53 para 50,6 pontos em julho, com a indústria retraindo de 52,1 para 49,6. Os resultados, indicando que alguns setores podem já estar entrando em contração neste mês, tende a elevar o temor com a possibilidade de queda significativa no nível de atividade antes de a aceleração de preços ser controlada, o que poderia configurar um cenário de estagflação no curto-prazo.
Nesta semana, todas as atenções estarão voltadas para a decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve. Depois da divulgação há duas semanas dos Índices de Preços ao Consumidor (CPI) e ao Produtor (PPI) de junho acima do esperado para os Estados Unidos, se tornou praticamente certo que o banco central americano promoverá uma elevação de pelo menos 75 pontos base na taxa de juros do país. A possibilidade de um aumento de 100 pontos passou a ser considerada pelo mercado, mas perdeu força ao longo das últimas duas semanas após membros do Fed reforçarem sua inclinação a favor dos 75 pontos.
Será importante acompanhar a mensagem transmitida pelo comunicado e pela coletiva no presidente da autoridade monetária, Jerome Powell, onde os agentes buscarão pistas sobre como o Fed pretende conduzir a política monetária nas decisões de setembro, novembro e dezembro. Atualmente, as apostas para os próximos ajustes se encontram muito dispersas, indicando uma elevada incerteza no mercado, com os analistas encontrando dificuldades em consolidar um consenso sobre o cenário mais provável para o restante do ano.
No Brasil, em uma semana de agenda esvaziada, se destacou no noticiário político a reunião do presidente Jair Bolsonaro com embaixadores estrangeiros residentes no Brasil, onde realizou novos ataques ao sistema eleitoral brasileiro. As declarações do presidente, a pouco mais de 2 meses das eleições, elevam a apreensão dos investidores com uma instabilidade no cenário político no país, que nas próximas semanas deve tomar cada vez mais os holofotes e contribuir para aumentar a volatilidade no mercado cambial brasileiro.
Na agenda desta semana, o Banco Central deve voltar a divulgar indicadores que ficaram suspensos durante a greve dos servidores da instituição, como as Estatísticas do Setor Externo, Monetárias e de Crédito, de Mercado Aberto e Fiscais. No exterior, além da decisão do Fed, merece destaque a divulgação do PIB do 2º trimestre dos Estados Unidos, na quinta-feira (28), e a prévia da inflação de julho na zona do euro, na sexta-feira (29).
Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
