A desvalorização da divisa americana teve importante influência na valorização do café na semana, uma vez que o mercado segue em passo de espera pelo encerramento da colheita para averiguar o real desempenho da safra 2022/23, e aguardando a aproximação de setembro, quando as atualizações sobre o clima e sobre a florada devem ditar as tendências para os preços.
A correlação entre o mercado de divisas e os futuros de café ficou bastante marcada na primeira parte da semana, período em que o café arábica garantiu seus ganhos na semana. Enquanto o par real/dólar acumulou até a quarta-feira (27) queda de 4,6%, indo de R$ 5,497 para R$ 5,243, o contrato mais ativo de café arábica saiu de US¢ 206,7/lb para US¢ 219,10, avanço de 6,0%. Já o café robusta, que vem operando em patamares menos elevados que o café arábica, estendeu seus ganhos até a sexta-feira (29).
Intraday Semanal (Contrato mais ativo) vs. par USDBRL - 25/07 a 29/07
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.
Não houve grandes surpresas na decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve na última semana. O colegiado optou por elevar a taxa básica de juros nos Estados Unidos em 75 pontos base, indo para o intervalo entre 2,25 e 2,50 a.a., mantendo o discurso de “forte comprometimento com a reestabilização de preços”, sinalizando enfraquecimento de alguns indicadores econômicos e indicando que novos aumentos devem ser apropriados.
Todavia, em coletiva após a decisão, o presidente do Fed, Jerome Powell, não garantiu uma elevação de mesma magnitude na reunião de setembro, afirmando que a decisão dependerá dos dados econômicos que o Fed continuará acompanhando até lá. A fala, no entendimento da maior parte do mercado, indicou uma indisposição em repetir um aumento de 75 pontos. A perspectiva de que os próximos ajustes podem ser menores contribuiu para redirecionar um fluxo de investimentos da moeda americana para outras moedas e ativos, como as commodities. Neste contexto, será importante acompanhar as declarações de membros do Fed nesta semana, que podem buscar reafirmar a posição comprometida do banco central americano com a manutenção de uma política monetária firme para garantir o controle dos preços no país, o que pode ajudar a corrigir parte das quedas significativas registradas nas últimas sessões.
A divulgação na quinta-feira (28) de uma contração de 0,9% no PIB dos Estados Unidos no 2º trimestre, contra uma expectativa de expansão de 0,5%, também adicionou pressão baixista sobre a moeda americana. O desempenho levou a economia americana a ser considerada em uma recessão técnica, visto que no 1º trimestre o PIB registrou queda de 1,6%. Com isso, elevou-se a percepção do mercado de que o Fed pode não ter espaço para elevar a taxa de juros com tanta intensidade, sob o risco de sacrificar demais a economia e os empregos no país. Ainda é cedo para afirmar se a economia americana continuará em retrocesso, no entanto, a depender do resultado dos indicadores de atividade para o mês de julho, os debates sobre uma possível situação de estagflação, ou seja, retração da economia em meio a uma inflação elevada, tendem a se intensificar nas próximas semanas. Neste quadro, será importante acompanhar nesta semana a divulgação pelo instituo ISM dos PMIs para a indústria e para o setor de serviços nos Estados Unidos no mês passado. O relatório de situação de emprego de julho, que será publicado na sexta-feira (5), também deve estar no foco dos agentes.
No Brasil, o foco da semana será sobre a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). Conforme análise realizada no último Semanal de Câmbio, o Comitê se encontra diante de um cenário contraditório para sua decisão para a taxa básica de juros (Selic). Por um lado, há fatores que permitem suavizar o atual processo de aperto monetário. Os subsídios recentes do governo federal para os combustíveis e a energia elétrica devem aliviar substancialmente o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) nos próximos meses, e há uma entrada substantiva de recursos estrangeiros por conta de um realinhamento de expectativas sobre a trajetória da taxa de juros nos Estados Unidos. Por outro lado, há uma previsão de piora das contas públicas por conta dos programas de auxílios concedidos pelo governo federal nos últimos meses, uma expectativa crescente de maior inflação em 2023, com taxas de juros para financiamento dos títulos de dívida pública se mantendo em um patamar bastante elevado. Embora não haja consenso, a maior parte das estimativas são de que o Copom vá aumentar a Selic de 13,25% a.a. para 13,75% a.a. na próxima quarta (3).
Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
