Seguindo a tendência observada no mercado internacional, a semana foi bastante volátil para os preços, com as cotações de café arábica no mercado doméstico brasileiro terminando a semana que queda. O indicador CEPEA para o café arábica encerrou a sexta-feira cotado a R$ 1.261,57/saca, um recuo de 3,0%. Já para o café robusta, o indicador CEPEA terminou a semana com um avanço de 0,5%, fechando cotado a R$ 719,22/saca.
Enquanto as questões ligadas à demanda global continuam sob grande incerteza e apresentam maiores dificuldades em serem acompanhadas com frequência, os agentes acompanhou na semana os sinais de menor disponibilidade de cafés suaves no mercado. Além da queda dos estoques certificados, que tem sido um fator de suporte nas últimas semanas, os dados significativamente mais fracos de exportações na Colômbia e Honduras evidenciam a menor oferta de cafés de padrões de qualidade mais elevados. Os dados da Federação Nacional dos Cafeteros (FNC) da Colômbia informou que a produção em julho totalizou 944 mil sacas, uma queda significativa de 22,0% em relação às 1,209 milhão de sacas registradas no mesmo mês do último ano. Em termos acumulados, o país contabiliza 6,372 milhões de sacas produzidas nos primeiros 7 meses do ano, 8,0% abaixo do ano passado (6,9 milhões) e 15,5% inferior à média dos últimos 5 anos (7,5 milhões).
Acumulado da produção de café na Colômbia (milhões de sacas)
Fonte: FNC. Elaboração: StoneX.
As dificuldades devido ao clima adverso, enfrentadas pelos cafeicultores colombiana, também tem impactado a produção em Honduras. De acordo com o Instituto Hondurenho do Café (Ihcafe), as exportações do quinto maior produtor global de café contabilizaram 409 mil sacas em julho, queda de 38,1% em relação ao mesmo mês em 2021. De acordo com o Instituto, os menores embarques refletem a produção mais fraca que, no caso hondurenho, tem sido afeada pela ferrugem nas plantas.
Nesta semana, além de as atenções dos agentes continuarem nos fatores macroeconômicos e cambiais, nos estoques certificados e no clima no Brasil, o mercado estará de olho nos dados de exportação no brasil, que deverá ser divulgado nos próximos dias.
Apesar de trajetória do consumo continuar incerta, resultados das companhias sinalizam cenário positivo
Desde o início da pandemia e, mais recentemente, muito tem se falado sobre os possíveis impactos dos fatores macroeconômicos sobre o consumo de café. Apesar de ter se mostrado bastante resiliente e pouco elástico, uma possível queda na demanda pela bebida passou a ser pautada nas análises do mercado, tendo em vista as condições únicas do cenário atual, de pandemia, crise econômica e guerra. Para estudar as questões ligadas ao consumo, além do acompanhamento dos estoques, exportações e importações, faz-se necessário acompanhar os resultados financeiros das empresas ligadas ao setor.
Recentemente, foram divulgados os resultados financeiros da JDE Peets no primeiro semestre de 2022, que indicou um aumento de 19,7% nas receitas das vendas, para um total de 3,896 bilhões de euros. Os resultados da Keurig Dr Pepper, empresa que também atua no setor de café, indicaram um aumento de 13,2% nas receitas das vendas totais no segundo trimestre do ano, para um total de 3,55 bilhões de dólares. Ainda segundo a Keurig Dr Pepper, as receitas das vendas dos produtos da empresa ligados ao café (Coffee Systems), tiveram um avanço de 8,5% no período, para 1,2 bilhão de dólares.
Importações americanas de café avançaram 18% em junho
Os dados divulgados na última semana pelo USDA indicaram que as importações de café em junho totalizaram 2,155 milhões de sacas, um aumento de 18%, se comparado com o mês anterior, e de 5%, se comparado com junho de 2021. Considerando o volume acumulado, os EUA importaram 12,3 milhões de sacas em 2022, aumento de 6,5% em relação ao mesmo período do ano passado.
Sazonalidade das importações de café nos EUA (milhões de sacas)
Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
Quando analisamos as estimativas de demanda nos portos, que faz um balanço do café que entra pelas importações e o café remanescente nos portos, através do GCA, o cenário não é tão diferente. Os dados mostram um aumento de 21,5% no indicador em junho se comparado com maio, e uma alta de 1% se comparado com junho de 2021. O acumulado dos meses em 2022 (jan-jun) totalizou 12,1 milhões de sacas, volume 4,5% maior que no mesmo período do ano passado.
Apreensão no cenário macroeconômico segue baixista para futuros de café
Após oscilar sem uma tendência definida, o dólar encerrou a última semana praticamente em estabilidade, cotado a R$ 5,169, um recuo marginal de 0,1%. Já no exterior, o dollar index avançou 0,6%, terminando fechando a 106,4 pontos.
No exterior, a semana foi marcada por um realinhamento das expectativas para a política monetária nos Estados Unidos, além de outros eventos e divulgações que contribuíram tanto para elevar novamente a aversão ao risco nos mercados globais quanto para atrair investimento em ativos denominados em dólar no mercado americano. Ambos, de maneiras diferentes, tendem a afastar investimentos em moedas mais arriscadas e commodities de maneira geral. O índice CRB, composto por uma cesta de futuros de commodities energéticas, alimentícias e metálicas e que conta com a presença do café, marcou uma queda de 3,7% em relação à sexta-feira anterior (29).