Seguindo a tendência observada no mercado internacional, as cotações de café arábica e robusta no mercado doméstico terminaram a semana em alta. O indicador CEPEA para o café arábica encerrou a sexta-feira (12) cotado a R$ 1.300,76/saca, um avanço de 3,1%. Já para o café robusta, o indicador CEPEA terminou a semana com um avanço de 1,7%, fechando cotado a R$ 731,38/saca.
A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) dos Estados Unidos atualizou na última quinta-feira (11) suas projeções probabilísticas para a ocorrência de El Niño/La Niña. Os dados mostraram um aumento significativo nas chances de que haja um La Niña até o final de 2022, em relação ao que era observado até julho.
As projeções de agosto tiveram ajustes expressivos a partir do trimestre de agosto a outubro, e agora apontam para pelo menos cerca de 80% de chances de que o fenômeno ocorra até o final de 2022. Pelo que as últimas atualizações têm mostrado, parece pouco provável que esta tendência se altere antes da ocorrência da florada. Sendo assim, além de acompanhar as probabilidades de La Niña, será importante verificar qual é a intensidade projetada para este fenômeno, a fim de compreender o seu potencial de impacto na safra.
Mudança nas probabilidades de ocorrência de La Niña
Fonte: IRI/CPC - NOAA. Elaboração: StoneX.
Na semana, além dos estoques certificados e do clima, que continuarão no centro das atenções, os agentes se voltarão para os dados dos estoques de café nos portos americanos, que serão divulgados hoje (15) pela Green Coffee Association. Sazonalmente, os estoques tendem a ficar estáveis ou registrar leve avanço em julho, antes de caírem a partir de agosto. De acordo com os dados históricos, os estoques avançaram em média 135 sacas no mês de julho. No entanto vale a pena lembrar que, apesar dos aumentos nos últimos meses, os estoques estão em patamares historicamente baixos.
À medida que os estoques certificados pela ICE diminuem, o café listado como 'classificação pendente' não é necessariamente novo
Por Alexis Rubinstein
Os estoques certificados pela ICE têm sido um fator fundamental importante no mercado de café nas últimas semanas, pois vimos os níveis dos estoques caírem para o menor nível em mais de 23 anos. Na sexta-feira (12), os estoques foram registrados em 571.905 sacas, uma queda de quase 74% em relação ao nível em que estavam no mesmo período do ano passado. Mas, somando-se à conversa dos inventários do ICE, havia a peculiar ausência de classificações. De 11 de julho a 8 de agosto, a ICE não registrou a classificação de nenhum café.
“A classificação só ocorre quando um proprietário solicita classificações e, uma vez solicitada a classificação, leva vários dias para que o processo de amostragem seja concluído e as amostras cheguem à sala de classificação de NY”, disse Tim Barry, do InterContinental Exchange, ao CoffeeNetwork em uma entrevista. “Sempre há um atraso entre quando um lote aparece como 'avaliação pendente' e quando o lote é avaliado.”
Atualmente, existem 233.403 sacas pendentes de classificação, mas, de acordo com Barry, a bolsa não detalha quanto desse volume é café novo ou reenviado para classificação. Ele confirmou, no entanto, que o café não certificado pode ser certificado novamente, indicando que o café pendente de classificação não é necessariamente um café novo.
Exportações brasileiras recuam no primeiro mês do ano safra 2022/23
O Cecafé divulgou na última semana que as exportações de café do país em julho totalizam 2,476 milhões de sacas. O resultado representa uma queda de 21,2% em relação ao mês anterior e retração de 14,9% frente a julho de 2021, quando foram exportadas 2,909 milhões de sacas. As principais contribuições para o fraco resultado foram vieram das 144 mil sacas embarcadas de café robusta, 64,8% a menos que as 410 mil no mesmo mês do ano passado, enquanto o café arábica embarcou 141 mil sacas a menos (-6,5%) neste ano, totalizando 2,023 milhões de sacas.
Exportações mensais de café do Brasil (milhões de sacas)
Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.
No documento divulgado, o Conselho aponta como justificativa para o fraco resultado principalmente a continuidade dos gargalos logísticos e a demanda da indústria doméstica aquecida pelo café robusta. Todavia, os atrasos verificados na colheita, aliados a um momento de maior incerteza no setor cafeeiro e crescente expectativa pelos desdobramentos da florada nos próximos meses, têm contribuído para um volume pequeno de negociações nas últimas semanas. Este mercado bastante “travado” parece estar contribuindo também para o menor volume de embarques, o que ajuda a oferecer um tom altista para as cotações no curto-prazo.
Em termos acumulados, os 7 primeiros meses de 2022 totalizam 22,4 milhões de sacas, ficando 6,1% abaixo das 23,8 milhões exportadas no mesmo período do ano passado e 5,2% menor que a média dos últimos três anos.
Queda do dólar e maior busca global por ativos de risco favorecem cotações de café
Em uma semana de maior apetite por risco nos mercados globais e reposicionamento dos agentes, o dólar recuou 1,8% no mercado brasileiro, com o par real/dólar encerrando cotado a R$ 5,074. No exterior, o dollar index registrou queda de 0,9%, terminando cotado a 105,6 pontos.
Grande parte das discussões e movimentações sobre a conjuntura global na semana foram pautadas na divulgação dos índices inflacionários abaixo do esperado nos Estados Unidos. Na quarta-feira (10), o Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS) revelou que o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) no país ficou em estabilidade no mês de julho, enquanto o mercado projetava um avanço de 0,2%. A redução ocorreu principalmente em função da queda mensal de 7,7% no preço da gasolina e de 11,0% nos valores do diesel, que compensaram aumentos na alimentação e habitação. Desta forma, o indicador acumulado em 12 meses recuou de 9,1% no mês anterior para 8,5%, ficando abaixo dos 8,7% esperados pelos agentes. Já na quinta-feira (11), o Índice de Preços ao Produtor (PPI) também revelou estabilidade, com o acumulado nos últimos 12 meses retraindo de 11,3% em junho para 9,8%, abaixo das expectativas de 10,4%.