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Semanal de Café

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Alta do dólar e aumento dos estoques pressionam os preços internacionais de café
 
Fernando Maximiliano
 
Leonardo Rossetti
Os preços de café reagiram ao aumento nos estoques nos portos americanos e ao aumento nos estoques certificados de arábica, além da alta do dólar em meio ao cenário de preocupação com uma possível recessão econômica global
Resumo

•    Cotações de café arábica registram queda de 905 pontos (4,07%) em NY na semana, encerrando cotado a US₵ 213,35/lb. 
•    Indicador Cepea de café arábica teve perda de 1,9% na semana, cotado a R$ 1.275,71/saca.
•    Preços de café robusta recuaram 1,5% em Londres, para USD 2226//ton.
•    Indicador Cepea para o robusta avançou 0,8%, fechando em R$ 737,44/sc.
•    Ruídos do campo macroeconômico voltaram a pressionar as cotações de café
•    Estoques certificados avançaram 6,8% na semana
•    Estoques de café nos portos americanos (GCA) avançaram 2,9% em julho
•    Existe a preocupação com a possibilidade de uma produção menor que o esperado em 2022
•    Clima seco no cinturão cafeeiro poderia afetar a florada do café
•    Alta do dólar contribui para pressionar cotações de do café
•    Maior aversão ao risco global tem afetado a procura por ativos de maior risco
•    Simpósio de Jackson Hole, prévias dos PMIs e IPCA-15 são destaques na semana 

   Fatores baixistas       Fatores altistas

Leia a última matéria especial de café - Os estoques certificados de café podem chegar a zero?

Na última semana, os ruídos do campo macroeconômico voltaram a pressionar as cotações de café. Como será abordado na sessão específica de câmbio, as preocupações com uma possível recessão econômica global e com a inflação, suportaram uma forte alta do dólar na semana, o que contribuiu para pressionar as cotações de café. 

Além dos fatores cambiais, a alta nos estoques de café nos portos americanos, que foi divulgado pela Green Coffee Association no dia 15, e o aumento dos estoques pendentes e, consequentemente, dos estoques certificados, atuaram de forma baixista para o café. Em Nova Iorque, as cotações terminaram a última sexta-feira (19) com o contrato mais ativo (dez/22) cotado a US₵ 213,35/lb, alta semanal de 905 pontos (4,07%). 

Em Londres, o mercado de café robusta, que recuou apenas 1,5%, teve menor queda devido à contínua queda nos estoques certificados do tipo. O contrato mais ativo (novembro) fechou a semana cotado em USD 2226/t. 

Seguindo a tendência observada no mercado internacional, as cotações de café arábica no mercado doméstico terminaram a semana em queda, porém com menor intensidade, devido à alta do dólar. O indicador CEPEA para o café arábica encerrou a sexta-feira (19) cotado a R$ 1.275,71/saca, um recuo de 1,9%. Já para o café robusta, o indicador CEPEA terminou a semana com um avanço de 0,8%, fechando cotado a R$ 737,44/saca.

Ainda no centro das atenções, os estoques certificados de café arábica inverteram sua tendência e iniciaram um processo de ascensão. Como foi abordado na matéria especial sobre os estoques, as condições atuais do mercado não justificam a certificação de novos cafés por parte das origens. Portanto, os estoques pendentes e os que estão sendo classificados são provavelmente cafés que estão sendo recertificados. 

Na última semana, os estoques certificados avançaram 6,8%, para pouco mais de 610 mil sacas. Atualmente, existem mais de 220 mil sacas pendentes para classificação e o índice de aprovação tem sido de mais de 85%. Portanto, os estoques certificados tendem a avançar nos próximos dias, à medida que esses cafés são certificados. 

INTRADAY SEMANAL (CONTRATO MAIS ATIVO) - 15/08 A 19/08

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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Além dos estoques certificados, os agentes reagiram ao aumento de 2,9% nos estoques de café cru nos portos americanos em julho, que foi reportado pela Green Coffee Association, na segunda-feira (15). De acordo com o relatório, os estoques totalizaram 6,22 milhões de sacas, volume 2,9% maior que no mês anterior e 2,5% maior que no mesmo mês em 2021. A variação mensal em julho foi maior que a variação média dos estoques nos últimos 5 anos para o mês, que foi de 2,4%. Apesar disso, estes estoques estão 6,5% abaixo da média dos últimos 5 anos para o mês, que é de 6,66 milhões de sacas. 

Estoques de café nos portos americanos - GCA (milhões de sacas)  

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Fonte: GCA. Elaboração: StoneX.

Recentemente, houve a divulgação de comentários de que a produção brasileira em 2022/23 seria menor que as expectativas do mercado. De fato, houve um atraso importante no início da safra brasileira, além de menores volumes comercializados. Parte disso pode ser justificado pela limitada disponibilidade de mão de obra em algumas regiões e pela condição de diferenciais elevados, mas parte poderia estar atrelado a uma produção menor que o esperado. A StoneX ainda não conduziu um estudo específico para avaliar estas condições, mas vale a pena ressaltar que este pode ser um fator altista para o mercado nas próximas semanas. 

Ademais, o mercado de clima deve continuar no radar dos participantes. Algumas regiões no Sul de Minas e Mogiana receberam volumes em torno de 35 mm de chuva nas últimas semanas. De acordo com relatos, o volume foi suficiente para iniciar o processo de floração em algumas lavouras, mas ainda com pequeno percentual, sendo que ainda são necessários maiores volumes para que aconteça a florada principal nessas regiões. Apesar dos volumes observados, os modelos não indicam volumes substanciais de chuvas para os próximos 15 dias. Além disso, é importante lembrar que o relatório CPC/IRI NOAA apontou para uma probabilidade acima de 80% para a manutenção do La Niña, fenômeno que esteve associado ao atraso das chuvas no Brasil nos últimos 2 anos. Portanto, existe a possibilidade da manutenção de um clima seco nas próximas semanas, o que poderia impactar a florada do café e ter um teor altista para Nova Iorque. 

Alta do dólar contribui para pressionar cotações de café

Os avanços do dólar contribuíram para pressionar os futuros de café na última semana. Em meio a um ambiente de maior pessimismo nos mercados globais, o par real/dólar registrou uma valorização de 1,9% na semana, encerrando cotado a R$ 5,169. Já o dollar index verificou intenso avanço de 2,4%, terminando a sexta-feira (19) a 108,0 pontos.

Na última semana, os investidores repercutiram durante a semana as falas de membros do Federal Reserve, reforçando o compromisso da autoridade monetária com o firme combate à aceleração inflacionária no país. As falas ampliaram a visão de que o banco central americano continuar com um aumento significativo na taxa básica de juros (no caso, 75 pontos base) em seu próximo encontro, o que elevou a atratividade dos investimentos em ativos americanos. Nesta semana, o mercado deve acompanhar o simpósio de Jackson Hole, onde lideranças de diversas autoridades monetárias debaterão as estratégias para a política monetária nos próximos meses. A Fala de Jerome Powell durante o simpósio deve ocorrer apenas no final da semana, o que tende a fazer com que os investidores mantenham maior cautela.

Os indicadores preocupantes em grandes potências europeias também afetaram negativamente o apetite por risco na semana. A Alemanha revelou que o Índice de Preços ao Produtor (PPI) do país se acelerou em 5,3% no mês de julho, levando o acumulado em 12 meses a 37,2%, maior patamar já registrado na série histórica. No Reino Unido, o Índice de Preços ao Consumidor atingiu em julho 10,1% no acumulado em 12 meses, acima das estimativas de 9,8% dos analistas e maior nível desde 1982. Desta maneira, será importante acompanhar nesta semana as prévias dos PMIs de agosto dos países, que mostrarão se os setores da indústria e de serviços continuam em nível de expansão ou estão em arrefecimento.

No Brasil, o destaque fica para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de agosto, com projeções de deflação de 0,81% em função das medidas de subsídios aprovadas no Congresso Nacional, o que pode trazer algum otimismo em relação aos estímulos para a atividade econômica do país. Adicionalmente, as entrevistas em rede nacional dos candidatos à presidência nesta semana devem movimentar o cenário político e pode contribuir para uma maior volatilidade na semana.

tabela de indicadores
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Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
 

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10 de agosto – Os mercados globais de commodities e a economia permanecem em risco em meio a duas guerras nesta manhã. As tensões continuam a escalar tanto no Oriente Médio quanto no Mar Negro – ameaçando arrastar outros países para os conflitos. As ações estão em leve queda nesta manhã à medida que iniciamos uma semana de negociações na qual veremos dados-chave de inflação e vendas no varejo após um relatório de empregos fraco na última sexta-feira. Ainda assim, as ações continuam a ser negociadas logo abaixo dos níveis recordes, com o VIX sendo negociado perto das mínimas de 2026, logo acima de 15. O dollar index está sendo negociado perto de 99,7. Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos estão sendo negociados perto de 4,68%, enquanto os rendimentos dos Treasuries de 2 anos estão perto de 4,23%. Os mercados de energia e de alimentos estão mais firmes hoje em meio aos riscos elevados. O petróleo WTI está sendo negociado perto de US$ 80, enquanto o Brent é negociado perto de US$ 85 por barril. Ganhos de dois dígitos nos mercados de trigo de inverno lideram a alta dos preços de grãos e oleaginosas.

Arlan Suderman
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7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.

Mike Castle
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6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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