Seguindo a tendência observada no mercado internacional, as cotações de café arábica no mercado doméstico terminaram a semana em forte alta, porém com menor intensidade, devido à queda do dólar. O indicador CEPEA para o café arábica encerrou a sexta-feira (19) cotado a R$ 1.351,64/saca, um avanço de 5,95%. Já para o café robusta, o indicador CEPEA terminou a semana com um avanço de 1,3%, fechando cotado a R$ 747,21/saca.
Cotações de café arábica na bolsa de Nova Iorque em 2022
Fonte: ICE. Elaboração: StoneX.
Como já foi apresentado em outras edições deste relatório, a agência americana NOAA atribui uma alta probabilidade para a manutenção do La Niña até o final do ano, o que pode impactar as chuvas no cinturão cafeeiro durante o segundo semestre, período em que ocorre a florada do café, momento crítico para o desenvolvimento da próxima safra no Brasil. O clima no país tem sido uma preocupação para os agentes, uma vez que o volume de chuva foi muito abaixo da média nos últimos 60 dias em Minas Gerais, como pode ser observado no mapa de anomalia.
Parte da reação do mercado na semana esteve ligado aos modelos de previsão de chuva, que ainda indicavam um clima seco para os próximos dias. No entanto, o relatório de previsão de precipitação da StoneX de hoje passou a indicar volumes importantes de chuvas a partir dos dias 6 e 7 de setembro, o que pode arrefecer as preocupações dos agentes e, caso ocorra, contribuir para o desenvolvimento da florada. Importante mencionar que para o sucesso da florada, é necessário um regime contínuo de chuvas e uma estiagem após as primeiras chuvas tem grande potencial de dano.
Outro fator que tem chamado a atenção dos agentes é a possibilidade de uma quebra na atual safra brasileira de café. Muitos players, incluindo cooperativas, tem indicado que a produção de café arábica nas regiões do Cerrado, Sul de Minas e Mogiana, principalmente, teriam sido aquém das expectativas. O cenário de uma produção ainda menor, que já está abaixo do potencial devido a geada e o clima seco, acentua ainda mais as preocupações com a oferta de café no atual ano-safra e age de forma altista para as cotações de café.
As oscilações dos estoques certificados também tendem a continuar como um tema sensível ao sentimento dos participantes mercado. Na bolsa de Nova Iorque, os estoques de café arábica encerraram a sexta-feira com aumento semanal de 48 mil sacas (7,9%), indo a 658 mil sacas. Chamou a atenção a forte variação nos cafés pendentes para serem classificados, que registraram uma redução de quase 96 mil sacas (-41,9%) para 132 mil. Todavia, durante o período, foram encaminhadas um total de 136,6 mil sacas para classificação para serem incorporadas aos estoques. Destas, 82,2% ou 112 mil sacas, foram aprovadas, principal justificativa dos aumentos nos estoques oficiais, enquanto 17,8% ou 24 mil tendo sido reprovadas. Considerando que 112 mil sacas foram aprovadas, mas o aumento nos estoques foi de apenas 48 mil sacas, podemos concluir que enquanto 112 mil sacas estavam sendo incluídas, grande volume foi retirado dos estoques certificados.
Classificação de cafés nos armazéns certificados de café arábica da bolsa
Fonte: ICE. Elaboração: StoneX.
Nos próximos dias, as atenções dos participantes se voltarão para os dados das exportações dos países, que serão divulgados nas próximas duas semanas. Além disso, o mercado continuará de olho no clima no Brasil e nos estoques certificados de café arábica. Ademais, os fatores macroeconômicos, incluindo a moeda brasileira e as preocupações com a economia global, podem contribuir para a volatilidade dos preços de café.
Relação de troca de fertilizantes para café recuou nas últimas semanas
Além das preocupações com o clima, a questão dos fertilizantes tem grande relevância no segundo semestre do ano, já que as adubações de café se concentram neste período do ano. Depois da eclosão da guerra russo-ucraniana, muitas dúvidas foram levantadas com relação à disponibilidade e ao preço dos fertilizantes no Brasil. A relação de troca (RT) – indicador que aponta quantas sacas de café são necessárias para a aquisição de 1 tonelada de fertilizantes – da Ureia, do Cloreto de potássio e do MAP ainda estão acima da média dos últimos 5 anos, porém próximo ou abaixo do nível observado no ano passado e em condições melhores que os níveis observados no primeiro semestre.
Relação de troca de café e fertilizantes (scs/ton)
Fonte: StoneX. Elaboração: StoneX.
Já o SAM tem RT abaixo do observado em 2021 e abaixo da média nos últimos 5 anos. Portanto, como podemos observar, os níveis de RT para a maior parte dos fertilizantes ainda estão acima da média, mas longe das máximas históricas, o que indica que, apesar do cenário não tão favorável, os níveis de adubação das lavouras deverão ser mantidos caso esta condição se mantenha.
Para uma análise mais completa, leia o relatório Semanal de Fertilizantes, disponível para assinantes no portal da Inteligência de Mercado da StoneX.
Apesar de maior aversão ao risco no mundo, real se fortalece na semana
Seguindo na contramão da maior parte das divisas globais, o dólar terminou a última sexta-feira (26) em queda no mercado cambial brasileiro, contribuindo para suportar as fortes altas observadas nas cotações de café na semana. O par real/dólar registrou queda semanal de 1,7%, encerrando cotado a R$ 5,079, menor valor nas últimas duas semanas. Já o dollar index avançou 0,6% para fechar a 108,8 pontos, voltando a renovar nos últimos pregões seus maiores patamares em cerca de 20 anos.