O mercado de divisas só apresentou um alívio das pressões altistas após as declarações do futuro vice-presidente, Geraldo Alckmin, deu declarações em tom mais moderado, classificando o atual momento do mercado como um estresse “momentâneo” e afirmou que “haverá superávit primário, redução da dívida, mas isso não se faz em 24 horas”. Alckmin ainda afirmou que o governo do presidente Lula tem compromisso com a responsabilidade fiscal, mas que Isso não pode ser argumento para não atender o social”.
Nesta semana, os agentes devem seguir reagindo às discussões e às possíveis alterações na PEC, especialmente relacionadas ao valor ou prazo para a permanência do Bolsa Família fora do teto de gastos, principal fonte de impasse no Congresso, que tem trabalhado na possibilidade de um limite de tempo para que o benefício não seja adequado ao limite constitucional de gastos.
No exterior, as discussões em torno de uma possível moderação do ritmo de elevações na taxa de juros do Federal Reserve, principalmente após o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de outubro, divulgado há 2 semanas, e o Índice de Preços ao Produtor (PPI), divulgado na semana passada, terem registrado altas menores do que as projetadas previamente por analistas.
Ao longo da semana, enquanto por um lado os agentes tentavam estender o otimismo da semana anterior, por outro lado os membros do Fed buscaram frear um pouco esse otimismo durante suas declarações públicas, enfatizando que mesmo que o Fed deva reduzir o ritmo de reajustes de aperto monetário deste ponto em diante, o nível final de juros será maior que o anteriormente antecipado.
A conquista da maioria na Câmara dos Representantes pelo partido Republicano também foi fonte de alguma cautela. Esta alteração na configuração, por um lado, deve dificultar a aprovação de projetos democratas, grandes expansões de políticas fiscais e implicar em um maior controle das contas públicas, o que tende a ser favorável ao dólar. Por outro lado, conforme comentado no Semanal de Câmbio, o temor é de que o alto grau de polarização política no país estimule um comportamento destrutivo da oposição, que ameaça se recusar a ampliar o limite de endividamento público no país e forçar uma inédita paralização do Estado americano.
Vale destacar também que os mercados globais devem acompanhando com alguma apreensão a situação da Covid-19 na China. Na última semana houve um intenso aumento do número de casos, passando de uma média diária de 3.731 casos para 16.016 casos. Devido ao histórico das políticas de covid zero do país, há a preocupação de que a China possa voltar a adotar uma postura mais rígida para controlar a disseminação do vírus, afetando negativamente a recuperação do nível de atividade no país.
A semana é de agenda mais esvaziada no exterior em função do feriado de Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos na quinta e sexta-feira. O destaque fica para os indicadores divulgados na quarta-feira (23), com as prévias dos PMIs para Estados Unidos e Europa e da ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Fed.
No Brasil, será divulgado na quinta-feira (24) o Índice de Preços ao Consumidor – 15 (IPCA-15), com a prévia da inflação de novembro no país. A expectativa é de uma alta de 0,55% em função do aumento dos preços dos combustíveis, superando os resultados dos últimos 4 meses, que oscilaram entre leves altas e retrações.
Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
