Seguindo as movimentações nos mercados internacionais, os preços de café no mercado doméstico brasileiro apresentaram importante recuperação na semana. O indicador CEPEA para o café arábica marcou um avanço de 5,6%, terminando a sexta-feira (25) cotado a R$ 984,78/saca. Já o café robusta verificou uma recuperação de 5,9%, fechando a sexta-feira (25) cotado a R$ 590,78/saca.
Na última semana, o USDA divulgou seus relatórios semianuais, que trouxe ajustes para as estimativas da agência para os principais países produtores de café em 2022/23. O USDA ajustou para baixo em 1,7 milhões de sacas (2,6%) a produção no Brasil, para 62,6 milhões de sacas. A produção da Colômbia foi estimada em 12,6 milhões de sacas, representando uma queda de 400 mil sacas (3,1%) com relação a estimativa anterior. Para o Vietnã, o USDA estima uma produção de 30,22 milhões, queda de 2,2% com relação a primeira estimativa. A produção da Indonésia foi mantida em 11,35 milhões de sacas e a produção da Índia foi ajustada para 6,24 milhões, um aumento de 8,7% com relação a estimativa anterior. Para mais detalhes, acesse aqui o relatório completo sobre as divulgações do USDA.
Atualização parcial das estimativas do USDA
Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
Nas próximas semanas, o foco das atenções do mercado se concentrará nas condições climáticas no Brasil, que tem sido favoráveis ao desenvolvimento da próxima safra, e nos outros países produtores, como Colômbia e Vietnã. Ambos os países já iniciaram a colheita, com a entrada dos novos cafés esperada para as próximas semanas. Ainda sob efeito do La Niña, o possível excesso de chuva nestes países pode ser um problema quanto ao ritmo de colheita e a qualidade dos cafés. Além disso, serão divulgados nas próximas duas semanas os dados das exportações de café dos países e as importações de café nos EUA em outubro (06/12), o que pode dar uma pista da “saúde” do consumo no país.
Ainda em dezembro, será divulgado o relatório final do USDA, que deve trazer ajustes para o balanço de oferta e demanda em 2022/23, tendo em vista as reduções nas estimativas de produção de alguns dos principais produtores. No entanto, o relatório pode também trazer ajustes para o consumo, já que existe uma perspectiva de um consumo possivelmente enfraquecido devido aos problemas macroeconômicos nos países, como inflação e possível recessão econômica.
Dólar avança com incertezas no cenário fiscal e político brasileiro
O dólar tornou a avançar na última semana no mercado cambial brasileiro, com o par real/dólar encerrando o período cotado a R$ 5,408, alta de 0,6%, com os agentes ainda repercutindo as acerca das incertezas em torno das negociações para a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição e a indefinição sobre o corpo de ministros do novo governo. No exterior, o dollar index terminou cotado a 106,0 pontos, queda de 0,8% no período.
Em uma semana marcada por um menor volume de negócios na maior parte dos mercados globais em razão da ausência do mercado americano durante o feriado de Dia de Ação de Graças, que interrompeu as atividades nas bolsas na quinta-feira (24) e em boa parte da sexta-feira (25), o dólar manteve trajetória de recuo frente à maior parte das moedas globais. Os investidores seguem repercutindo os dados inflacionários abaixo do esperado para o mês de outubro nos Estados Unidos e a sinalização do banco central americano de que deve aliviar o seu ritmo de ajustes na taxa de juros a partir de sua próxima decisão, devendo elevar em apenas 0,50 p.p. em seu próximo encontro, aumento menor que os 0,75 p.p. observados nas últimas 3 decisões.