No Brasil, o indicador Cepea para o café arábica marcou redução marginal de 0,2%, terminando o período cotado a R$ 982,38/saca. Já o café robusta verificou um significativo avanço de 6,4% durante a semana para encerrar a sexta-feira cotado a R$ 633,65, maior patamar desde meados de outubro.
As perspectivas climáticas no Brasil continuam a contribuir com o maior peso para manter as cotações de café arábica pressionadas na bolsa. As previsões de precipitações quase constantes na maior parte do setor cafeeiro até meados de dezembro devem sustentar a crença de parte do mercado por uma grande safra em 2023/24. Todavia, ainda é cedo para afirmações concretas, sendo necessário aguardar pelo processo de expansão dos frutos para averiguar se esta etapa, bem como a do pegamento dos chumbinhos após a florada, foram bem-sucedidos. Vale mencionar que o clima quente e o atraso das chuvas para a florada neste ano, provocados pelo La Niña, e relatos de produtores de que a florada não foi tão boa quanto poderia ter sido em condições normais, permanecem como ponto de atenção.
Adicionalmente, dados preliminares divulgados na quinta-feira (1) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) sugeriram resultados fortes para as exportações de café em novembro. O documento publicado aponta para uma exportação de 3,613 milhões de sacas de café no último mês, um avanço de 23,6% frente às 2,923 milhões registradas pela Secex para novembro de 2021. Agora o mercado aguarda pelos dados oficiais do Cecafé, que devem ser divulgados entre o final desta semana e início da próxima. Caso números semelhantes sejam confirmados, apresentando um crescimento frente ao ano passado e volume próximo da média dos últimos anos, a percepção de uma oferta mais confortável no mercado internacional neste ano tende a permanecer, atuando de maneira baixista para os preços.
Os participantes do mercado também aguardam pela revisão semestral das estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a temporada 2022/23, importante referência para o mercado, que pode dar sinais das perspectivas do Departamento para a safra do próximo ano. Os relatórios preliminares já divulgados pelo USDA apresentaram uma revisão das elevadas estimativas para a produção brasileira de 64,3 milhões de sacas para 62,6 milhões, assim como revisões para baixo também para a produção no Vietnã e Colômbia. Os detalhes dos números parciais podem ser acompanhados em nosso relatório especial. Desta maneira, é provável que no relatório final o USDA reduza suas estimativas de superávit para a atual safra, o que pode vir a dar algum suporte aos preços.
Na Colômbia, a produção, que já vem abaixo das médias dos anos anteriores, pode apresentar resultado ainda inferior ao esperado neste ano. De acordo com Roberto Velez, gerente da Associação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia (FNC), declarou que a produção de café do país, que havia sido projetada entre 12 e 12,2 milhões de sacas neste ano, deve ficar abaixo deste patamar. Velez ainda antecipou que a permanência das chuvas em excesso, devido aos efeitos do La Niña, não permitiu que a florada ocorresse da maneira desejada, o que tende a impactar a produção também no próximo ano. De janeiro a outubro deste ano, a produção colombiana acumula 9,043 milhões de sacas produzidas, 10,1% abaixo do registrado no mesmo período do último ano e 17,3% inferior à média dos últimos 5 anos.
Produção acumulada de café da Colômbia (milhões de sacas)
Fonte: FNC. Elaboração: StoneX.