Seguindo as movimentações do mercado em Nova York, porém em menor intensidade, os preços de café arábica no Brasil apresentaram leve recuo na semana, terminando a sexta-feira (09) com o indicador Cepea cotado em R$ 979,85, queda de apenas 0,25% se comparado com a sexta anterior. Por outro lado, devido à demanda por parte da indústria brasileira e a busca de valores melhores por parte dos produtores, que estão segurando as vendas a procura de preços melhores, o indicador Cepea para o robusta terminou a semana com alta de 6,6%, fechando em R$ 675,37/saca.
Com relação à safra 2023, as perspectivas de uma grande safra têm sido baseadas nas condições adequadas de chuva no Brasil nas últimas semanas. As principais regiões produtoras de café arábica e café robusta tiveram acumulados de até 350 mm nos últimos 60 dias, com a previsão ainda apontando para acumulados de até 200 mm do cinturão cafeeiro. Apesar da perspectiva positiva para produção brasileira, parte dos players não acreditam que a próxima safra possa superar o recorde observado em 2020. No entanto, o otimismo deve continuar pesando os preços até que novas estimativas indicando um cenário diferente sejam divulgadas.
Para o café robusta, o cenário tem sido um pouco diferente. Como comentado anteriormente, no Brasil, os preços do tipo seguem fortalecidos em meio a uma forte demanda por parte da indústria. A valorização do café robusta no mercado robusta brasileiro suporta o aumento nos diferenciais de preço e desfavorecem as exportações do tipo, o que coloca o Vietnã e a Indonésia como os principais fornecedores de robusta para o mercado internacional. Nas últimas semanas, os diferenciais de robusta voltaram a avançam e já ultrapassaram os USD 200/t na última semana, indicando que indicador Cepea para o Robusta está 200 dólares mais caro que as cotações observadas em Londres. Acesse aqui o relatório interativo com os diferenciais de preço de café no brasil.
Considerando que o Vietnã segue como principal fornecedor para o mercado internacional, vale mencionar que a produção de café no país deve ser um pouco menor nesta temporada, de acordo com o USDA, mas ainda deve superar os 30 milhões de sacas. Em 2022, o feriado TET, que é o ano novo lunar, acontecerá mais cedo que no ano passado, iniciando no dia 22/01 e parando as atividades durante 9 dias, o que reduz a janela de compra e tem suportado as movimentações observadas nas últimas semanas. A colheita por lá se iniciou em meados de novembro e deve seguir até janeiro.
Nesta semana os preços devem reagir à aos dados de exportação no Brasil por parte do Cecafé, que serão divulgados hoje (12). A perspectiva é que volumes importantes de exportação sejam reportados para o mês de novembro, o que deve indicar como está a situação logística e a disponibilidade de café neste ano safra. Além disso os preços devem reagir aos dados dos estoques nos portos americanos, que será divulgado na quinta-feira (15).
No dia 20/12 o USDA divulgará seu relatório final com o balanço de oferta e demanda global. O sentimento é de que agência fará uma correção no balanço de oferta e demanda, tendo em vista que nos últimos relatórios attaché divulgados, a agência já havia feito uma redução na sua perspectiva para a produção brasileira em 2022/23. Além disso o relatório indicou uma menor produção da Colômbia, se comparado com a estimativa anterior.
NOAA mantém previsão de La Niña até início de 2023
Agência Americana NOAA, divulgou seu relatório probabilístico para a ocorrência de El Niño/La Niña. De acordo com relatório da agência, o La Niña deve continuar até o início do próximo ano, quando o cenário deve se mudar para uma condição neutra. Vale ressaltar que o relatório indicou uma probabilidade de 49% para a ocorrência de um El Niño a partir do trimestre jul/ago/set. No Brasil, a ocorrência do El Niño pode estar associado a um clima seco, principalmente na região produtora de café robusta no Espírito Santo. Foi devido a um El Niño forte entre 2014 e 2016 que foram observadas uma forte redução na produção Brasileira de café robusta no Brasil.
Previsão probabilística de El Niño/La Niña
Fonte: IRI/CPC NOAA. Elaboração: StoneX.
Fundos seguem trajetórias distintas entre os dias 29/11 e 06/12
Em Nova Iorque, os fundos de gestão ativa refletiram o sentimento otimista das últimas semanas, alcançando uma posição vendida de quase 25 mil contratos no último dia 6 de dezembro, um aumento de mais de 2 mil contratos se comparado com a terça-feira anterior. O cenário para os fundos em Nova Iorque indica corrobora com a perspectiva de que a próxima safra seria ampla, em meio a um consumo possivelmente enfraquecido. Entre os dias 29/11 e 06/12 os preços futuros para o contrato mais ativo recuaram 540 pontos, indo de US₵ 168,9/lb para US₵ 163,5/lb. Neste mesmo período, houve um aumento de 8736 contratos no número de contratos abertos, para 263.531.
Em Londres, os fundos seguiram em trajetória oposta, reduzindo sua posição líquida vendida em mais de 7 mil contratos, para mais de 20,5 mil contatos vendidos, entre os dias 29/11 e 06/12. Durante período, os preços do contrato mais ativo avançaram USD 57/t, fechando a sessão do dia 06/12 a USD 1916 por tonelada. O número de contratos abertos teve uma queda de 1322 contratos, para 134.088.
Dólar avança em meio a preocupações fiscais no Brasil e cautela por decisão do Fed
Repercutindo as preocupações em relação aos riscos fiscais no país com a tramitação da PEC da Transição do Senado e as expectativas pelas primeiras definições do quadro ministerial do governo do presidente eleito Luís Inácio Lula da Silva, o dólar terminou em alta de 0,6% na última semana, cotado a R$ 5,246. Já no exterior, perante a uma retomada de alguma cautela às vésperas da última decisão de política monetária do Federal Reserve, o dollar index registrou avanço semanal de 0,3%, terminando cotado a 104,8 pontos.