No Brasil, com poucos indicadores a serem divulgados, a PEC segue nesta semana como principal foco da atenção dos investidores na semana. Antes de avançar na votação da proposta da Câmara, os deputados devem aguardar a definição do julgamento para suspensão do chamado “orçamento secreto” pelo Superior Tribunal Federal (STF), que deve ter sua votação finalizada nesta segunda-feira (19). O orçamento secreto se constitui em importante medida de apoio parlamentar em troca de liberação de verbas públicas. O esgotamento do prazo para a provação da PEC pode levar o governo de transição a ceder em alguns pontos a respeito da proposta, como reduzindo o seu valor ou seu prazo, o que, caso ocorra, tenderia a reduzir a avaliação de riscos fiscais por investidores e dar algum suporte à moeda brasileira.
No exterior, a semana foi movimentada pela divulgação de indicadores de inflação e pelas decisões para a taxa de juros de Estados Unidos e Europa. O Federal Reserve confirmou o que vinha sinalizando há algumas semanas e elevou a taxa de juros americana em 0,50 p.p. para o intervalo entre 4,25% e 4,50% ao ano. Apesar da redução do ritmo de ajustes, depois de quatro aumentos de 0,75 p.p., os membros do Fed mostraram que apesar dos sinais de arrefecimento da inflação, é necessário continuar a elevar a taxa de juros para conseguirem alcançar a estabilidade de preços.
Em conjunto com as decisões, a revisão das projeções trimestrais do Fed para a economia americana no próximo ano também trouxe maior preocupação com uma possível recessão prolongada em 2023. Os destaques ficam para as revisões de crescimento do PIB de 1,2% para 0,5%, na taxa de desemprego de 4,4% para 4,6%, e na inflação ao consumidor de 2,8% para 3,1%. Além disso, a maior parte dos membros mostrou que visualiza a taxa básica de juros americana no patamar entre 5,00% e 5,25% no final de 2023.
Seguindo o exemplo do Fed, outros importantes bancos centrais de economias avançadas, como o Banco da Inglaterra e o Banco Central Europeu também elevaram suas taxas básicas de juros, reforçando o esforço para controlar uma aceleração inflacionária que tem se mostrado ainda mais grave no continente europeu.
A publicação dos índices de preços ao consumidor (CPI) mostrou que mesmo com reduções ou desacelerações, a inflação pode continuar afetando negativamente a demanda global. Nos Estados Unidos, o CPI acumulado em 12 meses registrou uma queda de 7,7% em outubro para 7,1% em novembro, resultado melhor que o projetado pelo mercado, que apontava para 7,3%. Já na Europa, o acumulado em 12 meses apresentou uma leve redução de 10,6% para 10,1% em novembro, todavia, frustrou as expectativas de analistas, que esperavam uma redução para 10,0%.
A inflação do café ao consumidor ainda é fonte de preocupação com relação ao consumo da bebida. O acumulado em 12 meses nos Estados Unidos, apesar de mostrar uma leve redução para 28,3%, ainda continua em patamares significativamente elevados, além de não ainda não se visualizar uma tendência de sequências de reduções nos próximos meses como a que ocorreu no Brasil a partir de maio. A zona do euro também preocupa. O acumulado da região segue em uma sequência de avanços, tendo atingido em novembro dígitos duplos pela primeira vez e seu maior patamar desde o início da série histórica para o bloco europeu.
Inflação acumulada em 12 meses do café torrado e moído ao consumidor
Fontes: BLS, Eurostat e IBGE. Elaboração: StoneX.
Na agenda desta semana para o exterior, destaca-se a revisão do PIB dos Estados Unidos do 3º trimestre, na quinta-feira (22), bem como indicadores de confiança do consumidor no país. Também deve se observar uma redução gradual do ritmo de atividade nos mercados globais, ao passo que se aproximam os feriados de Natal e ano novo.
Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
