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Semanal de Café

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Futuros de café avançaram na semana
 
Fernando Maximiliano
 
Leonardo Rossetti
Em uma semana mais curta, devido ao feriado nos EUA e carnaval no Brasil, mercado de café avança na esteira dos ajustes para as estimativas da produção brasileira e fatores técnicos
Resumo

•    Cotações de café arábica avançaram 195 pontos (1,0%) em NY, para US₵ 187,70/lb
•    Preços futuros de café robusta avançaram USD 53/t em Londres (2,5%), para USD 2151/ton
•    No mercado doméstico, os preços de café arábica recuaram 1,4% e os de robusta avançaram 0,7%
•    Dados COT de café robusta foram atualizados, mas CFTC segue atrasado com dados de NY
•    Período de estiagem atinge parte do cinturão cafeeiro no Brasil
•    Possibilidade da ocorrência de El Niño pode impactar a produção de robusta no Brasil
•    Dólar avança em semana mais curta marcada por feriados
•    No Brasil, discussões sobre reoneração de combustíveis e PIB de 2022 devem estar no foco dos investidores
•    Divulgação de PMIs no exterior devem impactar cotações globais de moedas e commodities

   Fatores baixistas       Fatores altistas

Na última semana, os preços futuros de café arábica tiveram um avanço de 195 pontos (1%), fechando a sexta-feira (24) cotado em US₵ 187,70/lb. Neste mesmo período, os futuros de café robusta tiveram um avanço de USD 53/ton (2,5%), para USD 2.151/ton. A última semana teve suas atividades reduzidas, devido feriado do “Presidents' Day” nos EUA na segunda-feira (20) e ao feriado do carnaval no Brasil. Os preços futuros de café avançaram na esteira das projeções para a produção brasileira em 2023, cujas primeiras estimativas tem apontado para uma produção menor que o mercado havia antecipado. Ademais, os preços futuros de café também estiveram sob influência dos agentes especulativos em movimentos de cobertura de posições vendidas e correções técnicas.  

Intraday semanal (contrato mais ativo) - 20/02 a 24/02

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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

No Brasil, os preços de café arábica chegaram a avançar na quarta-feira (22), mas recuaram e terminaram a semana em queda. O indicador CEPEA para o café arábica terminou a semana com perdas de 1,4% cotado em R$ 1141,39/saca. Para o café robusta, apesar do recuo no final da semana, os preços terminaram a semana com ganhos de 0,7%, com o indicador CEPEA fechando a sexta-feira (24) cotado em R$ 698,93/saca. 

Do ponto de vista dos fundamentos, os agentes estarão de olho nos dados de exportações dos países, que deverão ser divulgados nas próximas duas semanas, com grande destaque para as exportações brasileiras, que apresentaram forte recuo em janeiro. Como foi comentado em outra edição deste relatório, apesar das incertezas, os indicadores da demanda começam a tomar protagonismo. No dia 08/03 o USDA divulgará seu relatório com os dados de importações de café nos EUA em janeiro.  

Atualização relatório CFTC/COT: Conforme nota do próprio CFTC, a divulgação do relatório com a posição dos agentes foi postergada devido a um incidente cibernético. Na última semana, os dados referentes as movimentações dos agentes para o mercado de café robusta foram divulgados e estão em dia, já os dados para o mercado de café arábica na ICE em Nova Iorque ainda estão atrasados, com os últimos dados disponíveis para o dia 31/01. Acesse os dados mais recentes no relatório interativos de café CFTC/COT

Período de estiagem atinge parte do cinturão cafeeiro no Brasil

Apesar do clima favorável em grande parte do cinturão cafeeiro no Brasil, com volumes acima da média história nas regiões produtoras de café no sul do Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rondônia, a região norte do estado do Espírito Santo e extremo Sul da Bahia tem enfrentado um período de redução do acumulado de chuva. Como pode ser observado no mapa de anomalia, o acumulado de chuva nos últimos 30 dias está dentro ou levemente abaixo da média dos últimos 30 anos para a região. Já a previsão para as próximas duas semanas aponta para acumulados de até 50 mm nessas regiões, com o retorno das chuvas na segunda semana. 

Apesar do acumulado levemente abaixo da média em parte destas duas regiões, vale a pena mencionar que ambas contam com o uso amplo de sistemas de irrigação, com mais de 90% das áreas produtivas no Espírito Santo, por exemplo, contando com sistemas de irrigação. Portanto, um indicador importante neste contexto é o volume de água nos reservatórios, que até o momento, seguem sem grandes problemas. Desta forma, é necessário um longo período de estiagem para os reservatórios de água se esgote.

Anomalia de chuva nos últimos 30 dias no Brasil (%)

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Fonte: StoneX, com dados de NOAA/NCEP/EMC (GFS: Global Forecast System), 2023.
Um ponto chave no longo prazo é o possível impacto do El Niño na região – o último relatório probabilístico de El Niño/La Niña do NOAA indicou uma probabilidade em torno de 60% no segundo semestre do ano. Entre 2014 e 2016, longo período de seca, associado a um El Niño forte, provocou a redução nos reservatórios de água do Espírito Santo e Bahia a um nível alarmante, o que inviabilizou a irrigação das lavouras e afetou diretamente a produção do tipo robusta. De acordo com estimativas do USDA, a produção brasileira de café robusta teve queda de 38% entre 2014/15 e 2016/17, indo de 17 para 10,5 milhões de sacas. 
Previsão probabilística de El Niño/La Niña
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Fonte: IRI/CPC NOAA. Elaboração: StoneX.
Vale a pena mencionar que, mesmo em um cenário de El Niño forte e um longo período de estiagem, o nível do impacto poderia ser diferente no observado em 2014-2016, tendo em vista que houve avanços significativos no sistema produtivos no Espírito Santo e Sul da Bahia. Principalmente a partir da implantação de novos sistemas de irrigação e substituição dos sistemas antigos por outros mais eficientes. Além disso, depois do episódio narrado, houve a implantação de novos reservatórios de água e barragens, até mesmo com o apoio do governo local, o que aumentou substancialmente a capacidade de armazenamento de água na região.
Dólar avança em semana mais curta. Divulgação de PMIs no mundo e discussões sobre reoneração de combustíveis no Brasil deve afetar mercado cambial nos próximos dias 

Em uma semana mais curta em função dos feriados nos Estados Unidos e no Brasil, o dólar ganhou força no mercado cambial brasileiro, influenciada pelo maior sentimento de que o Federal Reserve terá de manter um rígido aperto monetário, ao passo que os indicadores recentes vêm mostrando uma economia ainda aquecida e um risco de nova aceleração da inflação. Depois retornar em leve queda na quarta (22) e quinta-feira (23), O par real/dólar avançou na sexta-feira para encerrar o período cotado a R$ 5,199, valorização de 0,7% na semana. Já o dollar index verificou significativo aumento de 1,3% para terminar a 105,1 pontos, maior patamar desde dezembro de 2022.

Desde o final da última semana, os investidores têm repercutido as discussões a respeito da reoneração de impostos federais sobre a gasolina e o etanol hidratado. No último ano, o governo promoveu, através de uma Medida Provisória, uma isenção dos impostos sobre os combustíveis, que irá se encerrar nesta terça-feira (28). A disputa fica entre as alas internas do governo federal, em que o Ministério da Fazenda defende a retomada dos impostos, enquanto outras autoridades defendem sua prorrogação até abril. Por um lado, o retorno imediato dos impostos garantiria, segundo os cálculos da fazenda, uma arrecadação de R$ 28,9 bilhões ao mês, o que tenderia a contribuir para a sustentabilidade fiscal das contas públicas. De outro lado, há o temor de que uma retomada brusca destes impostos poderia desencadear uma aceleração forte da inflação através de um efeito em cascata. O tema deve ser fonte de volatilidade no mercado cambial brasileiro nesta semana.

Nesta semana, o destaque para a agenda de indicadores fica para os PMIs da Indústria e de Serviços para Estados Unidos, Europa e China. Os dados irão revelar como tem sido o ritmo de expansão da atividade nas principais economias do mundo e devem contribuir na leitura dos agentes a respeito das perspectivas para a demanda. Já os resultados para os Estados Unidos, agregará nas expectativas sobre os próximos passos da política monetária do Federal Reserve, com potencial baixista para commodities em caso de números acima do esperado. Atualmente, 75,3% dos agentes apostam em uma elevação de 0,25 p.p. na próxima reunião do Fed em 22 de março, enquanto 27% acreditam em um aumento de 0,50 p.p., visão que vem ganhando mais força ao longo do mês, e atua de forma altista para a moeda americana.

Na agenda de indicadores no Brasil, o destaque fica para a divulgação na quinta-feira (2) pelo IBGE do Produto Interno Bruto (PIB) do 4º trimestre de 2022 e consolidado do ano, que deve ser repercutida pelo mercado.

tabela de indicadores
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Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
 

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