• Café arábica avançou 0,8% na semana, para US₵ 170,55/lb
• Cotações de café robusta avançaram 2,1% na semana
• Cepea registra alta de 3% para o café arábica e de 1,7% para o robusta
• Clima e estoques certificados dão suporte aos preços de café
• Otimismo dos agentes com a safra 2024 tem viés baixista para as cotações
• Sucden Financial vê excedente de café arábica e déficit de robusta em 24/25
• El Niño tem probabilidade acima de 60% de seguir até abril, maio e junho
• IBGE atualiza estimativa de estoques no Brasil no 1º semestre de 2023
• Dólar marca leve avanço na semana
• Discussões sobre a LDO no Brasil e divulgação do CPI nos EUA podem influenciar cenário macro e commodities
Na última semana, os preços futuros de café arábica e de café robusta terminaram a semanal em alta. Do ponto de vista dos fundamentos, o baixo nível nos estoques certificados de café e os impactos do El Niño, que tem gerado um clima seco na Ásia e uma nova onda de calor no Brasil, tem atuado de forma positiva para os preços. No entanto, as perspectivas dos agentes com uma ampla safra na próxima temporada em meio a uma demanda enfraquecida têm um viés baixista para as cotações.
Em Nova Iorque, o contrato mais ativo, de março, apresentou ganhos de 140 pontos (0,8%), fechando a sexta-feira (10) cotado em US₵ 170,55/lb. Em Londres, as cotações de café robusta para o contrato de janeiro apresentaram ganhos de USD 49/ton (2,1%), fechando o período cotado em USD 2421/ton. Durante o período, o Dollar Index apresentou ganhos de 0,7%, enquanto o par USDBRL teve leve avanço, para USDBRL 4,91.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 06/11 a 10/11

No mercado doméstico brasileiro, os preços seguiram as movimentações internacionais e terminaram o período em alta. Considerando o balanço da semana, o indicador Cepea para o café arábica apresentou um avanço de 3%, fechando a sexta cotado em R$ 888,46/sc. Para o café robusta, o indicador apresentou um avanço de 1,7%, para R$ 652,06/sc.
Durante as apresentações em eventos que aconteceram nas últimas semanas, vários agentes apresentaram suas perspectivas para a produção de café brasileira em 2024/25, com várias visões otimistas com a oferta sendo apresentadas. Como foi comentado no último semanal, durante um evento na Colômbia, a Olam projetou a produção brasileira em 2024/25 em 76,5 milhões de sacas, o que resultaria em um balanço global com um excedente de 13,5 milhões de sacas. Para a Sucafina, a produção brasileira deve atingir 72,6 milhões de sacas em 24/25. Na última semana, durante o Sintercafe, na Costa Rica, a Sucden Financial avaliou que o Brasil poderia produzir 50 milhões de sacas de café arábica na próxima temporada, o que resultaria em um excedente para o tipo. Por outro lado, o mercado de café robusta enfrentaria um cenário de déficit, refletindo a maior demanda para o tipo no mundo.
As preocupações com o clima no Brasil têm atuado de forma altista para as cotações. Nesta semana, o clima segue como foco, com o avanço de uma onda de calor em grande parte do cinturão cafeeiro no Brasil. As temperaturas elevadas e o clima seco são reflexo dos impactos do El Niño no clima. A última atualização da agência americana NOAA indicou que existe a probabilidade acima de 60% do fenômeno se estender até os meses de abril, maio e junho. De acordo com a última atualização, o fenômeno será de intensidade forte durante períodos críticos do ciclo produtivo, entre os meses de novembro e fevereiro, quando as lavouras brasileiras deverão passar pelas etapas de chumbinho, expansão e enchimento dos frutos.
Probabilidade de El Niño/La Niña (%)

Na semana passada, o IBGE atualizou sua pesquisa de armazenagem agrícola no Brasil. De acordo com o relatório, o café representou o quinto maior estoque entre os produtos monitorados, totalizando 847 mil toneladas ou 14,1 milhões de sacas de produto armazenado no 1º semestre de 2023, uma queda de 0,3% em relação ao semestre imediatamente anterior, mas 10,1% em relação ao 1º semestre de 2022. Para o café arábica, o IBGE estima 9,8 milhões de sacas armazenadas, queda de 13% frente o semestre anterior e aumento de 9,4% frente o 1º semestre do ano passado. Já para o café conilon, o IBGE computou 4,3 milhões de sacas, alta de 32% frente ao semestre anterior e de 11,5% frente ao período equivalente de 2022. O volume maior geral do café no comparativo com o 1º semestre da safra anterior reflete o desempenho mais fraco das exportações em 2023, que registrou retração de 18,9% no comparativo com o mesmo período do ano anterior, propiciando uma maior acumulação de estoques.
Já olhando para o cenário macroeconômico, o dólar terminou a semana em leve avanço de 0,3% no mercado cambial brasileiro para fechar cotado a R$ 4,914. O câmbio recebeu importante influência principalmente pelo aumento de 0,24% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em outubro, levemente abaixo das estimativas dos agentes. Dessa forma, a perspectiva é de que o Banco Central (BC) mantenha o ritmo de cortes de 0,50 pontos percentuais na taxa básica de juros do Brasil, reduzindo o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos e reduzindo a atratividade dos investimentos em renda fixa no país. Ademais, as preocupações com o cenário fiscal brasileiro, com possíveis alterações na proposta para a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2024, que ficarão no radar nos próximos dias, e o tom rígido no exterior do presidente do Fed, demonstrando desconfiança sobre se o atual patamar de juros nos EUA é o suficiente para controlar a inflação americana, deram suporte ao dólar.
Na agenda de indicadores desta semana, destaca-se a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de outubro dos Estados Unidos, na terça-feira (14). A mediana das projeções para são de uma alta mensal de 0,1% para o índice geral, com o acumulado indo de 3,7% para 3,3%, e com o núcleo do CPI avançando 0,3%, com o acumulado se mantendo em 4.1%. Caso se confirme, o indicador tende a reforçar a percepção de “pouso suave” na economia americana, com a inflação sendo controlada aos poucos e com um crescimento estável, o que tende a reduzir os temores por novas altas nas taxas de juros do país e favorecer ativos de risco, como moedas de países emergentes e commodities. Já um resultado acima do esperado tende a fortalecer o dólar e pode pressionar o complexo de commodities, influenciando negativamente os preços do café.






