• Nova York registra alta semanal de 5,4%, para US¢ 372,60/lb
• Londres avança 4,5%, para USD 5.277/ton
• Dólar Index recua 0,4% na semana, e o par USDBRL cai 1%
• Arábica e robusta avançam 4,0% e 6,4%, respectivamente, no Brasil
• Relatório COT indica que fundos liquidaram contratos até 15/04
• StoneX voltará a divulgar, semanalmente, o relatório com o ritmo de colheita
Após encerrar a semana anterior em queda, os preços futuros do café voltaram a avançar na última semana. Embora não tenha havido mudanças do ponto de vista dos fundamentos, o mercado foi impactado principalmente por fatores macroeconômicos e técnicos.
Os preços estiveram bastante pressionados após o anúncio do governo dos Estados Unidos sobre a aplicação de tarifas às importações provenientes de diversos países. Essa decisão gerou um movimento de aversão ao risco, que atuou de forma baixista para as commodities em geral, incluindo o café. Na última semana, os preços se recuperaram das perdas anteriores, impulsionados também por fatores técnicos. A proximidade do primeiro dia de aviso para o vencimento de maio, que ocorre nesta terça-feira (22), também influenciou as movimentações de preço. Além disso, observou-se uma redução na atividade dos agentes em razão da aproximação do feriado da sexta-feira, 18 de abril.
Em Nova Iorque, o contrato mais ativo, com vencimento em julho, encerrou a quinta-feira (17), cotado a UC¢ 372,60/lb, representando um avanço de 5,4% em relação ao fechamento da sexta-feira anterior. Em Londres, o contrato para julho teve alta de 4,5%, encerrando a USD 5.277/tonelada. No mesmo período, o índice do dólar (DXY) registrou queda de 0,4%, para 99,17 pontos, enquanto a moeda brasileira se valorizou frente ao dólar, com o par USDBRL recuando 1,0% na semana, fechando a 5,81.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 14/04 a 17/04

No mercado doméstico brasileiro, os preços do café também subiram. O indicador Cepea para o café arábica fechou a quinta-feira (17) cotado em pouco mais de R$ 2.520 por saca, com alta semanal de 4%. Já o indicador para o café robusta atingiu mais de R$ 1.712 por saca, um avanço de 6,4% na semana.
Do ponto de vista dos fundamentos, o cenário permanece praticamente inalterado. Os agentes concentram suas atenções no início da safra brasileira e no quadro de oferta limitada de café, o que tem sustentado os preços. No entanto, conforme destacado no relatório Perspectivas da StoneX, o avanço da colheita no Brasil tende a aliviar as preocupações com a oferta, ao menos no curto e médio prazo. Além disso, o clima seguirá no radar do mercado. Um clima favorável será essencial para o crescimento e desenvolvimento das lavouras, que já influenciarão o potencial produtivo de 2026. A aproximação do inverno brasileiro também poderá se tornar um fator relevante: a chegada de massas de ar polar ou previsões indicando risco de geadas nas regiões produtoras poderá exercer influência altista sobre as cotações.
Como mencionado, os preços do café foram fortemente impactados pelo contexto macroeconômico, especialmente pela maior aversão ao risco gerada pelas medidas tarifárias anunciadas pelo governo norte-americano, no contexto da guerra comercial com a China. Segundo o relatório COT divulgado pela ICE em Londres, entre os dias 8 e 15 de abril os fundos liquidaram quase 5.600 contratos comprados no terminal londrino para café robusta. Em Nova Iorque, no mesmo período, os fundos reduziram pouco mais de 1.200 contratos, mantendo uma posição líquida comprada de 24,3 mil contratos no mercado de café arábica. Apesar disso, ambos os mercados registraram avanços no período, refletindo o cenário de oferta restrita no mercado físico.
Posição líquida dos fundos em Nova Iorque (esquerda) e em Londres (direita) versus os preços futuros

Fontes: CFTC e ICE. Elaboração: StoneX.

Para as próximas semanas, as incertezas no cenário macroeconômico global seguirão como foco dos agentes, podendo continuar a gerar volatilidade nos preços do café. Além disso, o avanço da colheita brasileira tende a trazer algum alívio na oferta no curto e médio prazo, e os agentes acompanharão de perto o seu desenvolvimento. A colheita segue em andamento e, nas próximas semanas, a StoneX voltará a divulgar seu relatório de acompanhamento do ritmo de colheita de café no Brasil, com atualizações semanais até o encerramento da safra 2025/26.
TABELA DE INDICADORES




