• Preços do arábica sobem 0,6% em NY; robusta cai 1,2% em Londres
• Oferta limitada e estoques baixos sustentam os preços do café
• Colheita do robusta avança rápido; arábica tem ritmo mais lento
• Exportações brasileiras de café cru caem 29,1% em abril
• USDA projeta crescimento da produção em Honduras e Uganda
• Mercado monitora consumo global e clima no Brasil
Os preços futuros do café arábica e do café robusta encerraram a última semana com desempenhos distintos. Em Nova York, o contrato mais ativo registrou alta de 0,6%, encerrando cotado a US¢ 387,75/lb. Já em Londres, o contrato mais negociado, com vencimento em julho, fechou a semana a USD 5.226 por tonelada, uma queda de 1,2% em relação à semana anterior.
Do ponto de vista fundamental, a oferta restrita e os estoques apertados seguem como fatores de sustentação para os preços no mercado internacional. Além disso, os participantes do mercado continuam atentos ao avanço da colheita no Brasil. Apesar da safra ser menor – o que tende a sustentar os preços –, o aumento da produção do café robusta e progresso na colheita traz algum alívio no curto prazo. O mercado também monitora de perto os impactos da alta dos preços sobre o consumo global e as condições climáticas no Brasil.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 05/05 a 09/05

No mercado físico brasileiro, o indicador do Cepea para o café arábica registrou queda de 1,4%, encerrando a semana pouco acima de R$ 2.553 por saca. Para o café robusta, o recuo foi mais discreto, de apenas 0,1%, com o indicador fechando a semana próximo de R$ 1.667 por saca.
Outro fator relevante para o mercado de café está relacionado ao cenário macroeconômico e cambial. Desde o anúncio do governo dos Estados Unidos sobre a imposição de tarifas a produtos importados de diversos países, o mercado registrou um movimento de aversão ao risco, o que pressionou negativamente as cotações do café. Posteriormente, com a redução das tensões comerciais, os investidores voltaram a buscar ativos de maior risco, favorecendo uma recuperação dos preços.
No câmbio, a chamada guerra tarifária entre Estados Unidos e China contribuiu para a desvalorização do dólar frente a outras moedas, o que também impactou positivamente as cotações do café em Nova York. Mais recentemente, o anúncio de um acordo entre os dois países, que inclui a redução de tarifas e uma trégua de 90 dias nas disputas comerciais, trouxe suporte ao dólar, revertendo parte da desvalorização.
Essas oscilações do câmbio seguem como um dos principais fatores de influência sobre os preços futuros do café, especialmente considerando que o dólar possui uma correlação inversa com as cotações em Nova York: um dólar mais forte tende a pressionar os preços para baixo, enquanto um dólar mais fraco tende a favorecer as cotações.
No Brasil, o mercado acompanha a divulgação dos dados oficiais de exportação pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Dados preliminares da Secex apontaram uma queda de 32% nas exportações brasileiras de café cru em abril, totalizando cerca de 2,9 milhões de sacas. Já os números divulgados hoje pelo Cecafé indicam uma retração de 29,1%, com embarques totalizando 2,78 milhões de sacas.
Além da menor disponibilidade de café no mercado interno, o Brasil também tem enfrentado desafios logísticos que prejudicaram o desempenho das exportações. Segundo o Cecafé, mais de 600 mil sacas deixaram de ser embarcadas em março, gerando prejuízos estimados em quase 9 milhões de reais.
Os dados detalhados mostram uma queda de 17,4% nas exportações de café arábica, que totalizaram 2,68 milhões de sacas, e um recuo de 84,9% no robusta, com 103,6 mil sacas exportadas, refletindo o cenário de oferta limitada e o período de entressafra. Já as exportações de café industrializado caíram 10,8% no mesmo comparativo, para 308,5 mil sacas. Por outro lado, a receita das exportações apresentou crescimento de 59,9% para 7,75 bilhões de reais, impulsionada pela valorização dos preços em relação ao mesmo período do ano anterior.
Exportações brasileiras de café cru (milhões de sacas)

Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.
Ainda na última semana, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou novas atualizações em seus relatórios de adidos agrícolas, desta vez com foco em Honduras e Uganda.
Para a temporada 2025/26, o USDA estima que Honduras deverá produzir 5,8 milhões de sacas de café, o que representa um aumento de mais de 5% em relação à temporada anterior. As exportações hondurenhas também devem crescer, com avanço projetado de 2,6%, totalizando mais de 5,5 milhões de sacas.
Em relação a Uganda, o USDA projeta um crescimento de 2,6% na produção, alcançando quase 6,9 milhões de sacas. As exportações do país acompanham esse ritmo de alta, com expectativa de avanço de 2,6%, chegando a mais de 6,5 milhões de sacas.
Com relação a colheita no Brasil, devido à boa uniformidade e ao bom desenvolvimento dos frutos, tanto nas lavouras de café arábica quanto nas de conilon, a expectativa inicial era de uma colheita mais precoce, o que de fato se confirmou. No entanto, segundo levantamento realizado pela StoneX, o ritmo de avanço da colheita tem sido diferente entre as duas variedades.
Enquanto as áreas de conilon apresentam um ritmo mais acelerado, nas regiões produtoras de arábica o avanço tem sido mais lento. As chuvas registradas em abril e no início de maio impactaram o andamento das atividades, especialmente nas regiões de montanha. Além disso, ainda é observado um percentual elevado de grãos verdes nas variedades mais tardias, com destaque para o Sul de Minas, onde a colheita segue em ritmo mais contido.
Ritmo de colheita no Brasil

Fonte: StoneX.

TABELA DE INDICADORES




