• Arábica cai 14,5% em maio e o robusta recua 16% no mês
• Inflação do café supera 80% no Brasil
• Brasil colheu 23,6% da safra até 02/06
• Robusta com colheita mais adiantada que arábica
• Oferta alivia mercado após meses de escassez
• Fundos liquidam posições em NY e Londres
• Fundos cortam 69% da posição em Londres
• Consumo pode cair com inflação ao consumidor
Refletindo o avanço da colheita de café no Brasil, os preços futuros de arábica e robusta registraram uma queda expressiva na última semana. Como já havia sido comentado em edições anteriores deste relatório, a colheita chega em um momento importante, trazendo alívio para um mercado que enfrentou oferta bastante restrita, principalmente nos quatro primeiros meses do ano. Apesar dos atrasos causados pelas chuvas, o ritmo da colheita acelerou nas últimas semanas.
Na última semana, o contrato mais ativo em Nova York, com vencimento em julho, recuou 1.855 pontos (-5,1%), encerrando a sexta-feira cotado a US¢ 342,45/libra-peso. No acumulado de maio, os preços em Nova York caíram 14,5%. Já em Londres, o contrato mais ativo de robusta (vencimento em julho) caiu US$ 228 por tonelada (-4,8%), fechando a US$ 4.510/ton. No mês, a queda acumulada foi de 16%.
Ainda na última semana, o dólar comercial teve alta de 1,3%, fechando a USDBRL 5,72, enquanto o índice do dólar (DXY) subiu 0,4%, atingindo 99,35 pontos.
Preços futuros de café arábica (US¢/lb) café robusta (USD/ton)

No mercado interno brasileiro, o avanço da colheita também pressionou as cotações. O indicador Cepea para o café arábica encerrou a semana com queda de 3,42%, cotado a aproximadamente R$ 2.336 por saca, acumulando recuo de 10,7% no mês. Para o robusta, o indicador caiu 6,12% na semana, fechando a R$ 1.394 por saca — queda acumulada de 18,1% em maio.
A retração dos preços reflete, além do avanço da colheita, um cenário de consumo potencialmente enfraquecido, em meio à inflação elevada ao consumidor e à expectativa de maior produção em países-chave. O relatório do USDA aponta para um aumento de 7% na produção do Vietnã na próxima temporada, além de crescimento acima de 5% na Indonésia. Os dados parciais do USDA indicam alta de 1,9% na produção mundial entre os países analisados até agora.
Apesar dos atrasos iniciais causados pela chuva, a colheita no Brasil ganhou ritmo. Segundo levantamento da StoneX, até 2 de junho o Brasil havia colhido 23,6% da safra nacional — sendo 31,4% da colheita de robusta e 18,4% da de arábica. Com base na estimativa de safra da StoneX para 2025/26, de 64,5 milhões de sacas, o país já teria colhido cerca de 15,22 milhões de sacas. A entrada desse volume no mercado tem amenizado as preocupações com a oferta limitada.
Ritmo de colheita do café no Brasil

Fonte: StoneX.
Outro ponto de atenção é o consumo. Dados atualizados até abril mostram que a inflação acumulada em 12 meses do café ao consumidor superou 80% no Brasil. Nos EUA, a alta foi de 24,3%, e na Europa, de 15,3%. Esse aumento acentuado dos preços pode impactar negativamente o consumo global.
Inflação sobre os preços de café torrado e moído ao consumidor

Fonte: IBGE, BLS e Eurostat. Elaboração: StoneX.
Diante desse cenário, os fundos especulativos reduziram significativamente suas posições. Apenas entre 20 e 27 de maio, os fundos em Nova York liquidaram 9% de suas posições líquidas compradas, com os preços caindo mais de 2% no mesmo período. Entre 29 de abril e 27 de maio, a liquidação foi de 20,4%, com recuo de 9,5% nos preços. Em Londres, a redução foi ainda mais agressiva: -39,2% na semana e -69% no mês, enquanto os preços caíram 4,2% e 11,4%, respectivamente. Esse movimento reflete tanto a maior oferta esperada no Brasil quanto a recuperação da safra no Vietnã e Indonésia.
Posição líquida dos fundos em Nova Iorque (esquerda) e em Londres (direita) versus os preços futuros

Fontes: CFTC e ICE. Elaboração: StoneX.
Nas próximas semanas, o mercado seguirá atento ao avanço da colheita brasileira, que deve continuar pressionando os preços. Além disso, o clima seguirá como fator chave: embora a recente passagem de uma massa polar não tenha causado danos, novos eventos podem aumentar a volatilidade. Também será importante acompanhar os dados de exportação dos países produtores — com destaque para o Brasil, que, após meses de embarques fracos devido à baixa disponibilidade, pode ver suas exportações se recuperarem com o avanço da colheita.
TABELA DE INDICADORES



