• Nova Iorque: arábica sobe 4,6%, Londres: robusta cai 2,8%
• Queda do dólar deu suporte aos preços futuros do café arábica
• Colheita brasileira avança, pressionando preços no curto e médio prazo
• Clima segue no radar com risco de geadas no inverno
• Mercado interno registra queda nos preços com avanço da colheita
• Exportações recordes em 2024 limitaram oferta no início do ano
• Colheita de 2025 já atinge 31,8% da safra total
• Espírito Santo lidera colheita de robusta; Cerrado Mineiro está atrasado
Sem grandes mudanças do ponto de vista dos fundamentos, os preços futuros de café encerraram a última semana com resultados mistos. Os preços futuros de Café Arábica avançaram em meio ao cenário de oferta reduzida para o tipo e à maior compra por parte da indústria. Outro fator que contribuiu para a valorização em Nova Iorque foi a forte queda de 2,9% do dólar, que fechou a sexta-feira cotado a USDBRL 5,56. Por outro lado, os preços recuaram em Londres, refletindo o avanço da colheita do café robusta no Brasil e perspectiva de recuperação da produção no Vietnã.
Neste momento, o mercado segue atento ao avanço da colheita no Brasil. Apesar da menor produção de arábica, o avanço expressivo da produção de robusta tem trazido alívio para a oferta no curto e médio prazo, o que tem atuado de forma baixista sobre as cotações. Além disso, o mercado segue de olho na questão climática, principalmente com a possibilidade da chegada de alguma massa polar e do possível risco de geada ao longo do inverno.
Em Nova Iorque, o contrato mais ativo com vencimento em setembro teve um avanço de 1.565 pontos, representando uma alta de 4,6%, fechando a sexta-feira, dia 6, cotado em US¢ 355,45 por libra-peso. Já os preços em Londres tiveram um recuo de USD 124 por tonelada, uma queda de 2,8%, para 4.339 dólares por tonelada.
Preços futuros de café arábica (US¢/lb) café robusta (USD/ton)

No mercado doméstico brasileiro, os preços seguiram recuando à medida que a colheita avança no país. O indicador Cepea para café arábica registrou queda de 0,8%, para pouco mais de R$ 2.316 por saca. Já o indicador para o café robusta teve um recuo de 2,2%, para pouco mais de R$ 1.366 por saca.
No primeiro trimestre de 2025, os preços tiveram uma forte sustentação no mercado brasileiro devido à oferta limitada de café e à demanda por parte da indústria. Desde 2021, a indústria tem operado sob o modelo de gestão Just-in-Time, caracterizado pela atuação com estoques reduzidos ou inexistentes.
No primeiro trimestre do ano, a indústria se viu diante da necessidade de adquirir café, já que tem operado com essa lógica de gestão Just-in-Time, mas a disponibilidade de café foi muito limitada, principalmente devido à produção que não foi tão expressiva e aos fortes volumes exportados em 2024, que chegaram a ultrapassar 50 milhões de sacas.
Já no segundo trimestre, com o início e o avanço da colheita, a chegada do café tem trazido alívio para esse balanço de oferta e demanda no curto prazo e contribuído para pressionar as cotações de café arábica e robusta no mercado doméstico brasileiro.
A colheita teve início de forma antecipada se comparado ao ano de 2024, porém as chuvas expressivas ao longo do mês de abril atrasaram o ritmo da colheita no país. No entanto, ao longo do mês de maio e no início de junho, o ritmo da colheita acelerou e deve alcançar o ritmo observado no ano passado nas próximas semanas. Os dados da StoneX mostram que o Brasil, até o dia 9 de junho, havia colhido 31,8% da sua safra, o que representa um total de 20,5 milhões de sacas, considerando as estimativas oficiais da StoneX de 64,5 milhões de sacas.
A colheita de café arábica alcançou 26% até o dia 9, totalizando 10 milhões de sacas. Já a colheita do café robusta ultrapassou 40%, o que representa 10,5 milhões de sacas. O avanço expressivo na colheita do robusta é um dos principais fatores que têm colocado pressão sobre os preços. Lembrando que a produção de robusta em 2025 deve bater um novo recorde e alcançar 25,8 milhões de sacas, de acordo com os dados da StoneX.
Das regiões produtoras, podemos destacar, na produção de robusta, o Espírito Santo, que tem 41% da sua safra colhida; a Bahia, com 40%; enquanto Rondônia está um pouco mais atrasado, com 38%. Já nas regiões de arábica, o destaque vai para as Matas de Minas, com 34% da safra colhida, e para o Espírito Santo (arábica), com 29%. Na sequência, temos o Sul de Minas e a Bahia, com 26% da safra colhida. A região mais atrasada é o Cerrado Mineiro, com 17%.
Ritmo de colheita do café no Brasil

Fonte: StoneX.
Na próxima semana, os preços serão impactados por um conjunto de fatores técnicos e de fundamentos. O mercado continuará acompanhando de perto o avanço da colheita no Brasil, e o aumento da disponibilidade de café tende a continuar pressionando as cotações. Por outro lado, o mercado estará atento às previsões climáticas e à possibilidade da chegada de massas polares ou riscos de geada que possam atingir as regiões produtoras — o que poderia gerar uma reação altista.
Além disso, o mercado será impactado por questões técnicas como o Index Funds Roll, que marca o período de rolagem das posições dos fundos, e também pelo vencimento de opções do Arábica. O mercado também acompanhará de perto a divulgação dos dados de exportação de café dos países, especialmente do Brasil. De acordo com o Cecafé, o relatório das exportações referente ao mês de maio será publicado na tarde da terça-feira, dia 10.
TABELA DE INDICADORES




