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Semanal de Café

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Preços do café sobem com força diante da previsão de frio no Brasil
 
Fernando Maximiliano
Após fortes quedas na última semana, impulsionadas pelo avanço da colheita e fatores técnicos, cotações reagem nesta segunda-feira com alta expressiva nos mercados internacionais

•    Preços do café caíram fortemente devido ao avanço da colheita brasileira
•    Mercado futuro foi pressionado por fatores técnicos e ajuste de posições
•    Cotações reagiram nesta segunda com alta após previsões de frio intenso
•    Dólar teve leve queda, influenciando as cotações no mercado doméstico
•    Colheita no Brasil atingiu 45,7% da safra até 23 de junho
•    Modelos climáticos divergem sobre intensidade e abrangência do frio
•    Conflito entre Israel e Irã pode impactar a macroeconomia global
•    Mercado acompanha clima, geopolítica e exportações 

 

Os preços do café registraram fortes quedas na última semana, tanto para o arábica negociado em Nova Iorque quanto para o robusta em Londres. Esse movimento reflete, principalmente, o avanço da colheita no Brasil, que aumentou significativamente a oferta no mercado físico. Além disso, fatores técnicos também exerceram pressão sobre as cotações, como a proximidade do primeiro dia de aviso para o contrato de julho em Nova Iorque, ocorrido na sexta-feira, dia 20.

Do ponto de vista técnico, os preços foram afetados pelo ajuste de posições diante do primeiro dia de aviso. A pressão no mercado se intensificou até quarta-feira, devido ao feriado no dia 19, que manteve a bolsa fechada. Assim, o último dia útil para ajustes de posições e gerenciamento do risco de compromissos físicos foi o dia 18.

Em Nova Iorque, o contrato mais ativo, com vencimento em setembro, caiu 3.095 pontos, o equivalente a 8,9%, encerrando a sexta-feira cotado a US¢ 315,05 por libra-peso. Em Londres, o contrato de setembro do robusta teve queda ainda maior: USD 550,00 por tonelada, ou 12,8%, fechando o dia 20 a USD 3.737,00 a tonelada.

Durante o mesmo período, o dólar recuou 0,6% frente ao real, terminando a semana a R$ 5,51. Já nesta segunda-feira, até o momento da elaboração deste relatório, o mercado apresentava recuperação: em Nova Iorque, alta de mais de 1000 pontos (+3,3%) e em Londres, cerca de USD 180 por tonelada (+4,8%). Esse movimento está relacionado tanto a um ajuste técnico após a forte queda quanto à atenção às previsões climáticas no Brasil, com forte queda nas temperaturas e possibilidade da ocorrência de geadas.

Preços futuros de café arábica (US¢/lb) café robusta (USD/ton)

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Fonte: Cmdty View. Elaboração: StoneX. 

No mercado doméstico, o comportamento foi semelhante. Segundo o indicador Cepea, os preços do café arábica recuaram 10,4%, fechando a semana um pouco acima de R$ 1.969 por saca. O robusta teve queda de 9%, sendo cotado a pouco mais de R$ 1.167 por saca.

O avanço da colheita é apontado como principal fator de pressão nos preços, aumentando a oferta disponível. Segundo dados da StoneX, até 23 de junho, 45,7% da safra brasileira já havia sido colhida. A colheita do arábica alcançava 37,9%, enquanto a do robusta, mais adiantada, chegava a 57,5%. Entre as regiões mais avançadas estão Rondônia (60%) e Bahia (58%). Nas áreas produtoras de arábica, destacam-se Matas de Minas (46%), enquanto o Cerrado apresenta o menor percentual, com 27%.

Ritmo de colheita do café no Brasil

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Fonte: StoneX. 

O mercado segue atento às condições climáticas no Brasil. Modelos meteorológicos indicam possibilidade de queda nas temperaturas nos próximos dias, gerando preocupação com a ocorrência de geadas. Ainda não há consenso sobre a intensidade ou abrangência do fenômeno, mas, de acordo com o modelo europeu (ECMWF), são esperadas mínimas de 3 °C em Alfenas (MG) no dia 25, e cerca de 4 °C em Ibiraci, Machado, Nova Resende, Campos Gerais e Varginha. No estado de São Paulo, a região da Mogiana pode registrar 3,8 °C em Caconde e entre 5 °C e 6 °C em Altinópolis, Espírito Santo do Pinhal e Franca. Já em Tejupá (SP), a previsão é de 2,3 °C. No Paraná, municípios como Ibaiti e Pinhalão podem registrar temperaturas negativas.

O modelo GFS é mais otimista do que o ECMWF em relação às temperaturas mínimas previstas, pois sugere que a massa polar permanecerá concentrada no sul do Brasil, em vez de se espalhar amplamente. No norte de São Paulo e sul de Minas Gerais, o GFS prevê temperaturas mínimas acima de 3°C. Apesar da umidade reduzir o risco de geadas em muitas dessas áreas, regiões de maior altitude seguem vulneráveis, sendo necessário monitoramento constante.

Outro fator que merece atenção é o impacto da guerra no Oriente Médio sobre o mercado de café. Em 2023 e 2024, o conflito entre Israel e Hamas afetou os preços, especialmente após os ataques dos Houthis a navios no Mar Vermelho, elevando os custos de frete, sobretudo os originados na Ásia. Isso favoreceu a valorização do café robusta em Londres e impulsionou as exportações brasileiras.

Atualmente, o conflito envolve Israel e Irã, após preocupações com armas nucleares iranianas. Os Estados Unidos também participaram, bombardeando alvos relacionados a usinas de enriquecimento de urânio. Diretamente, o Irã não representa impacto significativo ao Brasil, já que em 2024 foram exportadas apenas 2.435 sacas para o país — um volume irrelevante frente às mais de 50 milhões de sacas exportadas no total.

Entretanto, há possíveis efeitos macroeconômicos. Após ataques dos EUA, o parlamento iraniano aprovou o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do petróleo mundial. Um bloqueio nessa região poderia elevar os preços do petróleo e causar inflação global. Isso aumentaria a aversão ao risco por parte dos investidores, reduzindo o apetite por ativos como commodities, inclusive o café, o que tende a pressionar os preços. No entanto, desde o início do conflito, não se tem observado um movimento significativo de aversão ao risco, o que pode indicar que os investidores não estão apostando em uma escalada do confronto. Ademais, variações cambiais provocadas pelo cenário geopolítico também podem afetar o mercado.

O mercado continuará acompanhando de perto tanto o avanço da colheita quanto as condições climáticas. A maior oferta deve manter pressão sobre as cotações, enquanto previsões de frio intenso ou geadas podem sustentar movimentos de alta. Além disso, a evolução do conflito no Oriente Médio, especialmente o possível bloqueio do Estreito de Ormuz, seguirá no radar, dada sua influência sobre a inflação, moedas e o apetite por risco dos investidores globais.

Por fim, os dados de exportações do mês de junho devem começar a ser divulgados nas próximas semanas e podem indicar uma recuperação nos embarques, refletindo o aumento da oferta com a intensificação da colheita no Brasil.

TABELA DE INDICADORESimage 114651

Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.

 

 

  • Café

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