Após recuo na última semana preços futuros de café iniciam a semana em alta
• Preços sobem com falta de chuvas e ordem executiva dos EUA
• Florada de arábica e robusta depende de clima favorável
• Café incluído em lista de possível tarifa zero nos EUA
• Fundos aumentam posições compradas em Nova Iorque e Londres
• Secex: Exportações brasileiras caem 31% em agosto, 2,38 milhões sacas
• Embarques para Colômbia crescem 334%, sugerindo reexportação aos EUA
• Conab revisa produção para 55,2 milhões de sacas em 2025
• Risco de La Niña preocupa cinturão cafeeiro e florada
O mercado de café encerrou a tendência altista observada em agosto e terminou a última semana em queda. Em Nova Iorque, os preços passaram a ser negociados de forma lateral, em uma faixa entre US¢ 370 e US¢ 380 por libra-peso. Em Londres, o movimento foi ainda mais negativo, com quedas consistentes desde a sessão do dia 28, levando a um recuo de 10,5% para o contrato de novembro na primeira semana de setembro, enquanto Nova Iorque acumulou queda de 3,2% no contrato de dezembro no mesmo período. No câmbio, o dólar index recuou 0,1% para 97,1 pontos, e a moeda americana caiu 0,3% frente ao real, cotada a R$ 5,41.
Os fatores que impulsionaram os preços nas últimas semanas já foram assimilados pelos agentes e o mercado agora busca novos fundamentos para definir direção. Dois pontos permanecem no radar: as decisões do governo americano em relação às tarifas sobre o café e o avanço do clima no Brasil. A florada do robusta já havia começado e a do arábica também foi iniciada, tornando essencial a manutenção de um clima adequado, com temperaturas amenas e chuvas regulares, para assegurar o potencial produtivo da safra 2026.
Na sessão desta segunda-feira (08), os preços do café voltaram a subir. O contrato mais líquido em Nova Iorque acumulou alta superior a 1100 pontos, negociado a US¢ 385,00 por libra, enquanto em Londres os preços avançaram mais de USD 120 por tonelada, alcançando USD 4.430 por tonelada. O movimento de alta foi impulsionado por dois fatores principais. Primeiro, os modelos climáticos não indicam chuvas regulares para as próximas semanas, o que aumenta a preocupação com a florada no Brasil. Segundo, o anúncio de uma ordem executiva do presidente americano, Donald Trump, que incluiu o café entre os produtos que poderiam ter tarifa zero caso fossem firmados acordos comerciais com os Estados Unidos. Isso não significa isenção imediata, mas abre espaço para que, mediante negociações bilaterais, o produto seja contemplado com esse benefício.
Preços futuros de café arábica (US¢/lb) café robusta (USD/ton)
Fonte: Cmdty View. Elaboração: StoneX.
A alta de agosto também foi impulsionada pelo apetite dos fundos por ativos de risco. Em Nova Iorque, os fundos de gestão ativa aumentaram sua posição líquida comprada de 15 mil para quase 19,5 mil contratos até 2 de setembro. Os fundos de índice passaram de 30 mil contratos comprados em junho para mais de 40 mil atualmente. Em Londres, a virada foi ainda mais expressiva: de posição líquida vendida de 5,8 mil contratos, os fundos passaram a 11,5 mil contratos comprados.
Na última sexta-feira (05), o presidente Donald Trump assinou uma ordem que prevê exceções tarifárias para determinados produtos originados de países que firmarem acordos comerciais com os Estados Unidos. O documento destaca itens que não são produzidos domesticamente, entre eles o café, que poderiam ter as tarifas reduzidas a zero mediante a celebração de acordos bilaterais. Isso não significa isenção automática, mas abre a possibilidade de que, a partir dessas negociações, o café e outros produtos sejam contemplados com esse benefício. Veja o conteúdo na íntegra: MODIFYING THE SCOPE OF RECIPROCAL TARIFFS AND ESTABLISHING PROCEDURES FOR IMPLEMENTING TRADE AND SECURITY AGREEMENTS
Enquanto isso, os efeitos já são sentidos: dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram queda de 31% nas exportações brasileiras em agosto, com 2,38 milhões de sacas embarcadas. As vendas aos Estados Unidos recuaram 17%, somando pouco mais de 300 mil sacas, e também houve queda para Alemanha, Itália e Bélgica. A menor oferta de arábica, cuja produção caiu 18,4% segundo a última atualização da StoneX, limitou a disponibilidade. O destaque positivo foi o aumento de 334% nos embarques para a Colômbia para mais de 51 mil sacas, o que sugere estratégia de reexportação, já que o país sofre tarifas de apenas 10% nas vendas aos Estados Unidos, contra 50% aplicadas ao Brasil.
Na frente de oferta, a Conab divulgou sua estimativa para a produção brasileira em 2025 em 55,2 milhões de sacas, ligeiramente abaixo da projeção anterior de 55,7 milhões. Do total, 35,2 milhões são de arábica e 20,1 milhões de robusta. Apesar da revisão, a Conab segue entre as instituições com números mais baixos, enquanto a StoneX projeta 62,3 milhões e o USDA 65 milhões. Apesar da discrepância, todas as estimativas convergem para uma safra menor, reflexo das condições climáticas adversas enfrentadas no final de 2024.
O clima no Brasil permanece como fator decisivo. As chuvas do fim de agosto melhoraram a umidade do solo e permitiram o início da florada, sobretudo do arábica, enquanto o robusta já havia iniciado em julho. No entanto, os modelos climáticos projetam tempo seco nas próximas semanas, com previsão de precipitações apenas pontuais e de baixo volume em meados de setembro. A expectativa de retorno do fenômeno La Niña, associado a chuvas abaixo da média e atrasadas no cinturão cafeeiro, gera preocupação. Apesar disso, as lavouras em 2025 entraram neste período com melhor estoque hídrico no solo em comparação a 2024, quando a estiagem prolongada e as temperaturas muito elevadas comprometeram a florada. Esse ponto pode atenuar parcialmente os riscos, mas a evolução climática nas próximas semanas será determinante tanto para o potencial da safra 2026 quanto para a direção dos preços nos próximos meses.
Leia também: Umidade do solo em foco: setembro começa a mudar o cenário agrícola!
TABELA DE INDICADORES

Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.