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Semanal de Café

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Mercado de café atento ao clima no Brasil e às tarifas dos Estados Unidos

•    Café encerra semana em alta apesar da volatilidade em Iorque e Londres
•    Mercado atento ao clima no Brasil e às tarifas dos Estados Unidos
•    Trump sinaliza diálogo e abre expectativa de retirada de tarifas
•    Congresso americano avalia projeto para isentar café de tarifas de importação
•    Inflação americana sobe 40,6% em 12 meses e pressiona consumo
•    Florada do arábica segue desuniforme, aguardando fase principal em outubro
•    União Europeia avalia adiar implementação da Lei Antidesmatamento (EUDR)
•    Vendas de café no varejo brasileiro caem 5,4% em 2025

Em meio à forte volatilidade, os preços futuros do café encerraram a última semana em alta. O mercado, especialmente na sessão do dia 23, apresentou um expressivo recuo, com o contrato mais ativo em Iorque caindo de 1.720 pontos, equivalente a quase 4,7%. Esse movimento refletiu principalmente a sinalização do governo norte-americano de abertura de um canal de diálogo com o governo brasileiro. Contudo, na sessão seguinte, dia 24, os preços voltaram a subir, recuperando integralmente a queda anterior. 

No balanço semanal, Nova Iorque fechou com alta de 1.155 pontos, ou 3,2%, a US¢ 378,05 por libra-peso. Em Londres, o contrato mais ativo de café robusta avançou 1,6%, atingindo USD 4.201,00 por tonelada. Já nesta segunda-feira, o mercado voltou a cair em Iorque: o contrato de dezembro recuou 585 pontos, ou 1,55%, enquanto o contrato de março perdeu 335 pontos, equivalente a 0,9%. Em Londres, as quedas foram mais leves, 0,36% no contrato de novembro e 0,19% no de janeiro.

Preços futuros de café arábica (US¢/lb) café robusta (USD/ton)

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Fonte: Cmdty View. Elaboração: StoneX. 

Do ponto de vista fundamental, não houve grandes mudanças na última semana. O mercado segue atento ao clima no Brasil, fator decisivo para o potencial produtivo da safra 2026/27. Também continua em foco a questão tarifária nos Estados Unidos sobre as importações de café brasileiro. A reação do mercado na semana passada esteve ligada à sinalização do presidente Donald Trump de abertura para um diálogo com o presidente brasileiro, o que gerou expectativas sobre uma possível retirada das tarifas. 

Além disso, parlamentares da Câmara dos Estados Unidos anunciaram um projeto de lei para isentar o café de qualquer tarifa, destacando que se trata de um produto não produzido no país e cuja taxação apenas eleva custos ao consumidor. O impacto inflacionário tem sido relevante: em agosto, a inflação mensal foi 5,4% em relação a julho, acumulando alta anual de 40,6%, pressionando o consumo norte-americano.

Inflação sobre os preços de café torrado e moído

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Fontes: IBGE, BLS e Eurostat. Elaboração: StoneX. 

No campo climático, a florada principal do robusta já ocorreu em boas condições, beneficiada pelo uso generalizado de irrigação, o que reforça a expectativa de uma safra positiva. No caso do arábica, já houve aberturas de florada em algumas regiões, mas de forma desuniforme, e a principal ainda é aguardada para as próximas semanas. Regiões produtoras de Minas Gerais receberam chuvas significativas, ainda que abaixo da média. Modelos climáticos indicavam a continuidade das precipitações, mas a previsão foi revista. Ainda assim, as condições atuais são melhores do que no mesmo período do ano passado, graças ao maior estoque hídrico e à ausência de temperaturas extremas como as registradas em 2024. Apesar da expectativa de bom potencial para a safra de 2026, a evolução climática das próximas semanas será determinante para consolidar esse cenário.

Na esfera regulatória, foi divulgada proposta no Parlamento Europeu para adiar novamente em um ano a implementação da Lei Antidesmatamento (EUDR), prevista para entrar em vigor em 30 de dezembro deste ano. Caso aprovada, a medida trará alívio ao mercado, que já havia registrado, principalmente no ano passado, adiantamento de compras por parte de importadores europeus em antecipação à norma.

No Brasil, a Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC) atualizou os dados de vendas no varejo. Entre janeiro e agosto de 2025, foram comercializadas 9,56 milhões de sacas, queda de 5,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, reflexo da elevação dos preços ao consumidor. Na comparação anual entre agosto de 2025 e agosto de 2024, os reajustes nos preços foram expressivos: café solúvel subiu 50,6%, especiais 32,4%, gourmet 46,4%, superior 20,3% e tradicional extraforte 48,6%. Essa escalada de preços tem reduzido o consumo, em linha com a perspectiva da StoneX, que projeta queda de 3% na demanda global em 2025, efeito direto da inflação sobre o café ao consumidor.

Nas próximas semanas, o mercado seguirá atento às condições climáticas no Brasil, que podem definir o rumo da safra 2026. Um cenário úmido e favorável tende a reforçar expectativas de produção elevada, pressionando os preços para baixo, enquanto atrasos de chuva ou calor excessivo podem sustentar novas altas. O desenrolar da questão tarifária entre Estados Unidos e Brasil também continuará no centro das atenções, assim como os dados de exportação. Até o dia 26 de setembro, os números preliminares do Cecafé apontaram embarque de 2,9 milhões de sacas, volume bem inferior aos 4,23 milhões registrados no mesmo mês de 2024, evidenciando o impacto das tarifas norte-americanas sobre os embarques brasileiros. Esse será um tema amplamente monitorado pelos participantes do mercado.

TABELA DE INDICADORES

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Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
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Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

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10 de agosto – Os mercados globais de commodities e a economia permanecem em risco em meio a duas guerras nesta manhã. As tensões continuam a escalar tanto no Oriente Médio quanto no Mar Negro – ameaçando arrastar outros países para os conflitos. As ações estão em leve queda nesta manhã à medida que iniciamos uma semana de negociações na qual veremos dados-chave de inflação e vendas no varejo após um relatório de empregos fraco na última sexta-feira. Ainda assim, as ações continuam a ser negociadas logo abaixo dos níveis recordes, com o VIX sendo negociado perto das mínimas de 2026, logo acima de 15. O dollar index está sendo negociado perto de 99,7. Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos estão sendo negociados perto de 4,68%, enquanto os rendimentos dos Treasuries de 2 anos estão perto de 4,23%. Os mercados de energia e de alimentos estão mais firmes hoje em meio aos riscos elevados. O petróleo WTI está sendo negociado perto de US$ 80, enquanto o Brent é negociado perto de US$ 85 por barril. Ganhos de dois dígitos nos mercados de trigo de inverno lideram a alta dos preços de grãos e oleaginosas.

Arlan Suderman
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7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.

Mike Castle
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6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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