Em meio à grande volatilidade, preços de café apresentam resultados mistos
• Forte volatilidade marca o mercado de café internacional
• Nova Iorque recua após retirada das tarifas sobre o Brasil
• Londres avança com chuvas intensas no Vietnã
• Arábica cai 1% e robusta sobe 2,4% no Brasil
• Excesso de chuvas no Vietnã atrasa colheita e logística
• Mercado seguirá volátil com foco no clima e exportações
Os preços do café atravessaram um período de forte volatilidade, influenciados por uma combinação de fatores altistas e baixistas. Na última semana, os mercados internacionais seguiram direções distintas. Em Nova Iorque, as cotações foram pressionadas pelo anúncio da retirada das tarifas sobre o café brasileiro, enquanto em Londres o excesso de chuvas no Vietnã sustentou o movimento de alta.
O contrato mais ativo com vencimento em março em Nova Iorque encerrou o período com queda de 1,2%, cotado a US¢ 369,45 por libra-peso. Em Londres, o contrato equivalente registrou valorização de 6,7%, alcançando USD 4.506 por tonelada. No câmbio, o dólar se valorizou 2% frente ao real, encerrando o período cotado a 5,40 reais. No mercado doméstico, os preços acompanharam as oscilações externas. O indicador CEPEA para o café arábica caiu 1% para R$ 2.181,70 por saca, enquanto o robusta valorizou 2,4%, alcançando R$ 1.347,28 por saca.
Na sessão desta segunda-feira, o comportamento seguiu misto. O contrato de março em Nova Iorque apresentava valorização de 2,0%, negociado a US¢ 376,8 por libra-peso, enquanto em Londres a mesma posição recuava 0,49%, para USD 4.486 por tonelada.
Preços futuros de café arábica (US¢/lb) café robusta (USD/ton)
Fonte: Cmdty View. Elaboração: StoneX.
Com relação aos fundamentos, do lado altista, destaca-se a menor produção no Brasil em 2025 e os estoques reduzidos, que criam um cenário de escassez até a chegada da próxima safra. Os estoques certificados de café permanecem em níveis reduzidos, o que atua de forma altista para as cotações. Apesar de um leve aumento recente nesses estoques, as diferenças de preço nas origens continuam elevadas, o que limita novas certificações. O excesso de chuvas no Vietnã também tem efeito altista, já que atrasa a colheita e prejudica a qualidade e a logística. Além disso, a influência do fenômeno La Niña traz o risco de períodos de seca repentina no Brasil, o que poderia comprometer o desenvolvimento da safra.
Entre os fatores baixistas, o principal é a expectativa de uma recuperação da oferta na temporada 2026. Estimativas da StoneX indicam um aumento de 13,5% na produção brasileira, atingindo 70,7 milhões de sacas. Ainda que esse número seja ligeiramente inferior às previsões de parte do mercado, ele representa um alívio potencial para o balanço global. Outras organizações também projetam um cenário de maior disponibilidade para o próximo ciclo. Além disso, o consumo mundial mostra sinais de retração. A ABIC relatou queda nas vendas no Brasil em razão dos preços elevados, e dados de outros países, como Japão, Estados Unidos e membros da União Europeia, indicam comportamento semelhante. A StoneX estima uma redução global de 3% no consumo em 2025, o que contribui para um viés baixista nas cotações. O clima no Brasil, de modo geral, também tem se mostrado favorável ao desenvolvimento da safra 2026, reforçando uma visão mais otimista quanto à oferta futura.
No dia 20, quinta-feira, os Estados Unidos anunciaram a retirada das tarifas sobre diversos produtos brasileiros, incluindo o café. A medida exerceu pressão baixista sobre os preços em Nova Iorque. A imposição dessas tarifas havia restringido as exportações brasileiras, reduzindo os embarques ao mercado norte-americano entre 45% e 50%, e redirecionando parte do volume para outros destinos, especialmente a Colômbia. Com a eliminação das tarifas, espera-se a normalização das rotas comerciais e a recuperação dos volumes exportados para os Estados Unidos.
Exportações brasileiras de café aos EUA (mil sacas)

Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.
O Vietnã, que vinha de safras afetadas por eventos climáticos, mostrava sinais de recuperação em 2025/26, com previsão de aumento de 7% na produção segundo o USDA. No entanto, o excesso de chuvas tem causado atrasos na colheita, perdas de qualidade e dificuldades logísticas. Há também relatos de lavouras alagadas e danos pontuais à produção, embora o impacto total ainda seja incerto. As próximas semanas serão decisivas para avaliar a extensão das perdas.
O mercado de café deve permanecer volátil nas próximas semanas. As atenções estarão voltadas para o clima no Vietnã e no Brasil, a evolução das exportações brasileiras, o ritmo de retomada das vendas para os Estados Unidos e os efeitos da inflação sobre o consumo global.
TABELA DE INDICADORES

Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.