A última semana foi mais lenta para o mercado de café, que seguiu acompanhando os indicativos de clima no Brasil e a colheita no Vietnã, enquanto aguardava os dados das exportações brasileiras, divulgados pelo Cecafé no final da tarde desta segunda-feira (19).
Nesse sentido, o café arábica operou sem grandes direcionamentos, oscilando entre ganhos e perdas, enquanto o mercado observava melhora nos volumes negociados no físico brasileiro. O contrato de março/26 terminou o período cotado a US¢ 355,3/lb, leve queda de 0,7%.
O café robusta, por sua vez, avançou na semana passada. Ainda que os fundamentos sejam positivos, com uma colheita volumosa no Vietnã, os produtores do país seguiram retendo o café em busca de melhores preços. A menor liquidez favoreceu as cotações, com a tela de março encerrando a USD 4.000/t, valorização semanal de 2,5%.
No mercado brasileiro, as cotações apresentaram trajetórias semelhantes. O indicador CEPEA para o café arábica recuou 2,0%, para R$ 2.180/saca, enquanto o robusta registrou alta de 1,4%, terminando a semana cotado a R$ 1.300/saca.
Risco de novas tarifas
A ausência de novas declarações ou atritos entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e outros líderes sul-americanos ajudou a aliviar as preocupações do mercado, enquanto os agentes aguardam pelo encontro entre o líder estadunidense e o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, programado para o início de fevereiro.
Por outro lado, no início da semana passada, o presidente americano anunciou que o país imporia tarifas de 25% sobre nações que mantiverem relações comerciais com o Irã. A questão despertou preocupação de que o café — que passou por um período de sobretaxa de 40% no ano passado e que, somado aos 10% iniciais aplicados ao país, resultou em 50% de tarifas nas exportações aos EUA entre agosto e meados de novembro — possa voltar a enfrentar taxas mais elevadas.
Possíveis efeitos: Uma nova taxa de 25% provavelmente não impediria as exportações dos países sul-americanos, mas poderia exercer um novo efeito altista sobre os preços e estender a inflação em patamares elevados, justamente quando o indicador começa a demonstrar desaceleração no mercado americano.
Inflação ao consumidor fecha 2025 em desaceleração
Como mencionado acima, uma das preocupações com uma eventual tarifa americana é seu impacto inflacionário sobre os preços ao consumidor final. O ano de 2025 registrou preços historicamente elevados do café ao consumidor, refletindo as cotações altas nas bolsas desde 2024. Os indicadores de preços nas gôndolas, todavia, vêm demonstrando desaceleração nos principais centros consumidores, reforçados pelos dados de dezembro:
- Brasil: O IBGE mostrou que, em dezembro, os preços médios do café torrado e moído recuaram 0,3% para o consumidor final em relação ao mês anterior, marcando o 6º mês consecutivo de queda. Assim, enquanto a inflação acumulada em 12 meses chegou a 82% em maio, o ano terminou em 25,7%.
- EUA: Enquanto os meses anteriores já mostravam altas mais suaves, dezembro marcou retração de 2,2% na inflação do café frente ao mês anterior. O acumulado no mercado americano, que atingiu máxima de 41,3% em setembro, encerrou o ano em 33,6%, com possibilidade de novos recuos nos primeiros meses de 2026.
- Zona do euro: Dezembro verificou queda mensal de 0,5%. No acumulado de 12 meses, que havia tocado máxima de 21,2%, o índice chegou a 18,3% no fim do ano.
Inflação do café torrado e moído acumulada em 12 meses
Fontes: IBGE, BLS e Eurostat. Elaboração: StoneX.
Por que isso é importante: Apesar de indicativos de queda nas vendas em alguns países — principalmente no 1º semestre de 2025 — o consumo global de café se mostrou resiliente, com retração relativamente pequena frente ao forte impacto dos preços. Nesse sentido, em um ano com expectativa de oferta significativamente superior à de 2025, o que se configura como um forte fator baixista, o alívio da inflação ao consumidor indica um cenário mais favorável para a demanda global, podendo trazer suporte às cotações ao longo do ano.
Brasil encerra 2025 com receita recorde das exportações de café
Nesta segunda-feira (19), o Cecafé informou os números oficiais das exportações de café em dezembro, que totalizaram 2,89 milhões de sacas, uma queda de 12% em relação a novembro e de 15% frente a dezembro de 2024.
- Arábica: foram embarcadas 2,67 milhões de sacas, queda de 12% frente ao mês anterior e 6% ante dezembro/24.
- Robusta: totalizou 222 mil sacas, com quedas mensal e anual de 14% e 61%, respectivamente.
Exportações mensais de café verde do Brasil (milhões de sacas)
Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.
No acumulado do ano, o volume foi menor, totalizando 36 milhões de sacas de café verde, 21,6% a menos que as 46,3 milhões exportadas no ano anterior:
- Arábica: 32,3 milhões (‑12,6%)
- Robusta: 3,99 milhões (‑57%)
- Solúvel: 3,4 milhões (‑17%)
Exportações acumuladas de café do Brasil por ano (milhões de sacas)
Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.
Apesar do volume significativamente menor em relação a 2024, a receita cambial chamou atenção: houve aumento de 25%, para USD 14,4 bilhões, reflexo dos preços médios superiores observados ao longo do ano. Os dados do Cecafé indicaram preços médios de exportação de USD 415/saca para o arábica e USD 282/saca para o robusta, altas de 61% e 33%, respectivamente. Em relação a 2023, a receita quase dobrou, com alta de 98%.
Receita cambial das exportações brasileiras de café e preço médio anual (US$ bilhões)

Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.
Principais destinos
Os líderes entre os destinos das exportações brasileiras permanecem os mesmos, no entanto, com os EUA, impactado pelas tarifas, ultrapassado pela Alemanha na primeira colocação, seguidos de EUA, Itália, Japão e Bélgica.
A presença da China entre os 10 principais destinos — justamente na 10ª posição — também chama atenção. Embora o volume ainda seja relativamente pequeno, seu crescimento ano a ano e o ganho de relevância frente a outros parceiros tradicionais reforçam a perspectiva de que o gigante asiático deve continuar aumentando sua importância para o Brasil.
Vale destacar também que, enquanto os EUA e os importadores mais tradicionais da Europa mostraram retração anual, alguns países apresentaram um crescimento anual. Entre os destaques: Japão (+19,7%), Turquia (+4,0%) e a China (+19,5%).
Participação dos destinos nas exportações brasileiras de café (milhões de sacas)
Fonte: Cecafé> elaboração: StoneX.
Para esta semana
Com o início da semana mais lento devido à inatividade na bolsa de Nova Iorque por conta do feriado de Martin Luther King nos EUA, os agentes devem seguir aguardando novas informações sobre a possível tarifa de 25%.
Além disso, o clima no Brasil continua sendo acompanhado de perto. Estão previstos volumes significativos de chuva no cinturão cafeeiro, especialmente na região das Matas de Minas, o que pode contribuir positivamente para o desenvolvimento das lavouras. O Sul de Minas ainda necessita de maiores volumes, o que inspira alguma cautela.
O café robusta encerrou o pregão desta segunda-feira cotado a USD 4.016/t na bolsa de Londres, alta de 0,4%, em um dia de menor volume negociado. A expectativa é de que, com a aproximação do final do mês, as vendas no Vietnã retomem ritmo, o que pode contribuir para algumas correções de preço.
TABELA DE INDICADORES

Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.