Depois de quedas intensas, café passa por semana de correções
- Altista
- Recuperação do real brasileiro frente ao dólar americano;
- Estoques certificados em níveis baixos na bolsa de Nova Iorque;
- Exportações brasileiras de janeiro reforçam condição de oferta menor no curto prazo.
- Baixista
- Divulgação de estimativas de grande safra no Brasil por Conab e empresas privadas;
- Desenvolvimento positivo das lavouras no Brasil;
- Vietnã e Indonésia registrando avanço nas exportações.
Correção nas bolsas
A última semana foi de leve valorização para os futuros de café em suas principais bolsas, que passaram por correções após as intensas quedas das semanas anteriores, quando atingiram as mínimas de seis meses. O café arábica encerrou o período cotado a USc 298,3/lb, alta de 3,1%. Já o café robusta fechou a USD 3.800/t, avanço de 3,6%.
Mercado físico: No Brasil, os preços também registraram recuperação, ainda que em ritmo mais lento. O Indicador Cepea para o arábica avançou 0,9%, encerrando a sexta-feira (13) cotado a R$ 1.901,98/saca. O Indicador para o robusta subiu 2,2%, atingindo R$ 1.092,10/saca.
Queda recente intensa: Vale lembrar que, entre 27 de janeiro e 6 de fevereiro, o vencimento contínuo em Nova Iorque acumulou uma queda expressiva de 7.070 pontos, equivalente a 19,3% do valor. Em Londres, o movimento também foi significativo: retração de USD 520, ou 12,2%, no mesmo intervalo.
Preços futuros de café arábica (US¢/lb) café robusta (USD/ton)

Fonte: ICE. Elaboração: StoneX.
Oferta maior em 2026: O principal impulso baixista segue vindo do clima favorável no Brasil e do consenso em torno de uma grande safra em 2026, apoiado por diversas estimativas recentes. Por outro lado, embora a produção de robusta no Brasil tenda a ficar levemente abaixo do esperado devido à redução prevista no Espírito Santo, Vietnã e Indonésia continuam sinalizando bons níveis de oferta.
A estabilização dos preços na última semana indica que grande parte dessa expectativa já foi precificada durante o forte movimento de queda. O mercado agora busca um novo patamar de equilíbrio, à medida que aguarda novos elementos fundamentais para direcionar as próximas decisões.
Nesse contexto, o clima no Brasil continuará sendo crucial para o desenvolvimento final dos grãos, enquanto o mercado também monitora atentamente indicadores de outros países. A Colômbia permanece como ponto de atenção, após o fraco resultado de produção em janeiro.
Movimentação desta segunda-feira: Em Londres, as cotações oscilaram entre leves perdas e ganhos, terminando em leve queda de 0,1% na sessão. O mercado internacional segue mais lento devido ao feriado do Dia do Presidente nos EUA, que manteve a bolsa de Nova Iorque fechada — as negociações retornam normalmente na terça-feira (17). O feriado de Carnaval no Brasil também tende a reduzir o ritmo das atividades, com maior movimentação esperada a partir da quarta-feira (18).
Cecafé: Exportações brasileiras apresentam forte queda em janeiro
O Cecafé divulgou na última semana os dados oficiais de exportações referentes a janeiro, mostrando forte redução dos embarques. Foram 2,528 milhões de sacas de café verde enviadas ao exterior — queda de 11% frente ao mês anterior e de 31% em relação a janeiro de 2025, representando o pior desempenho desde julho de 2025.
Em Detalhes:
- Arábica: 2,34 milhões de sacas
→ Queda mensal de 11% e anual de 29%.
- Conilon: 181,5 mil sacas
→ Queda mensal de 18% e anual de 46%, influenciada pela maior demanda interna e pela competitividade dos cafés do Sudeste Asiático, atualmente em plena colheita.
- Solúvel: 249,1 mil sacas
→ Queda mensal de 9% e anual de 32%.
O café solúvel segue sendo o único produto ainda sujeito às sobretaxas de 50% impostas pelos EUA.
Por que isso é importante Embora as expectativas de maior oferta — especialmente no arábica — tenham pressionado os preços nas últimas semanas, os dados do Cecafé lembram o mercado de que o Brasil acabou de colher sua menor safra em quatro anos e se encontra no período de entressafra, quando os volumes naturalmente diminuem.
Assim, a oferta mais restrita do Brasil pode atuar como um fator de suporte para o arábica, sobretudo se a produção colombiana também continuar decepcionando.
Exportações mensais de café verde do Brasil (milhões de sacas)
Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.
CFTC: Fundos seguem liquidando posições
O mais recente relatório Commitment of Traders (COT) da CFTC mostrou nova rodada de liquidação pelos fundos especulativos, pela segunda semana consecutiva.
Entre 3 e 10 de fevereiro, os fundos reduziram a posição líquida comprada de 7.331 lotes para 2.866, o menor nível desde outubro de 2023.
Por que isso é importante: A posição dos fundos costuma sinalizar o viés desses agentes e indicar tendências de curto prazo, já que eles têm influência considerável nas oscilações dos preços. Com a atual proximidade entre posições compradas e vendidas, novos fundamentos podem desencadear reposicionamentos, aumentando a volatilidade no mercado de café.
Posição líquida dos fundos especulativos em café na bolsa de Nova Iorque
Fonte: CFTC. Elaboração: StoneX.
Clima no Brasil
O início desta semana indica menores volumes de chuva no cinturão cafeeiro. A partir de quarta-feira (18), no entanto, os volumes devem voltar gradualmente às lavouras.
A próxima semana tende a apresentar condições mais favoráveis.
Segundo o último Boletim Semanal de Tempo e Clima, que avalia a previsão para as próximas quatro semanas:
- Apenas a próxima semana deve registrar chuvas acima da média nas áreas produtoras.
- O restante do período, até 10 de março, indica volumes levemente abaixo da média.
- Espírito Santo e Zona da Mata podem apresentar maior oscilação no regime de chuvas, permanecendo como regiões de atenção.
No geral, a expectativa é de clima adequado, o que pode voltar a pressionar os preços na segunda metade da semana.
TABELA DE INDICADORES

Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.