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Semanal de Café

By: Leonardo Rossetti, Market Intelligence Analyst

Café passa por correções na semana, mas tensões no Oriente Médio seguem no radar

  • Altista
  • Petróleo segue pressionando complexo de commodities;
  • Riscos de disrrupções logísticas na região do Oriente Médio;
  • Chances de ocorrência de El Niño e intensidade crescem para o 2º semestre.
  • Baixista
  • Desenvolvimento positivo das lavouras e clima regular no Brasil;
  • Projeções positivas para volumes do Vietnã e Indonésia em 2025/26.

Cotações recuam nas bolsas e no mercado físico

A movimentação dos contratos futuros de café, assim como dos mercados financeiros como um todo, segue condicionado às incertezas geopolíticas decorrentes do conflito no Oriente Médio, com notícias sobre o tema gerando oscilações distintas a cada sessão.

O forte movimento de alta observado na primeira semana de março, impulsionado sobretudo pela intensificação do conflito, contudo, perdeu força nas últimas sessões. Mesmo sem avanços diplomáticos relevantes, o café registrou recuos nas principais bolsas internacionais ao longo da semana passada, em um processo de ajuste ao ambiente de maior incerteza.

No âmbito dos fundamentos específicos do mercado, a atenção voltou-se novamente para as perspectivas de oferta no Brasil. Com destaque, o relatório divulgado pela StoneX na quarta-feira (11) revisou para cima as estimativas da safra 2026/27, projetando produção em nível recorde. A expectativa de maior disponibilidade de grãos por parte do maior produtor global eleva a pressão baixista sobre os preços futuros. Em direção contrária, os dados do Cecafé indicaram uma queda de 23,5% nos embarques brasileiros em fevereiro, introduzindo um elemento adicional de cautela no curto prazo.

Arábica: O contrato de maio do café arábica encerrou a sexta‑feira cotado a US¢ 285,15/lb na Bolsa de Nova Iorque, queda semanal de 2,7%. Neste momento, o arábica parece menos exposto aos impactos diretos do conflito sobre rotas logísticas, dado que seus principais produtores estão na América do Sul, distante das áreas afetadas. Ainda assim, a elevação dos custos associados a fertilizantes e combustíveis pressiona os vencimentos de prazos mais longos.

Robusta: Na Bolsa de Londres, os futuros de robusta recuaram 8,4% na semana, com o contrato de maio encerrando a R$ 3.455/t. Após ter apresentado ganhos superiores aos do arábica na semana anterior, o robusta foi mais afetado pela reprecificação do risco de agravamento do conflito e seus possíveis efeitos sobre cadeias produtivas na Ásia, o que explica em partes a queda mais acentuada na última semana.

Preços futuros de café arábica (US¢/lb) café robusta (USD/ton)

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Fonte: CmdtyView. Elaboração: StoneX.

Mercado físico: No mercado interno, o indicador Cepea para o café arábica fechou a semana anterior em R$ 1.878/saca, queda de 2,6%. O indicador do robusta recuou 0,6%, encerrando o período a R$ 1.000/saca.

Abertura desta segunda‑feira: Nessa segunda‑feira, os contratos futuros de café apresentavam alta, acompanhando a recuperação observada em diversos ativos classificados como de maior risco, como outras commodities agrícolas, índices acionários e moedas de mercados emergentes. O movimento sugere uma correção parcial após a forte aversão ao risco registrada na sexta‑feira (13), que pressionou amplamente esses ativos.

StoneX eleva estimativa da safra brasileira 2026/27 para 75,3 milhões de sacas

Na última quarta-feira (11), a equipe de Inteligência de Mercado da StoneX divulgou a revisão de sua Pesquisa de Safra de Café no Brasil, elevando a estimativa de produção para 2026/27. A projeção subiu de 70,7 milhões para 75,3 milhões de sacas, um aumento significativo em relação às 62,3 milhões estimadas para a temporada 2025/26.

Por que isso é importante: A melhora estimada na oferta brasileira, proveniente do maior produtor e exportador global, tende a reduzir preocupações com disponibilidade no próximo ciclo. Esse cenário deve favorecer a recomposição dos estoques internacionais de café e, por isso, exerce pressão baixista sobre as cotações futuras.

Em detalhes: A nova projeção representa um crescimento de 20,8% frente à safra 2025/26 e configura o maior volume já registrado pela cafeicultura brasileira.

  • Arábica: 50,2 milhões de sacas (+37,5%)
  • Conilon (robusta): 25,1 milhões de sacas (+2,8%)

Panorama: Mesmo que algumas regiões de arábica não apresentem produtividades tão elevadas para a safra 26/27, o cenário nacional é sustentado por fatores estruturais importantes:

  • Regiões com boa recuperação produtiva, especialmente após a forte quebra da safra passada;
  • Entrada de novas áreas em produção, resultado da expansão do parque cafeeiro nos últimos anos;
  • Forte desempenho do robusta, que vem sustentando o crescimento da produção nacional;
  • Renovação estrutural das lavouras, com modernização do sistema de plantio.

Acesse o relatório oficial com os detalhes e imagens sobre todas as principais regiões produtoras.

Produção de café do Brasil (milhões de sacas)

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Fontes: StoneX.

Histórico da produção brasileira de café (milhões de sacas)

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Fontes: StoneX.

Cecafé reporta queda de 23,5% das exportações de café em fevereiro

Segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o Brasil exportou 2,618 milhões de sacas de todos os tipos de café em fevereiro, retração de 23,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Em detalhes:

  • Arábica: 2,06 milhões de sacas
    → alta mensal de 12,2% e anual de 29%.
  • Conilon (robusta): 226 mil sacas
    → avanço mensal de 24% e leve queda de 2% frente a fev/2025, influenciada pela maior demanda interna e pela competitividade dos cafés do Sudeste Asiático, atualmente em plena colheita.
  • Solúvel: 320 mil sacas
    → alta mensal de 27% e queda anual de 14%.

    Exportações mensais de café verde do Brasilimage 128243

    Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.

    Por que isso é importante: Embora as expectativas de maior oferta na safra 2026/27 exerçam pressão baixista sobre os preços, os dados do Cecafé reforçam a percepção de aperto na disponibilidade de grãos no curto prazo. O Brasil colheu recentemente sua menor safra em quatro anos e se encontra no período de entressafra, quando o volume disponível para exportação naturalmente diminui.

  • A menor oferta do Brasil pode atuar como fator de suporte para os preços futuros, sobretudo se a produção colombiana, importante concorrente no arábica, continuar abaixo do ritmo histórico.
     

Exportações de café solúvel se recuperam: O destaque positivo do mês veio das exportações de café solúvel, que atingiram cerca de 320 mil sacas, o maior volume mensal desde maio de 2025.

  • Esse movimento tende a continuar ganhando tração nos próximos meses, especialmente após o fim das restrições tarifárias impostas pelos Estados Unidos ao produto.
  • O café solúvel seguia sofrendo com a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos em 2025, enquanto outros tipos de café foram isentos em novembro, junto de diversos outros produtos agropecuários.
  • A tarifa elevada reduzia significativamente a competitividade do solúvel brasileiro no principal mercado comprador.
  • A situação mudou em 20 de fevereiro, quando uma decisão judicial norte‑americana suspendeu a base legal utilizada pelo Executivo para impor tarifas adicionais, reduzindo a cobrança aplicada ao solúvel para a alíquota padrão (10%).
  • Com isso, o produto volta a competir em condições mais equilibradas e é plausível que as exportações de março registrem recuperação adicional, já que será o primeiro mês cheio sob o novo regime tarifário.

Apesar de recuperação do solúvel, embarques totais aos EUA caem

Apesar da normalização das tarifas do café verde brasileiro desde novembro do ano passado, os embarques continuam aquém.

  • O envio total de café (verde, solúvel e torrado) aos EUA totalizou 270 mil sacas, quedas de 30% frente ao mês anterior e de 44% ante fevereiro do ano passado.
  • Em termos de participação, os EUA foram apenas o terceiro maior destino, ficando atrás de Alemanha (394 mil sacas) e Itália (283 mil sacas).
  • Ainda que, sazonalmente, fevereiro seja um mês de quedas dos embarques e a oferta no país esteja mais restrita, a queda mensal observada nas compras americanas foi mais intensa que os outros principais importadores, com a Alemanha, inclusive, demonstrando um leve ganho mensal.
  • Por que isso é importante: Enquanto o número indica que o fluxo de embarques aos EUA ainda não foi totalmente normalizado, o resultado também pode levantar um questionamento a respeito do consumo no mercado americano. Dessa forma, será importante acompanhar as importações de fevereiro do país, que serão reportados no início do próximo mês, para averiguar se o país de fato demonstrou um volume total de compras abaixo do normal, ou se outros países foram capazes de suprir volumes expressivos das importadoras americanas.

    Exportações mensais de café do Brasil para os 5 principais destinos (mil sacas)image 128244

    Fonte: Cecafé: Elaboraçã: StoneX.

Possibilidade de de El Niño forte aumenta riscos produtivos para o café

Na semana passada, a NOAA, agência meteorológica dos Estados Unidos, atualizou suas perspectivas climáticas e projeções para o fenômeno ENSO, que engloba os ciclos de La Niña e El Niño. A seguir, destacam‑se os principais pontos do relatório:

La Niña ainda presente, mas em enfraquecimento: O padrão de La Niña persistiu entre fevereiro e o início de março, com anomalias de temperatura no Pacífico próximas de ‑0,4 °C, além de regimes característicos de ventos e chuvas. No entanto, os sinais indicam que essa condição deve perder força nas próximas semanas.

Transição iminente para ENOS‑Neutro: O oceano apresenta um aquecimento rápido e profundo, alcançando até 250 metros de profundidade. Os modelos indicam entrada em condição neutra já no próximo mês, com essa fase devendo ser relativamente curta, concentrada entre maio e julho, com 55% de probabilidade.

Alerta de El Niño para o segundo semestre de 2026: A partir de junho de 2026, a probabilidade de formação de um El Niño sobe para 62%. Dada a intensidade e a velocidade do aquecimento das águas, a NOAA destaca uma alta probabilidade de um El Niño forte entre outubro e dezembro de 2026. Embora os gráficos do Instituto Internacional de Pesquisa (IRI), da Universidade de Columbia, ainda não sinalizem claramente um evento de forte intensidade, a NOAA já indica que, ao final do ano, as anomalias podem superar +1,5 °C, caracterizando um El Niño forte.

Implicações para o mercado de café: Ao passo que os fundamentos do mercado de café vinham se colocando majoritariamente baixistas, é possível que o fenômeno climático traga momentos de reversão nessa percepção do mercado no 2º semestre.

Vale ressaltar que, enquanto um El Niño fraco pode, em determinados momentos, trazer efeitos pontualmente benéficos ao Brasil, o fenômeno tende a estar associado a condições mais quentes no período que antecede a florada, o que mantém o mercado em estado de alerta.

Caso a possibilidade de um El Niño mais intenso continue sendo reforçada nas próximas atualizações, o mercado tende a passar a precificar os riscos climáticos para a safra 2027/28, o que pode se tornar um importante fator de suporte aos preços na segunda metade do ano.

Índice Oceânico Niño (ONI) histórico e previsão - Anomalias da temperatura (ºC)image 128245

Fonte: CPC/IRI. Elaboração: StoneX.

TABELA DE INDICADORES

image 128246

Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
  • Café

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7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.

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