Na tarde desta quarta-feira, 9 de julho, o presidente dos Estados Unidos enviou uma carta oficial ao governo brasileiro anunciando a imposição de tarifas de 50% sobre todas as importações americanas oriundas do Brasil. Entre os produtos mais impactados por essa medida está o café, dada a relevância dos Estados Unidos como principal destino das exportações brasileiras do grão.
Dois grupos seriam fortemente afetados pela medida: as exportações brasileiras de café e, por outro lado, a própria indústria americana do café e os consumidores nos Estados Unidos. O país é o maior consumidor mundial da bebida e figura como o principal comprador do café brasileiro. Em 2024, o Brasil exportou 8,13 milhões de sacas de café para os Estados Unidos, o que representa mais de 16% do total exportado pelo Brasil no ano, segundo dados do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).
Além dos Estados Unidos, outros destinos relevantes das exportações brasileiras incluem a Alemanha (7,6 milhões de sacas), Bélgica, Itália, Japão, Espanha, entre outros países, também de acordo com o Cecafé. Do ponto de vista americano, os dados do USDA revelam que, em 2024, o Brasil foi responsável por quase 34% de todas as importações de café realizadas pelos Estados Unidos, o que evidencia a forte dependência e a ligação estratégica entre os dois mercados.
A imposição das tarifas reduziria significativamente a competitividade do café brasileiro no mercado americano, dificultando o acesso do produto ao país e pressionando as margens da cadeia exportadora.
Por outro lado, a medida também deve gerar impactos negativos expressivos nos Estados Unidos. A indústria americana de café e os consumidores devem ser diretamente afetados. Desde 2024, os preços globais do café vêm registrando avanços expressivos, impulsionados principalmente por questões climáticas que afetaram a produção. Isso resultou em um aumento dos preços ao consumidor também nos Estados Unidos.
Dados da agência americana BLS mostram que a inflação acumulada nos últimos 12 meses para o café torrado e moído atingiu 32,4% até maio de 2025, o que já vinha pressionando o consumo no país. A adoção dessas tarifas tende a intensificar ainda mais essa inflação ao consumidor final.
De acordo com a Associação Nacional do Café dos Estados Unidos (NCA, na sigla em inglês), o impacto econômico da indústria do café no país alcançou US$ 343,2 bilhões em 2022, sendo responsável por aproximadamente 2,2 milhões de empregos. Ainda segundo a entidade, cada dólar gasto com café importado gera um valor de US$ 43 dentro da economia americana, evidenciando a relevância estratégica do setor nos Estados Unidos.
Outro ponto relevante é a relação comercial entre Estados Unidos e Canadá. O Canadá é um dos principais destinos das exportações de café torrado e moído e das reexportações de café cru realizadas pelos americanos. No entanto, essa relação também enfrenta desafios, já que o Canadá recentemente impôs tarifas sobre produtos oriundos dos Estados Unidos, o que pode afetar ainda mais a competitividade da indústria americana de café.
Adicionalmente, os Estados Unidos também impuseram tarifas sobre outros importantes fornecedores de café ao seu mercado: 10% para a Colômbia, 20% para o Vietnã e 32% para a Indonésia. Isso indica que os principais exportadores de café para os Estados Unidos estão sendo atingidos por barreiras tarifárias, o que reforça a perspectiva de que o setor cafeeiro americano será um dos mais impactados por essa política comercial.




