As lavouras cafeeiras brasileiras estão passando por um estágio chave, o florescimento, o qual é determinante para o potencial produtivo da safra 2025/26. Nos últimos meses, devido às adversidades de tempo, o parque cafeeiro de arábica está apresentando sintomas de desfolha. Os danos vegetativos podem variar em intensidade de acordo com a idade, variedade, região, características únicas de clima e solo, além do vigor vegetativo das plantas. Algumas lavouras que já apresentavam um potencial produtivo mediano para a próxima safra, devido ao ciclo bianual, podem ter seu potencial ainda mais reduzido caso o ritmo de perdas das folhas se acentue. Nesse caso, a tendência é que os produtores realizem podas nessas lavouras devido à inviabilidade econômica, caso haja baixa produtividade, resultando em um percentual de poda acima do normal em algumas regiões.
O potencial das lavouras tem diminuído gradualmente devido à seca intensa observada nos últimos três meses, no entanto, é difícil quantificar esse dano no momento. Nas áreas de arábica, somente após a abertura de um percentual maior da florada e o início do processo de frutificação, previsto entre setembro e novembro, será possível mensurar com maior precisão o nível de dano.
O fato é que o longo período seco, somado às altas temperaturas dos meses de junho e julho, acentuaram um estado de estresse que contribuiu para o início da desfolha e, consequentemente, perda do potencial produtivo. Além disso, no mês de agosto, houve a passagem de ondas de frio que atingiram algumas áreas de café no Sul de Minas, São Paulo e Cerrado. Esse frio intenso também pode ter causado danos na florada. Condições de temperaturas extremas, menores que 10 Cº ou acima de 32 Cº por longos períodos, podem causar abortamento e queda de chumbinhos.
Para o robusta, as condições climáticas estão mais favoráveis nas regiões do Norte do Espírito Santo e Sul da Bahia. Apesar das lavouras apresentarem uma boa condição vegetativa, essas regiões receberam pequenos volumes de chuva entre os meses de junho e agosto, mas as temperaturas não foram tão elevadas para os padrões dessas regiões, com exceção de Rondônia, que vem enfrentando um longo período sem chuvas. Ademais, essas regiões contam com um percentual elevado de áreas irrigadas.
Este é um período sensível para a produção de café. A florada já teve início em quase todas as regiões, e o comportamento das chuvas e temperaturas terá impactos diretos e significativos sobre as fases fenológicas do café. O crescimento vegetativo, a uniformidade e o bom pegamento da florada, a manutenção e o bom desenvolvimento dos chumbinhos serão determinados pelas condições climáticas dos próximos três meses. Abaixo, é possível ver os percentuais estimados da florada que se abriu nas regiões de café até o momento.
Ritmo de abertura da florada do café no Brasil (%)

Fonte: StoneX.
Com relação à comercialização, o mercado de café segue complexo devido às incertezas causadas pelas condições climáticas e pelo próprio momento do mercado. Compradores tendo dificuldades em posicionar suas bases de preços e vendedores com pedidas acima das bases, resultando em uma menor liquidez no mercado. Apesar dos bons preços, os produtores seguem cautelosos em relação a vendas principalmente com relação às vendas futuras a longo prazo.
Ritmo de vendas de café pelos produtores no Brasil (%)

Fonte: StoneX.
Temperatura média (°C) e média da precipitação acumulada em 10 dias (mm) ao longo de 2024 nos municípios produtores que compõem cada uma das seguintes regiões
Arábica:
Bahia

Fonte: StoneX
Cerrado Mineiro

Fonte: StoneX
Matas de Minas

Fonte: StoneX
Sul de Minas

Fonte: StoneX
Mogiana

Fonte: StoneX
Rosp

Fonte: StoneX
Paraná

Fonte: StoneX
Robusta:
Rondônia

Fonte: StoneX
Sul da Bahia

Fonte: StoneX
Espírito Santo

Fonte: StoneX




