
4 de setembro – Que melhor forma de esquentar os motores para o feriado do Labor Day do que um relatório de Payrolls (Non-Farm Payrolls) estrondoso, com a divulgação desta manhã mostrando a criação de 162 mil vagas em agosto, quase triplicando a estimativa média dos analistas e marcando a maior leitura desde março. Ainda mais otimista, a feia perda de 23 mil vagas registrada em julho foi revisada notavelmente para cima, passando a mostrar a criação de 21 mil vagas no mês, enquanto junho foi revisado em 11 mil para cima, indicando agora um acréscimo de 31 mil. É interessante notar que a força de agosto foi vista tanto no setor privado quanto no público, com o setor privado adicionando 127 mil vagas em agosto, o maior ganho mensal desde abril, e o setor público adicionando 35 mil vagas, o maior desde outubro de 2024. A taxa de desemprego nos EUA se manteve estável em 4,1% em agosto, agora empatada com julho no menor nível desde junho do ano passado. Também foi digna de nota a melhora na taxa de participação da força de trabalho, que subiu para 61,6% em agosto, ante os 61,4% de julho, que representava a menor taxa desde o auge da pandemia, há mais de seis anos. No geral, esse foi um resultado muito impressionante para a saúde do mercado de trabalho norte-americano, mantendo sob controle um dos lados do duplo mandato do Fed.
Com o mercado de trabalho aparentemente sob controle, o foco do Fed se desloca mais para a inflação. Teremos nossa primeira visão sobre se o progresso visto em junho e julho pode continuar em agosto, com o PPI previsto para a próxima quinta-feira (10/09) e o CPI logo em seguida, na sexta-feira (11/09). Já vimos mais sinais de pressões inflacionárias persistentes em outras divulgações de agosto, mas o relatório do BLS desta manhã mostrou os ganhos médios por hora arrefecerem para um aumento de 3,1% na comparação anual em agosto, ante os 3,2% de julho. Embora isso aponte para um arrefecimento da inflação salarial subjacente, vale notar que isso significa que estamos prestes a ver o quinto mês consecutivo de crescimento real negativo dos salários, a menos que haja uma queda inesperada e expressiva nos dados de CPI da próxima semana.
Os futuros das bolsas apontam para uma abertura em baixa no início do dia, com as boas notícias voltando a ser más notícias, já que o renovado sinal de saúde robusta no mercado de trabalho dos EUA poderia funcionar como um sinal verde para o Fed elevar os juros. O VIX caiu brevemente abaixo de 14 pela primeira vez em 2026 mais cedo nesta manhã, embora tenha voltado a 14,2 no momento em que escrevo. O dólar ficou relativamente contido durante a noite, mas disparou após o número inesperadamente forte dos Payrolls, novamente um reflexo de juros mais altos por parte do Fed. Os rendimentos dos Treasuries também estão em alta nesta manhã, com os juros de 2 anos disparando de volta acima de 4,39%, os de 10 anos acima de 4,78% e os de 30 anos em 5,25%. O petróleo busca apagar parte dos ganhos expressivos da semana nesta manhã, com o WTI para entrega próxima em queda de 1,6%, negociado perto de US$ 90,20, e o Brent para entrega próxima em queda de 1,2%, perto de US$ 94,40. As agrícolas operam majoritariamente em baixa no início do dia, com novos sinais de uma possível retomada das negociações de paz entre Rússia e Ucrânia que poderiam eventualmente reabrir o fluxo de grãos do Mar Negro.
O enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e o assessor de Trump, Jared Kushner, devem viajar tanto a Moscou quanto a Kiev nos próximos dias, em uma tentativa de reacender as negociações de paz, com o fluxo de commodities pelo Mar Negro provavelmente em foco. A agência estatal russa TASS informou que essas reuniões devem ocorrer ao longo do fim de semana, mas o Kremlin não as confirmou, com o porta-voz Dmitry Peskov dizendo que não anunciaria nada com antecedência e acrescentando: "quando esses contatos ocorrerem, informaremos vocês". Peskov parece estar tentando conter as expectativas, com seus comentários de hoje enfatizando que ainda é cedo demais para discutir detalhes ou as chances de que esta rodada de negociações produza alguma forma de acordo.
Após os comentários de Putin ontem, sugerindo que há uma chance de paz, este seria mais um passo na direção certa caso as reuniões de fato se concretizem, mas eu novamente recomendaria cautela até que vejamos algum sinal de desescalada real no terreno. Os ataques mútuos continuam, com a Rússia atingindo a produção de energia ucraniana e a infraestrutura de portos/transporte marítimo no Mar Negro durante a noite, enquanto a Ucrânia retaliou contra a infraestrutura de petróleo russa no Mar Negro e uma embarcação de apoio a operações de energia offshore. Ainda no Mar Negro, a Ucrânia atingiu um depósito de petróleo em Adler, na região de Sochi, com autoridades russas relatando um incêndio na instalação, mas sem que tenham surgido detalhes sobre os danos gerais até o momento. Na mesma operação, a Ucrânia também atingiu o sistema de defesa aérea russo Sirius, que abriga mísseis superfície-ar usados para interceptar drones ucranianos na região. Como era de se esperar, nenhum relato de danos foi divulgado publicamente, mas isso pode se mostrar estrategicamente importante caso a capacidade da Rússia de deter tais ataques na região seja reduzida. A questão para o managed money que detém posições líquidas compradas (net longs) especulativas expressivas em grãos e oleaginosas é como pesar a escalada no terreno frente à melhora na retórica. O simples fato de que sugestões de retomada das negociações de paz desencadearam uma queda tão acentuada no complexo de trigo ontem é um bom lembrete dos riscos de manchete que esses mercados enfrentam em meio a essa posição líquida comprada dos fundos, mas os ataques em curso servem como um bom lembrete dos riscos ao fluxo de commodities da região daqui para frente.
