Os últimos 15 dias foram marcados por chuvas irregulares e volumes heterogêneos. Houve melhora com relação à situação apresentada no último comentário, porém aquém do ideal. Nessa época do ano grande parte das lavouras se encontra em fase reprodutiva, o que as tornam muito sensíveis à falta de umidade. Como os volumes de chuvas foram menores que o normal, parte do potencial produtivo já foi comprometido e as altas temperaturas observadas intensificam as condições adversas. Todas as atenções continuam voltadas para o clima nos próximos 15 dias, visto que esse fator será determinante para a produção do estado.
Sudoeste de Goiás
A situação do sudoeste goiano deu uma leve piorada desde o nosso último reporte. Recebemos bons volumes de chuvas em toda porção de nossas áreas no fim do mês passado e os mapas para o início de dezembro seguiam mostrando bons volumes, esses que infelizmente não aconteceram da maneira como aguardávamos. Seguimos tendo leves chuvas quase que diariamente, porém com volumes acumulados muito baixos e ainda muito irregulares. Essa falta de chuvas, somada ao calor que estamos enfrentando, tem feito o potencial produtivo de nossa região reduzir. Iniciamos com uma perspectiva de 68 scs/ha e hoje já trabalhamos na casa dos 66,70 scs/ha. Mais uma vez olhamos e avaliamos muito os mapas climáticos, que mostram as duas últimas semanas de dezembro voltando a apresentar bons volumes de chuva. Porém, caso não se concretizem mais uma vez, poderemos ver o potencial produtivo cair mais, sendo o nosso pior cenário estimado hoje na casa de 63,50 scs/ha. Ou seja, temos potencial de sair de uma produção em nossa região de 8,2 milhões de toneladas para 7,6 milhões. Lembrando mais uma vez que temos hoje uma representatividade de 45% de Goiás.
Plantio no leste finalizando, chegando a 95%. Plantio posterior ao restante do estado ajudou também a suportar os tempos sem chuva. Região de Formosa e Cristalina, conhecida pelos pivots, tem tido dificuldade pela falta de chuvas. Até o momento, 15% da área foi replantada. Potencial produtivo menor que o ano passado, mas ainda dentro da média da região. Milho safrinha será definido ao longo de janeiro.
O estado do Mato Grosso do Sul tem duas realidades frente à produção de soja. Para o norte do estado, na região de Coxim, São Gabriel e Sonora – que apresentou um período sem chuvas e altas temperaturas, com atraso no plantio – espera-se quebra entre 5% a 10%, números estes que podem se elevar caso não haja regularidade das chuvas. Já no nordeste do estado, a safra apresenta uma realidade melhor. Apesar da falta de chuva em seu início, ainda há potencial de safra cheia para a região de Chapadão do Sul. De Campo Grande até o sul do estado, há produtores com maiores dificuldades, mas essa realidade é pontual – em regiões com muitas adversidades climáticas principalmente. Outros acreditam que podem superar a produtividade do ano anterior. De forma geral, com as produções do sul atingindo seu potencial – que correspondem à maior parte da produção do Mato Grosso do Sul –, os impactos em decorrência dos entraves da região norte teriam pouco impacto no desempenho final da produção estado.
O clima beneficiou os trabalhos de campo aqui no Rio Grande do Sul nestas últimas semanas. A trégua parcial na chuva favoreceu tanto o avanço significativo da semeadura como os tratos culturais na soja e milho já estabelecidos. Atualmente a semeadura do milho encontra-se finalizada e a soja com 88% da área estimada já plantada.
As condições de desenvolvimento do milho encontram-se favoráveis, apesar de alguns problemas pontuais de polinização e incidência de doenças foliares. Mantemos viés positivo para a estimativa de safra no estado, com mais de 40% das lavouras em fase de enchimento de grãos.
Para a soja, apesar do atraso inicial de área semeada versus média histórica para o período, as lavouras com semeadura mais recente têm mostrado boa germinação e o aumento de incidência solar beneficia todas as lavouras em desenvolvimento. Também mantemos viés positivo para a produtividade neste ciclo.
No Paraná estamos observando um bom desenvolvimento das safras de soja e milho verão. Até o momento, a safra de soja encontra-se com 86% das lavouras em condições boas e excelentes, 12% médias e 2% ruins. O acompanhamento mostra que 24% das lavouras estão em fase de frutificação e 33% de floração. Tivemos alguns reportes de ferrugem surgindo em locais isolados e também registros de maior dificuldade no estabelecimento das plantas, tudo isso devido ao excesso de chuvas e umidade.
Semana de tempo mais firme com temperaturas mais elevadas ajudará os produtores a realizarem corretamente os tratos culturais.
O milho verão até o momento está com 80% das lavouras em condições B/E, 17% médias e 3% ruins. Para o cereal, 2% das lavouras já estão em fase de maturação, 41% em estágio de frutificação, 36% em floração e 21% em desenvolvimento vegetativo.
O estado de São Paulo registrou um aumento nas precipitações durante o período de 03 a 09 de dezembro, alinhando-se ao padrão discutido nas últimas semanas. As chuvas se manifestaram de maneira mais irregular nas áreas de Ribeirão Preto e Araçatuba, enquanto foram mais frequentes e uniformes em Itapetininga, Paranapanema, Itaberá, Presidente Prudente, Cândido Mota e Casa Branca. Notavelmente, as condições mais favoráveis nas lavouras são observadas principalmente em Itapetininga, Paranapanema e Itaberá, onde o plantio, desde o início da safra, foi mais adiantado e beneficiado pelo maior volume acumulado de precipitação. Nesta última semana (10 a 14 de dezembro), as chuvas foram de menor intensidade. Com o plantio concluído em 100% na sexta-feira passada (8 de dezembro), tanto para a soja quanto para o milho 1ª safra, o padrão climático futuro desempenhará um papel crucial na garantia da produtividade. Até o momento, não observamos impactos significativos que justifiquem a redução nas estimativas de produção.
Volume total estimado em São Paulo (soja): 5,50 milhões de toneladas | Produtividade estimada: 62 sc/ha (3,72 t/ha).
Volume total estimado em São Paulo (milho 1ª safra): 2,34 milhões de toneladas | Produtividade estimada: 150 sc/ha (9,0 t/ha).
Minas Gerais
De maneira geral, o clima tem sido mais favorável no estado, embora ainda tenhamos alguns pontos de atenção. Em primeiro lugar, a falta de chuvas e o calor excessivo do início do ciclo produtivo impactou bastante o que havia sido plantado, até mesmo as áreas de pivô. Em segundo lugar, ainda há atrasos de plantio em diversas regiões do estado. Portanto, a combinação de todas essas situações deve trazer um impacto negativo na produção do estado, mas o quanto será é difícil de afirmar nesse momento.
Bahia
No Oeste da Bahia, a temperatura continuou elevada nos últimos dias e as chuvas irregulares e pouco distribuídas. O plantio segue evoluindo nas áreas que apresentam umidade mais adequada, com 95% das lavouras de soja semeadas.
As previsões climáticas ainda trazem melhores perspectivas de chuvas para a segunda quinzena de dezembro, além de bons índices também para janeiro e fevereiro, meses que tradicionalmente são marcados por fortes veranicos em anos de El Niño. O potencial produtivo da região dependerá das chuvas dos próximos dias, com possíveis reduções pela frente.
BASIS: Maio/24: -253c/bu (SK4)
O estado apresentou uma melhora quanto aos problemas climáticos na última semana, sendo regiões pontuais que ainda não presenciaram as chuvas em suas lavouras. Além das condições climáticas terem melhorado, o plantio tem avançado bem nos últimos dias, sendo estimado em mais de 87% plantado no estado. De todo esse volume semeado, 60% se encontra em estádio germinativo, ou seja, se estimarmos uma produção total de 1,944 milhão de toneladas, cerca de 1,1 milhão será colhido nos meses de março e abril de 2024.
Norte/Nordeste
Norte do Paraguai (Região Oriental: Canindeyú, San Pedro e Alto Paraná acima da Rota 2)
O clima foi favorável nos últimos dias para o desenvolvimento das lavouras, que na maioria das áreas já se encontram em fase reprodutiva.
Há previsão de colheita para as primeiras áreas (30% da região) entre final de dezembro e começo de janeiro, onde as lavouras que não foram comprometidas por secas pontuais na fase inicial encontram-se com potencial produtivo de 3.300kg/ha, enquanto áreas que sofreram no início apresentam potencial aproximado de 2.000kg/ha.
A comercialização avançou pouco, sendo apenas negócios pontuais de volumes das primeiras áreas a serem colhidas. Os compradores não estão ativos e o basis segue estável na região, com referência de -272 cents/bushel.
Sul do Paraguai (Região Oriental: Caaguazú, Itapúa e Alto Paraná abaixo da Rota 2)
O clima foi favorável para o desenvolvimento das lavouras nesses últimos dias na região, onde a maior parte da safra já se encontra em fase de enchimento de grãos. Em função da concentração do plantio em setembro, espera-se bons volumes de colheita para o mês de janeiro.
A comercialização não avançou e compradores seguem fora do mercado, com a referência de Basis inalterada em -266 cents/bushel.




