Perspectivas mistas sobre eleições americanas Ao longo da sessão passada, o mercado observou uma forte valorização do Dollar Index, que operou com uma alta intradiária de 1,61%, totalizando 105,08 pontos. Tal cenário ocorre em meio às perspectivas de que a vitória de Trump nas eleições presidenciais dos EUA e a possibilidade de uma guerra comercial com a China permitisse um novo processo inflacionário ao redor do mundo, contribuindo para taxas de juros mais elevadas e, por consequência, uma desaceleração da economia global. A maior busca pelo dólar e as expectativas de uma economia menos aquecida contribuíram para a saída dos investidores de ativos considerados mais arriscados, como commodities agrícolas e energéticas, com os preços do petróleo sendo pressionados para baixo por essa movimentação. Apesar dos receios macroeconômicos, a perspectiva de que a futura Administração Trump reduza o orçamento de órgãos ambientais – como o EPA – e busque desacelerar o desenvolvimento do mercado de biocombustíveis nos EUA acabou reduzindo as perdas observadas ontem.
Estoques de petróleo crescem nos EUA Auxiliando nas baixas de ontem, o relatório semanal do DOE apresentou uma expansão dos estoques comerciais de petróleo nos EUA em 2,1 milhões de barris, volume em linha com o esperado pelo mercado. A alta, no entanto, foi menor do que as movimentações sazonais de anos anteriores, com o indicador passando a operar nas mínimas históricas dos últimos cinco anos para o período. Grande parte desse crescimento menor do que o usual das reservas americanas se deve, em grande medida, a demanda doméstica da commodity, que opera nas máximas históricas dos últimos cinco anos para o período, com o fator de utilização das refinarias rompendo os 90 pontos percentuais.
Os estoques da gasolina e do diesel também operaram em alta, na ordem de 412 mil e 2,9 milhões de barris, respectivamente. No geral, ambos os combustíveis seguem com uma demanda fraca, com o diesel sofrendo mais em meio à redução das atividades industriais no país. Tal situação permite um aumento do excedente exportável desses combustíveis, com os EUA mantendo as suas exportações de derivados em patamares elevados.
Importações de diesel crescem no Brasil De acordo com os dados divulgados pelo MDIC, as importações de diesel alcançaram 1,51 milhões de m³ em outubro, marcando alta de 22,5% em relação ao mesmo período do ano passado. A manutenção de níveis elevados de internalização do combustível reflete a expansão do consumo do derivado fóssil em meio ao crescimento das atividades econômicas no Brasil e a continuidade de uma pauta exportadora aquecida, com o volume total de produtos exportados pelo país alcançando o terceiro melhor resultado na série histórica, permitindo um avanço da demanda por fretes para escoamento desses bens dos centros produtivos aos terminais de exportação. No acumulado anual, as internalizações de diesel alcançaram 12,68 milhões de m³ - aumento de 8,2% no comparativo com o observado entre janeiro e outubro de 2023. Ao final de 2024, as projeções da StoneX são de que o indicador totalize 15,1 milhões de m³, volume 4,3% maior frente ao verificado no ano passado, em meio à uma demanda por diesel B que alcança 67,5 milhões de m³ (+3% a.a.)
As importações de gasolina alcançaram 268 mil m³, marcando queda de 1,4% em relação ao mesmo período do ano passado, mas um aumento de 46% quando comparado com setembro/24. No geral, o resultado melhor frente ao mês anterior reflete uma desaceleração do refino – comprometendo parte da oferta interna do combustível – e, ao mesmo tempo, a manutenção do crescimento da demanda por Ciclo Otto no país. Vale destacar, no entanto, que no acumulado anual, as internalizações do derivado fóssil apresentam uma queda de 35,5% frente a 2023, totalizando 2,42 milhões de m³, em meio a um consumo de gasolina C fragilizado no país, conforme a paridade de preços entre etanol e gasolina seguiu beneficiando o biocombustível em importantes estados demandantes de combustíveis leves. Mesmo com as expectativas de uma demanda mais aquecida por gasolina C nos últimos meses do ano – com a paridade de preços voltando a crescer e auxiliando na demanda do fóssil –, a StoneX projeta que as vendas do combustível totalizem 44,5 milhões de m³ - queda de 3,2% no comparativo anual –, o que deve influenciar na continuidade de importações menos elevadas.
Gás Natural
- Os preços do gás natural nos EUA fecharam a sessão de ontem em alta, com o contrato mais ativo do Henry Hub operando em USD 2,747/MMBTU. No Brasil, considerando o contrato da Petrobras 2024/25, os preços do gás natural operaram com uma baixa de -0,81% na sessão passado, alcançando USD 8,91548/MMBTU.
- No mercado de gás natural, o contrato mais ativo do Henry Hub amanheceu com alta de 2,81%, alcançando USD 2,745 MMBTU, ao passo que os preços do gás natural do Brasil - considerando Petrobras 24/25 - operam em baixa de -0,67%, próximos a USD 8,856 MMBTU.
TABELA DE COTAÇÕES (FECHAMENTO DA ÚLTIMA SESSÃO)

Fonte: NYMEX, ICE, S&P, StoneX.