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Diário de Petróleo

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Pressão sobre oferta suporta petróleo
 
Bruno Cordeiro
Isabela Garcia

Na última quinta-feira (14), as cotações de futuros do Brent e WTI encerraram as negociações em forte alta, sendo cotadas a USD 93,7 bbl (+1,98%) e USD 90,16 bbl (+1,85%).

Após registrar leve queda na quarta-feira, reflexo do aumento do CPI norte-americano e das reservas de petróleo do país (movimento não antecipado pelo mercado), os preços do petróleo voltaram a subir na última sessão. Projeções sinalizando um déficit no balanço global da commodity apoiaram o sentimento altista, sustentando as referências para os maiores patamares em 11 meses, com o Brent acumulando uma alta semanal de 4,2% e o WTI operando acima de USD 90 bbl desde outubro/22.
 


Projeções da IEA apontam balanço deficitário Um dos fatores que ofereceu suporte para as cotações nos últimos dias foram as atualizações de projeções de agentes do mercado após o anúncio dos cortes voluntários na Arábia Saudita e Rússia. A Agência Internacional de Energia (IEA, sigla em inglês), apontou que o balanço global em 2023 deverá ser deficitário em 1,2 mbpd, com o resultado refletindo a queda da oferta de países da OPEP em meio ao crescimento da demanda global em 2,2 mbpd nesse ano, atingindo 102,8 mbpd. O déficit deve ser amenizado, por sua vez, pelo aumento da produção dos Estados Unidos, Brasil e Irã, o que leva a oferta total a crescer 1,5 mbpd nesse ano em relação a 2022. Assim, considerando também as projeções do STEO e da OPEP, os futuros do petróleo seguiram a tendência altista que já perdura por três semanas no mercado da commodity.  

Alta dos combustíveis nos Estados Unidos Como apontado nos últimos diários, a alta dos preços de combustíveis nos Estados Unidos, especialmente da gasolina, tem impactado o mercado de derivados no país. Os estoques em níveis próximos às mínimas sazonais deixam os EUA mais vulneráveis a grandes variações de preços, considerando que mesmo com demanda abaixo da média tanto para o diesel quanto a gasolina em meio a altos níveis de processamento não tem sido suficiente para aliviar as reservas. A alta do CPI em agosto foi atribuída principalmente pela escalada das cotações da gasolina para o consumidor final, dificultando o controle da inflação no país e aumentando o desconforto dos norte-americanos que passaram a consumir gasolina a um preço médio de USD 3,9 por galão. Diante desse cenário, o presidente Joe Biden anunciou que irá reduzir os preços do combustível fóssil em discurso ontem (14). Biden, no entanto, não especificou quais medidas seriam realizadas para atingir esse objetivo, mas a pauta dos preços da gasolina estaria em alta entre os partidos, especialmente o Democrata, tendo em vista as eleições presidenciais em 2024. 

China impactada por alta nos preços do petróleo Nas últimas três semanas, os futuros do Brent expandiram quase 11%, o que contribuiu para suportar diversas referências no mercado internacional. Com esse aumento expressivo nos preços, países dependentes de importações de petróleo devem desembolsar mais a fim de atender suas necessidades pela commodity, sendo a China um caso importante para o comércio internacional. O país é cronicamente importador de óleo bruto desde a década de 1990, com a demanda doméstica expandindo em ritmo acelerado nos últimos anos. O crescimento da indústria e dos níveis de mobilidade apoiam a dependência de petróleo, e levam ao país a aumentar o nível de importações. Atualmente, a China conta com grandes fornecedores, especialmente Arabia Saudita, e, mais recentemente, Rússia, mas as decisões desses agentes entram em conflito direto com interesses chineses. 

Balanço de oferta e demanda de petróleo - China (milhões de toneladas)

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Fonte: Energy Institute. Elaboração: StoneX.

Os cortes de oferta defendido pelos países da OPEP impactam os termos de troca chinês, com o país podendo desacelerar as compras de óleo bruto no mercado internacional e liberar estoques estratégicos (que hoje se estima acima de 1 bilhão de barris) para conter o impacto inflacionário sobre a economia. Caso esse movimento se verifique, poderá reverter parte dos ganhos que os futuros do petróleo acumularam recentemente ao limitar a demanda pelo produto importado, apesar das reservas não serem suficientes para abastecer completamente o mercado doméstico por mais que dois meses, considerando que a demanda chinesa é estimada em 16,2 mbpd atualmente.  

Petróleo amanhece em alta Hoje pela manhã (15), as cotações abriram a sessão em alta, com o contrato do Brent para vencimento em novembro/23 operando em USD 93,3 (+0,39%) até as 09h0. Rumores de que o governo chinês irá promover estímulos econômicos, e, consequente, promover o consumo de combustíveis ao longo de 2023.
 

TABELA DE COTAÇÕES (FECHAMENTO DA ÚLTIMA SESSÃO)

image 80125

Fonte: NYMEX, ICE, S&P, StoneX.

 
  • Energia

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

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7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.

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6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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