OPEP deve finalizar cortes voluntários
No próximo domingo (dia 3), os países membros da OPEP devem anunciar mais um aumento das cotas de produção, encerrando as limitações impostas pelos cortes voluntários. A expectativa é de um aumento adicional de 548 mil barris por dia (kbpd) a partir de setembro — envolvendo tanto o volume remanescente dos cortes voluntários quanto a liberação de uma cota adicional para os Emirados Árabes Unidos, de 300 kbpd — à medida que as cotações do petróleo conseguiram se manter em patamares mais sustentados. Apesar da justificativa do grupo ser um mercado apertado, refletindo a deterioração dos estoques em algumas regiões, parte dos investidores ainda expressa receios quanto ao risco de sobreoferta de petróleo nos próximos meses, especialmente no quarto trimestre.
Vale mencionar que, mesmo com o fim dos cortes voluntários, a OPEP ainda está sujeita a restrições produtivas estabelecidas entre 2022 e 2023, que devem se estender até o final do próximo ano, totalizando cerca de 1,66 mbpd. Ainda não há perspectivas de que esse volume seja restabelecido, mas discussões sobre a retomada da produção podem surgir nos próximos trimestres, caso o grupo mantenha a projeção de um mercado mais apertado.
Receios sobre sanções secundárias
De acordo com fontes do mercado indiano, refinarias estatais do país estariam reduzindo suas compras de petróleo russo nas últimas semanas, em razão das pressões do governo Trump sobre Moscou e das ameaças de sanções secundárias a compradores de petróleo e derivados russos. A Índia, terceiro maior importador de petróleo do mundo, havia ampliado suas compras do produto russo após o início do conflito no Leste Europeu, com esse país respondendo por cerca de 35% das importações indianas. No entanto, o país estaria voltando-se mais para fornecedores africanos e do Oriente Médio. Por outro lado, refinarias privadas indianas continuariam internalizando petróleo russo — apesar das pressões também exercidas pela União Europeia.
As incertezas quanto à intenção dos Estados Unidos em aplicar tarifas de 100% sobre países que compram petróleo e derivados russos têm servido como fator de suporte para os preços da commodity nas últimas sessões, uma vez que essa medida poderia afetar grandes economias como Índia, China e Brasil. A tentativa de remover a oferta russa do mercado contribui para um cenário de maior aperto no balanço global, podendo impactar especialmente o segmento de combustíveis pesados, dada a especificidade do petróleo russo e o perfil das exportações do país.
- Os preços do gás natural nos EUA fecharam a sessão de ontem em alta, com o contrato mais ativo do Henry Hub operando em USD 3,106/MMBTU. No Brasil, considerando o contrato da Petrobras 2024/25, os preços do gás natural operaram com uma baixa de -0,97% na sessão passado, alcançando USD 8,63107/MMBTU.
- No mercado de gás natural, o contrato mais ativo do Henry Hub amanheceu com baixa de -1,19%, alcançando USD 3,069 MMBTU, ao passo que os preços do gás natural do Brasil - considerando Petrobras 24/25 - operam em baixa de -2,07%, próximos a USD 8,453 MMBTU.
TABELA DE COTAÇÕES (FECHAMENTO DA ÚLTIMA SESSÃO)

Fonte: NYMEX, ICE. Elaboração: StoneX.