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Diário de Petróleo

By: Bruno Santos, Market Intelligence Analyst

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Petróleo recua com incertezas envolvendo tarifas americanas e sanções

Ontem, dia 31, o contrato mais ativo do Brent seguiu em queda, posicionando-se em USD 72,53/bbl (-0,97%). Os futuros do WTI seguiram a mesma trajetória, alcançando USD 69,26/bbl (-1,06%).

Após três dias de alta, os contratos de petróleo recuaram, à medida que os investidores ponderaram os fundamentos altistas do mercado, além de voltarem suas atenções para as tarifas comerciais anunciadas por Donald Trump, que entram em vigor nesta sexta-feira. Em geral, o suporte aos contratos nesta semana se deve, principalmente, aos riscos de sanções sobre o petróleo russo e às potenciais restrições de oferta decorrentes dessas medidas.

Hoje pela manhã (dia 1º), o contrato do Brent para vencimento em outubro de 2025 é negociado em torno de USD 71,20/bbl (-0,68%) até as 09h15. O mercado segue acompanhando a evolução das políticas tarifárias norte-americanas, avaliando os impactos dessas medidas sobre a atividade econômica e a demanda por petróleo.

Produção brasileira de petróleo em junho

De acordo com a ANP, a produção de petróleo no Brasil foi de 3,75 milhões de barris por dia (mbpd) em junho — uma leve queda em relação ao mês anterior (recorde da série), mas que representa um avanço de 10,1% em comparação com junho de 2024. Trata-se do melhor semestre produtivo do país, com os avanços na exploração do pré-sal influenciando positivamente o resultado, levando a uma média de 3,6 mbpd. A expectativa é de manutenção desse ritmo de crescimento, com a entrada de novas plataformas apoiando uma alta de 6% no acumulado do ano, segundo projeções da EPE. Isso deve impactar positivamente as exportações brasileiras, já que a menor atividade das refinarias em comparação com 2024 aumenta o excedente disponível para o comércio externo.

OPEP deve finalizar cortes voluntários

No próximo domingo (dia 3), os países membros da OPEP devem anunciar mais um aumento das cotas de produção, encerrando as limitações impostas pelos cortes voluntários. A expectativa é de um aumento adicional de 548 mil barris por dia (kbpd) a partir de setembro — envolvendo tanto o volume remanescente dos cortes voluntários quanto a liberação de uma cota adicional para os Emirados Árabes Unidos, de 300 kbpd — à medida que as cotações do petróleo conseguiram se manter em patamares mais sustentados. Apesar da justificativa do grupo ser um mercado apertado, refletindo a deterioração dos estoques em algumas regiões, parte dos investidores ainda expressa receios quanto ao risco de sobreoferta de petróleo nos próximos meses, especialmente no quarto trimestre.

Vale mencionar que, mesmo com o fim dos cortes voluntários, a OPEP ainda está sujeita a restrições produtivas estabelecidas entre 2022 e 2023, que devem se estender até o final do próximo ano, totalizando cerca de 1,66 mbpd. Ainda não há perspectivas de que esse volume seja restabelecido, mas discussões sobre a retomada da produção podem surgir nos próximos trimestres, caso o grupo mantenha a projeção de um mercado mais apertado.

Receios sobre sanções secundárias

De acordo com fontes do mercado indiano, refinarias estatais do país estariam reduzindo suas compras de petróleo russo nas últimas semanas, em razão das pressões do governo Trump sobre Moscou e das ameaças de sanções secundárias a compradores de petróleo e derivados russos. A Índia, terceiro maior importador de petróleo do mundo, havia ampliado suas compras do produto russo após o início do conflito no Leste Europeu, com esse país respondendo por cerca de 35% das importações indianas. No entanto, o país estaria voltando-se mais para fornecedores africanos e do Oriente Médio. Por outro lado, refinarias privadas indianas continuariam internalizando petróleo russo — apesar das pressões também exercidas pela União Europeia.

As incertezas quanto à intenção dos Estados Unidos em aplicar tarifas de 100% sobre países que compram petróleo e derivados russos têm servido como fator de suporte para os preços da commodity nas últimas sessões, uma vez que essa medida poderia afetar grandes economias como Índia, China e Brasil. A tentativa de remover a oferta russa do mercado contribui para um cenário de maior aperto no balanço global, podendo impactar especialmente o segmento de combustíveis pesados, dada a especificidade do petróleo russo e o perfil das exportações do país.

  • Os preços do gás natural nos EUA fecharam a sessão de ontem em alta, com o contrato mais ativo do Henry Hub operando em USD 3,106/MMBTU. No Brasil, considerando o contrato da Petrobras 2024/25, os preços do gás natural operaram com uma baixa de -0,97% na sessão passado, alcançando USD 8,63107/MMBTU.
  • No mercado de gás natural, o contrato mais ativo do Henry Hub amanheceu com baixa de -1,19%, alcançando USD 3,069 MMBTU, ao passo que os preços do gás natural do Brasil - considerando Petrobras 24/25 - operam em baixa de -2,07%, próximos a USD 8,453 MMBTU.

TABELA DE COTAÇÕES (FECHAMENTO DA ÚLTIMA SESSÃO)

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Fonte: NYMEX, ICE. Elaboração: StoneX.

 

  • Energia

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