
Diesel enfrenta três riscos para a oferta global em 2026
Entenda como paradas em refinarias, ataques e gargalos no refino global podem restringir a oferta de diesel nos próximos meses.

- Energia
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By: Isabela Garcia, Market Intelligence Analyst

Ontem, dia 06, o contrato mais ativo do Brent registrou queda de 1,11%, posicionando-se em USD 66,89 bbl. Os futuros do WTI, por sua vez, acompanharam o movimento, alcançando USD 64,35 bbl (-1,24%).
Apesar de iniciar a sessão passada em alta, os futuros do petróleo registraram fortes recuos ao longo do dia, respondendo à aplicação de novas tarifas norte-americanas sobre produtos da Índia e a confirmação feita por Donald Trump de que o governo dos EUA e da Rússia devem se encontrar para discutir sobre o conflito no Leste Europeu ao longo dos próximos dias.
Hoje pela manhã (07), o contrato do Brent para vencimento em outubro de 2025 é negociado em torno de USD 67,33 bbl (+0,64%) até as 09h30. Após cinco sessões consecutivas em queda, os preços do petróleo passam a operar em território altista, respondendo principalmente à queda dos estoques da commodity e de derivados nos EUA divulgada pelo DOE ontem.
EUA e Rússia devem se encontrar nos próximos dias
Ontem, os preços do petróleo passaram por uma forte pressão baixista após o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmar que irá se reunir com o presidente russo, Vladimir Putin, nos próximos dias, para procurar caminhos para uma negociação de paz no Leste Europeu. Hoje pela manhã, o Kremiln confirmou que novos diálogos com o governo norte-americano devem ocorrer, elevando as expectativas dos investidores de que as ameaças recentes feitas pelos EUA sobre aplicação de tarifas retaliatórias aos compradores de produtos russos pode estar fazendo efeito na consideração de Moscou para agilizar as tratativas de paz com Kiev. Tal situação acaba por reduzir os prêmios de risco na região, pesando negativamente sobre as cotações da commodity. Nos próximos dias, os futuros do petróleo devem se manter mais sensíveis à evolução do diálogo entre os dois países, com uma eventual interrupção das conversas podendo reverter parte das perdas registradas.
DOE registra queda das reservas de petróleo e derivados
Contribuindo para reduzir as perdas observadas ontem, os dados do DOE apontaram para uma queda dos estoques de petróleo nos EUA, em 3 milhões de barris – volume maior do que o antecipado pelo API (138 mil) e pelo mercado (600 mil). A redução refletiu principalmente a manutenção de um consumo extremamente aquecido nos EUA, com o fator de utilização das refinarias atingindo 96,9 pontos – maior valor desde dezembro de 2018. Tal cenário reflete o aproveitamento dos centros de processamento de margens de refino mais altas, principalmente para o diesel, com os estoques do combustível a nível global se mantendo mais apertados. Somado a isso, a produção norte-americana de petróleo seguiu em queda, atingindo 13,3 mbpd – menor valor desde novembro/24.
Também foi registrado uma queda dos estoques de diesel e gasolina no país, na ordem de 565 mil barris e 1,3 milhão de barris, respectivamente. Após três semanas consecutivas de alta, as reservas do diesel voltam a operar com uma redução semanal, refletindo principalmente a recuperação da demanda doméstica e das exportações. A gasolina, por outro lado, segue um movimento sazonal, com a tendência de uma produção e importações menores no fim da driving season pressionando os estoques do combustível.
Importações de diesel atingem maior valor no ano
Ontem (06), o Comexstat divulgou os dados da balança comercial brasileira em julho. De acordo com as informações, as importações de diesel atingiram 1,7 milhão de m³, marcando alta mensal de 34% e de 38% em relação ao mesmo período de 2024. Trata-se do maior volume internalizado do combustível desde dezembro de 2023, mesmo em um cenário de uma janela fechada para importação ao longo de todo o período de julho. Esse cenário de internalizações aquecidas do derivado fóssil reflete, provavelmente, um balanço doméstico mais apertado, com a menor produção pelas refinarias brasileiras e um consumo aquecido de diesel B influenciando na necessidade de aquisições do produto provido pelo exterior. É importante lembrar, também, que esse alto volume de compras ocorreu mesmo em um período prévio à chegada do B15, que teve início agora em agosto.
Dentre os principais fornecedores da commodity ao Brasil, a Rússia se manteve como a principal origem, com 1 milhão de m³, seguida por EUA (570 mil m³) e Índia (161 mil m³). Ainda assim , o aumento das compras veio principalmente a partir das aquisições do produto norte-americano e indiano, que juntos apresentaram um avanço de 145% quando comparado ao mesmo período de 2024.
As importações de gasolina se recuperaram em julho para 239 mil m³, uma alta de 23% frente o mês anterior, mas que ainda apresenta queda quando comparado com os níveis do ano passado. O aumento das importações em julho pode refletir um balanço doméstico mais estressado do combustível, uma vez que se registra alto volume de vendas de gasolina C, movimento que pode ter se aprofundado em julho devido a demanda sazonalmente maior por combustíveis leves no período. Ademais, quando se considera o acumulado do ano entre janeiro e julho, o volume importado soma 1,4 milhão de barris – queda de 11,8% frente o ano mesmo período no ano anterior.
Para os próximos meses, é provável que as importações sigam em patamares menores que no ano passado, refletindo as mudanças do percentual de mistura para o E30. O novo patamar iniciou em agosto, e, apesar da medida ter um impacto positivo sobre o consumo de gasolina C ao melhorar a competitividade frente o etanol hidratado, os novos níveis de mistura contribuem para uma menor exposição ao mercado internacional de gasolina A. Assim, caso se registre uma manutenção da taxa de crescimento da produção doméstica de gasolina como no primeiro semestre (+4% a.a), o balanço do combustível estaria menos apertado, haveria uma menor necessidade de importações nos próximos meses.

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7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.


6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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