Ontem, dia 11, o contrato mais ativo do Brent fechou em queda, posicionando-se em USD 66,37 bbl (-1,66%). Os contratos do WTI seguiram a mesma trajetória, alcançando USD 62,37 bbl (-2,04%).
Os preços romperam com a tendência dos dias anteriores, com perspectivas de um mercado sobreofertado após a IEA divulgar projeções de superávit em quase 2,5 mbpd no segundo semestre de 2025 pressionando os futuros da commodity. O sentimento baixista foi reforçado com os dados de produção da OPEP em agosto, com o indicador avançando 509 kbpd no mês.
Hoje pela manhã (12), o contrato do Brent para vencimento em novembro de 2025 é negociado em torno de USD 67,72 bbl (+2,03%) até as 09h10. Os riscos geopolíticos voltaram a influenciar os investidores, com mercado precificando os riscos de oferta associados ao Leste Europeu após a Ucrânia concluir o primeiro ataque contra o porto de Primorsk, um dos principais hubs de exportação de petróleo da Rússia.
Ucrânia ataca porto de Primorsk pela primeira vez Na sexta-feira (12), a Ucrânia conseguiu realizar o primeiro ataque bem-sucedido ao porto de Primorsk na Rússia, o segundo principal hub de exportação de petróleo do país. De acordo com estimativas, a Rússia exportou em média 3,26 mbpd em 2025, sendo que 892 kbpd partiram do porto alvo da ofensiva. Desde o começo de agosto, a Ucrânia intensificou os ataques contra a infraestrutura energética russa, visando antes refinarias e o outros portos, como Ust-Luga e Novorossiisk, com essa estratégia contribuindo para crises de abastecimento em algumas regiões mediante a necessidade de manutenção não programada em refinarias.
Ainda não se sabe a extensão dos danos para o porto de Primorsk, mas de qualquer forma a ação contribui para elevar as tensões no Leste Europeu, com o conflito já chamando atenção essa semana em meio as incursões russas feitas com drones em território polonês e a ativação do Tratado da Otan pela Polônia, comentado no último Diário de Petróleo. Mais especificamente, o aumento das pressões ucranianas sobre o mercado de petróleo russo tem contribuído para limitar a capacidade do país em exportar combustíveis, especialmente, e agora parece visar também a logística do óleo bruto. Logo, os preços da commodity no início da sessão refletem esses temores, com os contratos praticamente revertendo a queda do dia anterior.
Produção da OPEP expande em agosto De acordo com o relatório mensal publicado pela OPEP, a produção do grupo em agosto expandiu 509 kbpd no mês, elevando o total do grupo para 42.400 kbpd. Esse maior crescimento se concentrou nos países da OPEP13, com a Arábia Saudita expandindo em 258 kbpd e o Iraque em 122 kbpd. O movimento já era estimado pelos agentes, conforme o mês de agosto contava com uma grande flexibilização das cotas produtivas previsto no plano de faseamento do fim dos cortes voluntários. O fim da política está previsto para setembro, mas alguns países ainda devem restringir sua oferta medidante o compromisso com os planos compensatórios, como Cazaquistão (o qual registrou queda de 23 kbpd em agosto).
Em apenas dois meses, a produção do grupo ampliou quase 780 kbpd, e deve seguir mantendo em patamar mais elevado até o final do ano com as novas políticas produtivas que visam recuperar market-share em detrimento do objetivo de preços mais elevados. Além disso, outros países que não contam com restrições de oferta, como Irã e Venezuela também tem conseguido expandir a produção. Em geral, essa mudança da estratégia da OPEP é o que tem levado os investidores considerarem os riscos de mercado sobreofertado até o final do ano, conforme a média produtiva do grupo aumentou quase 1,5 mbpd nos últimos 9 meses, enquanto a demanda global segue em crescimento menor – abaixo de 800 kbpd de acordo com a IEA em seu último reporte.
Em relação às projeções da própria OPEP, o grupo manteve inalterado suas expectativas de demanda para 2025 e 2026, a qual deve registrar alta de 1,29 mbpd e 1,38 mbpd, respectivamente. Trata-se de uma estimativa que diverge fortemente do que outras agências do mercado, com maior notoriedade a IEA, mantendo uma visão otimista do grupo em relação ao consumo que serviria de justificativa para as decisões do cartel em ampliar as cotas produtivas – inclusive aquelas que venceriam apenas em 2026, como acordado na última reunião do grupo.
- Gás Natural
- Os preços do gás natural nos EUA fecharam a sessão de ontem em baixa, com o contrato mais ativo do Henry Hub operando em USD 2,934/MMBTU. No Brasil, considerando o contrato da Petrobras 2024/25, os preços do gás natural operaram com uma baixa de -1,66% na sessão passado, alcançando USD 7,89803/MMBTU;
- No mercado de gás natural, o contrato mais ativo do Henry Hub amanheceu com baixa de -0,99%, alcançando USD 2,905 MMBTU, ao passo que os preços do gás natural do Brasil - considerando Petrobras 24/25 - operam em alta de 1,40%, próximos a USD 8,009 MMBTU.
TABELA DE COTAÇÕES (FECHAMENTO DA ÚLTIMA SESSÃO)

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.