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Diário de Petróleo

By: Bruno Santos, Market Intelligence Analyst

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Preços do petróleo se mantêm estáveis, com decisão do Fed no radar dos investidores

Ontem, dia 15, o contrato mais ativo do Brent fechou em alta, posicionando-se em USD 67,44 bbl (+0,67%). Os contratos do WTI seguiram a mesma trajetória, alcançando USD 63,3 bbl (+0,97%).

Os prêmios de risco de oferta no Leste Europeu seguiram sustentados, com os ataques ucranianos mirando uma importante refinaria de petróleo na Rússia ampliando os temores sobre uma redução da capacidade de escoamento de combustíveis pela Rússia aos terminais de exportação. 

Hoje pela manhã (16), o contrato do Brent para vencimento em novembro de 2025 é negociado em torno de USD 67,05 bbl (+0,1%) até as 08h00. Os futuros do petróleo se mantêm estáveis, com os investidores aguardando atualizações sobre os impactos das ofensivas ucranianas à infraestrutura de refino da Rússia. Paralelo a isso, as atenções do mercado passam a se voltar para a decisão do Fed em relação à taxa de juros dos EUA.

Ataques ucranianos à refinarias russas continuam

Após promover ataques à refinaria de Kirishi – segunda maior da Rússia, com capacidade de processar cerca de 350 kbpd – no último domingo (14), a Ucrânia promoveu uma nova investida com drones ao centro de processamento de Saratov, na região de Volga, ao longo da madrugada de hoje. Apesar dos ataques à refinaria – com capacidade de 140 kbpd –, não houve, até o momento, uma confirmação de interrupção das atividades.

As ofensivas feitas através de drones ao longo dos últimos dias reflete os esforços de Kiev de reduzir as receitas da Rússia com as vendas de combustíveis, buscando através dessa medida colocar o Kremlin na mesa de negociações para um cessar-fogo entre os dois países. Vale destacar que, de acordo com algumas estimativas, entre 5% e 15% da capacidade de refino russa ficou inoperante ao longo de agosto, com os ataques da Ucrânia contra os centros de processamento da Rússia afetando uma parte da capacidade de produção de derivados fósseis.

A escalada do conflito entre Kiev e Moscou ocorre em um período em que o G7 estuda um novo pacote de sanções contra a Rússia, com o presidente dos EUA, Donald Trump, pressionando os países da União Europeia a acelerarem o processo de suspensão das compras de energéticos russos. Além disso, Trump também disse estudar com os demais membros do G7 a imposição de tarifas retaliatórias contra a China e a Índia, por conta de sua participação nas aquisições de petróleo fornecido pela Rússia. 

A situação acaba por manter os prêmios de risco de oferta elevados, seja pelos receios em relação à novos impactos sobre a infraestrutura logística e produtiva de energia na Rússia, seja pela possibilidade de aplicação de novas sanções que dificultem o escoamento de petróleo e derivados russos para outras regiões do globo.

 

Mercado aguarda reunião do FED

Outro fator que vem chamando a atenção dos investidores e deve gerar uma volatilidade sobre os preços do petróleo se dá na decisão do Fed sobre a taxa de juros norte-americana a ser feita amanhã (17). 

Ao longo da sessão passada, a forte expectativa de uma redução da taxa de juros dos EUA em 0,25 p.p. acabou por gerar uma desvalorização do dólar – apoiando, consequentemente, ativos de maior risco, incluindo o petróleo.

Conforme evidenciando no Fechamento de Câmbio da StoneX de ontem, o principal motivo por trás das expectativas ao redor de uma diminuição do indicador se dá pelo mercado de trabalho menos aaquecido no país, com os índices de inflação se mantendo abaixo do que o mercado antecipava, mesmo com a introdução das tarifas norte-americanas:

“A divulgação de dados econômicos recentes mostrou uma desaceleração mais intensa do mercado de trabalho americano, enquanto não se observou efeitos mais abrangentes das tarifas de importação sobre a inflação. Por isso, o FOMC deve justificar seu corte de juros na mudança do balanço de riscos, isto é, de riscos mais baixos de uma reaceleração inflacionária e riscos mais elevados de enfraquecimento do mercado de trabalho.”

A expectativa de uma redução da taxa de juros nos EUA acabou servindo de apoio aos preços do petróleo ao longo da sessão passada, com o mercado precificando uma busca maior por ativos mais arriscados. Vale destacar, no entanto, que caso a decisão não venha de acordo com o esperado, pode-se observar novas pressões baixistas ao óleo bruto, em meio às expectativas de que taxas de juros mais altas mantenham a desaceleração da economia norte-americana.

 

  • Gás Natural
  • Os preços do gás natural nos EUA fecharam a sessão de ontem em alta, com o contrato mais ativo do Henry Hub operando em USD 3,043/MMBTU. No Brasil, considerando o contrato da Petrobras 2024/25, os preços do gás natural operaram com uma alta de 0,67% na sessão passado, alcançando USD 8,02536/MMBTU;
  • No mercado de gás natural, o contrato mais ativo do Henry Hub amanheceu com alta de 0,30%, alcançando USD 3,052 MMBTU, ao passo que os preços do gás natural do Brasil - considerando Petrobras 24/25 - operam em baixa de -0,22%, próximos a USD 8,008 MMBTU.

TABELA DE COTAÇÕES (FECHAMENTO DA ÚLTIMA SESSÃO)

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Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.
  • Energia

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

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Comentários de Abertura

7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.

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6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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