
Diesel enfrenta três riscos para a oferta global em 2026
Entenda como paradas em refinarias, ataques e gargalos no refino global podem restringir a oferta de diesel nos próximos meses.

- Energia
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By: Bruno Santos, Market Intelligence Analyst

Ontem, dia 22, o contrato mais ativo do Brent fechou estável, posicionando-se em USD 66,57 bbl (-0,16%). Os contratos do WTI seguiram a mesma trajetória, alcançando USD 62,64 bbl (-0,06%).
Os futuros do petróleo seguiram sem movimentações evidentes na sessão passada. Apesar da escalada das tensões no Leste Europeu seguir suportando as cotações da commodity, as expectativas de uma maior entrada de barris por alguns produtores da OPEP+ no curto prazo acabou limitando novos avanços por conta do aumento dos prêmios de risco.
Hoje pela manhã (23), o contrato do Brent para vencimento em novembro de 2025 é negociado em torno de USD 67,2 bbl (+0,7%) até as 09h30. O avanço dos prêmios de risco no Leste Europeu segue, com os investidores mostrando um maior receio em relação à uma escalada das tensões entre Moscou e membros da OTAN afetar os fluxos de petróleo escoados pela Rússia para outras regiões do globo.
Iraque deve ampliar exportações de petróleo
Ao longo dos últimos dias, parte das atenções do mercado se destinou à evolução da oferta de petróleo do Iraque. De acordo com a empresa petrolífera estatal SOMO, a decisão da OPEP+ de antecipar a redução dos cortes voluntários de oito membros do grupo influenciou em um importante avanço das exportações da commodity pelo país ao longo dos últimos meses, com o indicador devendo se intensificar ainda mais até outubro. Conforme previsões do próprio governo do Iraque, as vendas de petróleo ao exterior podem atingir até 3,45 mbpd em setembro, volume superior aos 3,38 mbpd exportados em agosto.
Paralelo a isso, autoridades do país também confirmaram a formalização de um acordo entre o governo federal e a região autônoma de Curdistão para retomada dos fluxos de petróleo pelo oleoduto de Ceyhan, que conecta os campos de extração iraquianos aos terminais de exportação da Turquia, e conta com uma capacidade próxima a 0,23 mbpd. Vale destacar que, desde março de 2023, as exportações por essa via estão suspensas, em meio às tensões entre os dois governos, afetando e encarecendo a logística de escoamento da commodity produzida pelo Iraque.
Nesse sentido, o mercado deve observar uma entrada maior de barris pelo país do Oriente Médio no curto prazo. É importante lembrar, no entanto, que o Iraque é um dos membros da OPEP+ que possui um dos maiores volumes de planos compensatórios para os próximos meses, ao redor dos 0,13 mbpd, por conta de ofertar, nos últimos meses, um montante de barris acima do limitado pelas cotas produtivas determinadas pelo grupo, de modo que essa situação pode inviabilizar parte dos avanços esperados.
Demanda por diesel B recua no Brasil
De acordo com dados prévios divulgados pela ANP, as vendas de diesel B atingiram, em agosto, 6 milhões de m³, marcando uma queda de 1,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Após atingir, em julho, um recorde histórico (6,3 milhões de m³), o consumo do combustível apresentou um recuo, guiado principalmente pelas regiões Sul, Nordeste e Sudeste, com o fim do período de colheita do milho safrinha influenciando em uma redução do transporte de grãos dos campos para outros destinos.
No acumulado anual (janeiro – agosto), as vendas de diesel B totalizaram 45,7 milhões de m³ - volume 2,3% superior ao observado no mesmo período de 2024. Para os próximos meses, a demanda pelo combustível tende a se manter aquecida, respondendo à preparação para a safra de soja, cujo plantio já foi iniciado em algumas regiões do Brasil. Nesse sentido, a maior chegada de insumos agrícolas e o envio desses produtos aos campos acaba afetando positivamente o consumo de diesel B, com as estimativas da StoneX apontando para uma demanda ao redor de 23,4 milhões de m³ entre setembro e dezembro, com o consumo total em 2025 se posicionando ao redor de 69,1 milhões de m³ - alta de 2,7% frente ao registrado no ano passado.
As vendas de gasolina, por sua vez, acumularam leve alta de 0,94% em agosto, atingindo 3,85 milhões m³. Em geral, o aumento dos preços do etanol hidratado diante o início da mistura do E30 tornou o biocombustível menos atrativo em algumas regiões importantes para o consumo de Ciclo Otto, o que favoreceu a demanda por gasolina C. Assim, a demanda por etanol hidratado recuou 6,05% no mês, estando em 1,69 milhão m³. Em geral, observou-se uma queda da demanda por combustíveis leves no comparativo com ago/24 em 0,8% acompanhando a tendência apontada pela estimativa de Ciclo Otto da StoneX para o segundo semestre.
Considerando o acumulado entre janeiro e agosto, as vendas de gasolina C estão em 30,05 milhões m³, o que representa uma alta de 3,6% a.a. Em contraste, a demanda por hidratado recua 2,64% frente o ano passado, com essa tendência devendo se aprofundar nos próximos meses diante a relação de preços menos favorável para o biocombustível, com a paridade já se fechando em estados como Goiás e Minas Gerais em setembro.

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Entenda como paradas em refinarias, ataques e gargalos no refino global podem restringir a oferta de diesel nos próximos meses.


7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.


6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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