Ontem, dia 23, o contrato mais ativo do Brent fechou em alta, posicionando-se em USD 67,63 bbl (+1,59%). Os contratos do WTI seguiram a mesma trajetória, alcançando USD 63,41 bbl (+1,23%).
Os contratos registraram forte alta, revertendo o movimento do início da sessão, ao refletir as novas ameaças americanas sobre a Rússia. O discurso de Donald Trump na ONU alertou investidores de maiores pressões sobre o comércio de petróleo de Moscou, m um primeiro momento mais focado em cessar os fluxos para a União Europeia.
Hoje pela manhã (24), o contrato do Brent para vencimento em novembro de 2025 é negociado em torno de USD 68,42 bbl (+1,17%) até as 09h10. O petróleo estende a alta do dia anterior, com investidores precificando as ameaças de Trump contra a Rússia, com a percepção de oferta limitada sendo reforçado com a divulgação do API de mais uma semana de queda dos estoques de petróleo nos Estados Unidos.
API registra queda dos estoques De acordo com o API, as reservas de petróleo nos Estados Unidos recuaram 3,8 milhões de barris na última semana, mais uma vez divergindo da estimativa dos agentes, que apontavam um leve avanço dos estoques comerciais (+200 mil barris). Em geral, uma nova deterioração das reservas reforça a percepção de um mercado americano apertado, mesmo em um momento de produção doméstica elevada, influenciado por uma forte atividade das refinarias e também das exportações da commodity. Isso, por sua vez, contribui para apoiar os contratos do petróleo nessa manhã, juntamente com os riscos geopolíticos observados na última sessão.
No caso dos combustíveis, o API registrou mais uma queda dos estoques de gasolina, em 1 milhão de barris. Em geral, esse recuo das reservas é comum nesse período, com a menor produção do combustível estendendo a queda verificada nos meses de verão. Para o diesel, o instituto registrou alta de 518 mil barris, divergindo das estimativas do mercado. Em geral, um aumento mais tímido das reservas, caso confirmado pelo DOE, destoa do movimento das semanas anteriores e poderia ser reflexo de uma demanda interna ou de exportações mais elevadas no período, pressionando o balanço do combustível.
Pressões sobre mercado de petróleo russo Após iniciar o dia em queda, os contratos do petróleo reverteram o movimento com novas ameaças de Trump contra a Rússia e pressões pelo fim da compra de petróleo russo pela União Europeia. Em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, ontem, o presidente americano voltou a criticar o Kremlin e exigir que os países deixassem de comprar petróleo russo, afirmando também que negociaria com países europeus para extinguir o comércio com Moscou. Posteriormente, a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, também confirmou esse objetivo, afirmando aplicar tarifas sobre petróleo russo.
Em geral, o movimento de alta refletiu a precificação dos investidores sobre o aumento das tensões envolvendo o Leste Europeu e os riscos de interrupção dos fluxos de petróleo russo para a Europa. Apesar desse comércio ter diminuído drasticamente desde o início da guerra, alguns países do bloco europeu ainda se apoiam na commodity russa para suas necessidades domésticas, como Hungria e Eslováquia, representando 2% das importações do bloco.
Vale destacar que o impacto dessa medida traria mais impactos sobre o bloco europeu do que necessariamente sobre o comércio de petróleo russo. A Europa, portanto, deverá aprofundar a compra de outros fornecedores, como Estados Unidos, Noruega ou países Árabes não sancionados. A Rússia, por sua vez, deverá seguir direcionando petróleo para países asiáticos – os quais mantém elevado volume de compra mesmo com as pressões do G7.
Logo, entende-se que a alta dos últimos dias está mais ancorada em preocupações de novas medidas contra a Rússia do que necessariamente refletindo disrupções na cadeia de fornecimento de petróleo resultantes do banimento das importações europeias. Ou seja, a precificação atual reflete mais temores que ainda não se concretizaram do que as potenciais consequências de um fim das importações europeias – o que pode levar a uma correção dessa alta dos preços em momento posterior caso essas perspectivas não se concretizem.
- Gás Natural
- Os preços do gás natural nos EUA fecharam a sessão de ontem em alta, com o contrato mais ativo do Henry Hub operando em USD 2,853/MMBTU. No Brasil, considerando o contrato da Petrobras 2024/25, os preços do gás natural operaram com uma alta de 1,59% na sessão passado, alcançando USD 8,04797/MMBTU.
- No mercado de gás natural, o contrato mais ativo do Henry Hub amanheceu com baixa de -0,98%, alcançando USD 2,825 MMBTU, ao passo que os preços do gás natural do Brasil - considerando Petrobras 24/25 - operam em alta de 1,06%, próximos a USD 8,134 MMBTU.
TABELA DE COTAÇÕES (FECHAMENTO DA ÚLTIMA SESSÃO)

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.