
Diesel enfrenta três riscos para a oferta global em 2026
Entenda como paradas em refinarias, ataques e gargalos no refino global podem restringir a oferta de diesel nos próximos meses.

- Energia
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By: Bruno Santos, Market Intelligence Analyst

Ontem, dia 29, o contrato mais ativo do Brent fechou em queda, posicionando-se em USD 67,09 bbl (-3,1%). Os contratos do WTI seguiram a mesma trajetória, alcançando USD 63,01 bbl (-3,3%).
Após quatro sessões consecutivas em alta, os futuros do petróleo sofreram um forte revés, motivado tanto pelos rumores sobre uma nova antecipação do aumento dos limites produtivos de oito membros da OPEP+ para novembro, como também a retomada dos fluxos de petróleo pelos oleodutos que conectam os campos do Iraque aos terminais de exportação da Turquia.
Hoje pela manhã (30), o contrato do Brent para vencimento em dezembro de 2025 é negociado em torno de USD 66,6 bbl (-0,7%) até as 08h50. Os preços do petróleo estendem as quedas registradas ontem, com as expectativas ao redor de um novo aumento produtivo na reunião ministerial da OPEP+ do próximo domingo (05) mantendo as pressões baixistas sobre as cotações.
Mercado espera novas pressões para negociações de paz no Oriente Médio
Outro fator que contribuiu para pressionar, em menor escala, os preços do petróleo ao longo da sessão passada se deu no anúncio feito pela Casa Branca sobre um plano de paz dos EUA para os conflitos entre Israel e Hamas. A proposta – apoiada por Netanyahu – prevê a libertação de reféns entre Israel e Hamas, e o estabelecimento de um governo autônomo na região da Faixa de Gaza, liderado por palestinos.
Apesar de, incialmente, a proposta ter gerado novas expectativas de um encerramento da guerra em um horizonte de médio prazo, os investidores se mantiveram incertos em relação ao real apoio de algumas frentes – principalmente do Hamas – para a efetivação do acordo. Paralelo a isso, a inclusão de um possível reconhecimento do Estado Palestino no futuro gerou insatisfações por parte do governo israelense, alimentando os receios sobre a suspensão do plano nos próximos dias.
Vale destacar, também, que atualmente, os prêmios de risco de oferta de petróleo estão mais direcionados no Leste Europeu, com o mercado mostrando uma maior preocupação sobre a escalada das tensões entre Moscou e OTAN, como também em relação aos fluxos de petróleo e derivados escoados pela Rússia para outras regiões do globo. Nesse sentido, apesar de ter auxiliado nas pressões às cotações, os principais fundamentos que estenderam as baixas dos preços da commodity se deram as expectativas de uma maior oferta pela OPEP+ e a retomada das exportações iraquianas pelo oleoduto de Ceyhan.
Fluxos pelo oleoduto de Ceyhan são retomados
De acordo com o governo do Iraque, após 2 anos e meio, os fluxos de petróleo pelo oleoduto de Ceyhan foram retomados, com cerca de 180 kbpd sendo escoados dos campos de extração iraquianos aos terminais de exportação da Turquia.
A volta da operação dessa via ocorreu em meio às negociações entre o governo do Iraque e a região autônoma do Curdistão para que a passagem de petróleo pelo oleoduto voltasse a ocorrer de maneira segura. Vale destacar que o diálogo entre as duas partes foi influenciado também por uma maior pressão da Casa Branca, que via a retomada dos fluxos pela via como estratégico para a entrada de mais barris no mercado internacional, conforme o Iraque é um dos oito membros da OPEP+ que vem ampliando a capacidade produtiva disponível para utilização.
Agora, os investidores devem se manter atentos à evolução da produção e das exportações iraquianas, como também à estabilidade do acordo, com novas tensões entre Bagdá e Curdistão podendo gerar impeditivos para circulação de petróleo pelo oleoduto. Paralelo a isso, é importante lembrar que, apesar da redução dos cortes voluntários aprovada pela OPEP+, o Iraque também conta, atualmente, com planos compensatórios de redução da oferta, medida adotada após o país ter produzido volumes acima das cotas permitidas nos últimos meses – o que deve limitar uma maior oferta pelo Iraque ao longo do final de 2025 e início de 2026.

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Entenda como paradas em refinarias, ataques e gargalos no refino global podem restringir a oferta de diesel nos próximos meses.


7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.


6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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