
Diesel enfrenta três riscos para a oferta global em 2026
Entenda como paradas em refinarias, ataques e gargalos no refino global podem restringir a oferta de diesel nos próximos meses.

- Energia
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By: Isabela Garcia, Market Intelligence Analyst

Ontem, dia 02, o contrato mais negociado do Brent encerrou em queda, cotado a USD 64/bbl (-1,11%). Os contratos do WTI seguiram a mesma direção, fechando a USD 60,48/bbl (-2,1%).
O movimento reforçou o sentimento baixista do mercado, que levou o Brent ao menor patamar em quase quatro meses. As preocupações quanto à formação de estoques nos próximos meses, sobretudo diante da possibilidade de novos aumentos de produção pela OPEP+, continuaram a pressionar as cotações do petróleo.
Na manhã de hoje (03), o contrato do Brent para vencimento em dezembro de 2025 era negociado a USD 64,39/bbl (+0,44%) por volta das 08h50. Após quatro sessões consecutivas de queda, investidores passam a reavaliar o movimento recente, favorecendo uma leve recuperação. Ainda assim, o mercado segue atento às definições da OPEP e à possibilidade de intensificação dos ataques ucranianos contra a Rússia, fatores que podem direcionar os próximos ajustes de preços.
Estados Unidos oferecem inteligência para ataques ucranianos
Segundo fontes de mercado, os Estados Unidos irão fornecer inteligência militar à Ucrânia para apoiar ataques contra a infraestrutura energética russa, com ênfase em alvos de longo alcance. Ainda não há, contudo, definições quanto à entrega de mísseis para viabilizar essas ofensivas. Paralelamente, Washington estaria pressionando outros aliados da OTAN a adotar postura semelhante, com o presidente norte-americano chegando a declarar que seria possível para Kiev recuperar parte dos territórios conquistados por Moscou. Esse movimento sinaliza um alinhamento mais firme com a Ucrânia, ampliando as tensões no Leste Europeu em um contexto que tende a fragilizar as exportações de derivados de petróleo.
No momento, a sucessão de ataques ucranianos contra refinarias russas já provoca problemas de abastecimento em determinadas regiões do país e redução das exportações de derivados, em especial diesel. O comércio de petróleo, por outro lado, permanece elevado, sendo até impulsionado pela paralisação das refinarias. De acordo com fontes de rastreamento de navios, as exportações atingiram recentemente 3,88 mbpd, maior volume desde abril de 2024, com destaque para o aumento das vendas destinadas à Índia (+29%) e à Turquia (+11%). Esse cenário reforça a perspectiva de maior oferta de petróleo no mercado internacional, justamente em um momento de demanda mais enfraquecida.
De modo geral, o anúncio de novas pressões sobre o comércio russo, via ataques à infraestrutura de refino e logística, tende a sustentar os preços do petróleo, uma vez que envolve também riscos de sabotagem contra portos e centros produtivos. Apesar disso, o foco do mercado continua voltado principalmente às expectativas relacionadas à oferta da OPEP+.
Lineup de combustíveis – Brasil
De acordo com a atualização mais recente do lineup da StoneX, o volume de diesel desembarcado em setembro somou 1,2 milhão de m³, representando uma leve queda em relação ao mês anterior. A manutenção de importações em nível elevado reflete um mercado doméstico bastante aquecido, com a demanda pelo derivado devendo permanecer em alta até outubro. Um dos destaques do mês foi a expressiva redução do volume oriundo da Rússia, que representou 30% do total internalizado (390 mil m³), queda de quase 54% em relação a agosto. Em contrapartida, os Estados Unidos passaram a figurar como principal fornecedor, com participação de 32,3%, enquanto Índia e Arábia Saudita também ampliaram seus embarques para o Brasil.
A diminuição do excedente exportável russo obrigou os compradores brasileiros a diversificar fornecedores, tendência que deve se prolongar em outubro. Já neste mês, observa-se avanço significativo das importações indianas, que respondem por 51% do total registrado até agora (402 mil m³), favorecidas por preços mais competitivos oferecidos por alguns players do país, em um cenário de escassez de produto russo no mercado internacional. O lineup de outubro já contabiliza 800 mil m³ de diesel, com expectativa de crescimento adicional à medida que novos navios sejam registrados.
No caso da gasolina, setembro registrou aumento expressivo nas importações em relação a agosto, totalizando 264 mil m³ (+68%). Esse avanço foi sustentado por uma paridade mais favorável para a importação frente aos preços de revenda da Petrobras, somado ao crescimento do consumo interno típico do segundo semestre. Para outubro, as cargas programadas já somam 200 mil m³, prolongando a tendência do mês anterior e abrindo espaço para que o resultado figure entre os maiores do ano, caso a trajetória de alta se confirme.

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Entenda como paradas em refinarias, ataques e gargalos no refino global podem restringir a oferta de diesel nos próximos meses.


7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.


6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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