
Diesel enfrenta três riscos para a oferta global em 2026
Entenda como paradas em refinarias, ataques e gargalos no refino global podem restringir a oferta de diesel nos próximos meses.

- Energia
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By: Isabela Garcia, Market Intelligence Analyst

Ontem, dia 09, o contrato mais ativo do Brent fechou em alta, posicionando-se em USD 65,22 bbl (-1,55%). Os contratos do WTI seguiram a mesma trajetória, alcançando USD 61,51 bbl (-1,66%).
O petróleo reverteu a alta do início da semana em meio a confirmação de um cessar-fogo permanente em Gaza, levando a uma revisão dos prêmios de risco associados à guerra. Além disso, as previsões de um balanço superavitário também atuaram para pressionar os futuros da commodity.
Hoje pela manhã (10), o contrato do Brent para vencimento em dezembro de 2025 é negociado em torno de USD 64,2 bbl (-1,6%) até as 09h10. Os futuros seguem recuando, conforme mercado segue precificando o fim do conflito em Gaza e consequente alívio de tensões no Oriente Médio, além disso, medidas retaliatórias da China contra os Estados Unidos também contribuem para perspectivas mais pessimistas para o comércio global.
Tensões entre EUA e China se acentuam
Após a divulgação do acordo em Gaza, os Estados Unidos anunciaram novas sanções sobre o Irã, incluindo compradores chineses ao atingir uma refinaria e um terminal de petróleo. A tentativa do tesouro americano é desmantelar a rede logística exportadora, impactando a arrecadação do Irã. Com o cessar-fogo no Oriente Médio, as atenções da administração Trump podem se voltar novamente ao país persa, aumentando as pressões a fim de forçar negociações, além de utilizar esse argumento para atingir a China com sanções secundárias.
A China, por sua vez, estabeleceu taxas portuárias sobre navios americanos a partir do dia 14 de outubro, como medida retaliatória ao plano dos EUA de taxar navios construídos, operados ou de propriedade chinesa. Além disso, a China também anunciou na quinta-feira novas restrições sobre a exportação de terras-raras e outros produtos importantes para a indústria de tecnologia americana, respondendo dessa vez os novos controles de Washington sobre a exportação de semicondutores.
As medidas tendem a conturbar ainda mais o fluxo de comércio entre as duas maiores economias do mundo, e ocorre em meio o esforço de negociações entre as partes nos últimos meses. Isso, por sua vez, tende a pressionar ainda mais o petróleo, conforme impactos sobre o comércio desses países implicaria em uma demanda menor pela commodity e derivados, além de aumentar os riscos econômicos e promover um menor apetite por ativos arriscados por parte dos investidores.
Acordo em Gaza pressiona petróleo
Após dois anos desde o início da guerra em Gaza e com pressões internacionais – especialmente dos Estados Unidos-, Israel e Hamas aceitaram o plano de cessar-fogo permanente na última quinta-feira (09). O petróleo, por sua vez, recuou com a notícia, uma vez que o fim do conflito alivia os riscos de oferta no Oriente Médio e poderia inclusive levar a interrupção dos ataques dos Houthis no Mar Vermelho – movimento que causou grande disrupção dos fluxos de comércio desde o início da guerra. Vale destacar que Israel não é um player relevante para o mercado de petróleo, e os prêmios de risco associados ao conflito diziam ao potencial de extensão da guerra para produtores relevantes.
Também é importante ressaltar que o mercado deve se manter cauteloso com a região de Gaza, a fim de entender se a paz será realmente estável – ou seja, sem retomada do conflito. Esse entendimento pode levar a maiores pressões sobre os futuros do Brent, especialmente caso o episódio favoreça a retomada de negociações com o Irã, por exemplo.

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7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.


6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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