Ontem, dia 22, o contrato mais ativo do Brent fechou em alta, posicionando-se em USD 62,59 bbl (+2,07%). Os contratos do WTI seguiram a mesma trajetória, alcançando USD 58,5 bbl (+1,18%).
O petróleo recuperou parte das perdas registrada nas últimas semanas, com a queda dos estoques comerciais nos EUA e rumores sobre novos esforços da Índia de reduzir as importações de petróleo fornecido pela Rússia gerando um suporte às cotações da commodity.
Hoje pela manhã (23), o contrato do Brent para vencimento em dezembro de 2025 é negociado em torno de USD 64,8 bbl (+4,3%) até as 08h50. Os futuros da commodity apresentam um avanço expressivo nesse início de sessão, com a confirmação da Casa Branca sobre a imposição de sanções contra as duas maiores produtoras de petróleo da Rússia gerando uma escalada dos prêmios de risco de oferta no Leste Europeu.
Trump anuncia novas sanções contra petrolíferas russas
Na noite passada, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a aplicação de sanções contra a Rosneft e a Lukoil – maiores produtoras de petróleo da Rússia –, dando até o dia 21 de novembro para que outras empresas reduzissem as negociações de produtos com essas petrolíferas. A medida veio como resposta às dificuldades de retomar as conversas com o Kremlin em relação às negociações de paz entre Rússia e Ucrânia, gerando uma insatisfação por parte da Casa Branca.
O anúncio de novas sanções contra essas empresas acarretou altas bruscas nos preços do petróleo nesse início de sessão, refletindo o aumento significativo dos prêmios de risco de oferta no Leste Europeu, com os investidores temendo uma diminuição da disponibilidade do produto russo para algumas regiões. Vale destacar que, atualmente, a Rosneft e a Lukoil respondem por cerca de 5% da oferta global da commodity, de modo que uma eventual redução da produção por esses players acaba elevando as preocupações sobre o balanço mundial.
Dentre os consumidores mais afetados por essa medida, o maior receio dos investidores se dirige para o continente asiático, com foco na China e na Índia. Além de serem, respectivamente, o segundo e terceiro maior demandantes de petróleo do mundo – respondendo por 25% do consumo no mundo –, os dois países também são os principais compradores da commodity exportada pela Rússia, de modo que uma eventual restrição do produto russo e a busca por novos fornecedores pode ocasionar um maior aperto na disponibilidade de petróleo em outras regiões.
Outro fator que vem gerando suporte às cotações desde a sessão passada se dá na pressão feita pelos EUA e pela União Europeia para que a China e a Índia reduzam as compras de petróleo russo. Ao longo dos últimos dias, alguns rumores indicaram que Nova Délhi estaria buscando novos fornecedores no mercado para entregar parte do volume que hoje é entregue pela Rússia – ao redor de 1,75 mbpd –, em uma tentativa de promover novos acordos comerciais com Washington, que vê a redução da participação russa nas compras indianas como fator determinante para promover novos negócios com o país asiático e, ao mesmo tempo, reduzir as tarifas contra produtos indianos.
Paralelo a isso, no novo pacote de sanções anunciado pela União Europeia, foi determinado a aplicação de punições contra duas refinarias chinesas que seguem comprando cargas sancionadas de petróleo da Rússia e do Irã, evidenciando essa busca pelos países ocidentais de tentar promover uma redução das exportações russas para a Ásia.
Nesse sentido, o mercado deve monitorar, ao longo das próximas semanas, o desenvolvimento dos fluxos da commodity ofertada pela Rússia. Vale destacar que, considerando a experiência de anos anteriores, as sanções promovidas pelos EUA e pela União Europeia contra o petróleo russo tiveram poucos efeitos em relação à capacidade do país de seguir exportando o produto para outras regiões, com o país conseguindo se utilizar da chamada “shadow fleet” para manter os volumes em patamares elevados.
Agora, os investidores devem analisar se essa pressão feita sobre os demandantes da commodity russa podem ter resultados melhores sobre as receitas do país do Leste Europeu com as suas exportações de petróleo e derivados, com um eventual impacto real podendo manter as cotações mais sustentadas. Em contrapartida, caso não seja observado efeitos relevantes sobre os fluxos russos, parte desse prêmio de risco deve cair de maneira gradual.
Por fim, é importante destacar a forte volatilidade que os preços do petróleo vêm registrando desde o início de outubro, influenciado especialmente por fatores macroeconômicos e geopolíticos. Após a decisão da OPEP+ de seguir ampliando seus tetos produtivos para novembro e o avanço das tensões comerciais entre EUA e China contribuírem para uma queda expressiva das cotações – com o WTI chegando a operar próximo dos USD 57 bbl –, os preços do petróleo voltam a operar em patamares parecidos com o registrado ao final de setembro, evidenciando essa forte incerteza sobre a evolução do balanço de curto prazo da commodity.
Evolução dos preços do petróleo em outubro/25 - USD/bbl

Fonte: ICE. Elaboração: StoneX.
- Gás Natural
- Os preços do gás natural nos EUA fecharam a sessão de ontem em baixa, com o contrato mais ativo do Henry Hub operando em USD 3,45/MMBTU. No Brasil, considerando o contrato da Petrobras 2024/25, os preços do gás natural operaram com uma alta de 2,07% na sessão passado, alcançando USD 7,44821/MMBTU.
- No mercado de gás natural, o contrato mais ativo do Henry Hub amanheceu com alta de 0,78%, alcançando USD 3,477 MMBTU, ao passo que os preços do gás natural do Brasil - considerando Petrobras 24/25 - operam em alta de 4,95%, próximos a USD 7,817 MMBTU.
TABELA DE COTAÇÕES (FECHAMENTO DA ÚLTIMA SESSÃO)

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.