
Diesel enfrenta três riscos para a oferta global em 2026
Entenda como paradas em refinarias, ataques e gargalos no refino global podem restringir a oferta de diesel nos próximos meses.

- Energia
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By: Bruno Santos, Market Intelligence Analyst

Ontem, dia 05, o contrato mais ativo do Brent fechou em queda, posicionando-se em USD 63,52 bbl (-1,43%). Os contratos do WTI seguiram a mesma trajetória, alcançando USD 59,6 bbl (-1,59%).
Os futuros do petróleo voltaram a operar abaixo dos USD 60 bbl, com o avanço dos estoques comerciais e o recuo do consumo nos EUA pressionando as cotações da commodity e permitindo que os investidores precificassem um balanço menos apertado no mercado norte-americano.
Hoje pela manhã (06), o contrato do Brent para vencimento em dezembro de 2025 é negociado em torno de USD 63,8 bbl (+0,4%) até as 08h40. Os futuros do petróleo recuperam parte das perdas registradas ontem, com os investidores passando a precificar possíveis dificuldades de novas vendas de petróleo pela Rosneft e Lukoil para algumas regiões.
Demanda por petróleo volta a recuar nos EUA
De acordo com os dados divulgados pelo DOE ontem, os estoques norte-americanos de petróleo apresentaram um forte avanço semanal, de 5,2 milhões de barris. O volume veio em linha com o anunciado pelo API no dia anterior (+6,2 milhões), e reflete principalmente a manutenção de uma demanda doméstica fragilizada – com o FUT voltando a se distanciar do praticado no mesmo período do ano passado, posicionando-se ao redor dos 86 pontos. Além disso, a recuperação das importações na semana (+17%) e a manutenção de uma produção firme contribuíram para o cenário de um balanço mais confortável da commodity no período, puxando as cotações do óleo bruto para baixo.
Para a gasolina e o diesel, a movimentação das reservas foi contrária, apresentando quedas na ordem de 4,7 milhões e 643 mil barris, respectivamente. A redução expressiva dos estoques de gasolina – que voltaram a operar abaixo das mínimas históricas dos últimos cinco anos para início de novembro – reflete um mercado doméstico menos abastecido, com a produção atingido o menor valor desde meados de setembro, impactada pela menor atividade das refinarias. Além disso, a manutenção de exportações elevadas do derivado fóssil em um contexto de interrupção das vendas russas também contribui para esse cenário deficitário do combustível.
A retração das reservas do diesel se mostrou mais amena – apesar de ser um movimento contrário à sazonalidade imposta para o período, com os estoques voltando a operar abaixo do registrado em 2024. Apesar de apresentar uma recuperação da oferta interna, o cenário de importações fragilizadas pela terceira semana consecutiva e uma pauta exportadora ainda aquecida contribuiu para o déficit registrado ao longo da semana.
Preços do diesel se mantém firmes
No início da sessão de hoje, o diferencial entre Heating Oil e Brent voltou a operar acima dos USD 40 bbl, atingindo o maior valor desde fevereiro de 2024. O avanço expressivo do crack-spread do combustível reflete os fortes receios dos investidores em relação à oferta do derivado fóssil no período prévio ao inverno no hemisfério norte global, em um contexto de queda dos estoques norte-americanos e uma menor disponibilidade do produto no Leste Europeu.

Em relação ao segundo ponto, ao longo da sessão passada, fontes da indústria russa confirmaram a suspensão das exportações de combustíveis pelo porto de Tuapse, no Mar Negro, após ataques feitos por drones ucranianos danificarem os terminais de escoamento desses produtos para outras regiões. Paralelo a isso, há rumores de que importantes centros de refino da Rosneft dentro da Rússia seguem com dificuldades para retomar os níveis de processamento registrados no período prévio às ofensivas promovidas por Kiev, resultando em um aperto no balanço doméstico de combustíveis.
Esse cenário de estoques abaixo do usual nos EUA e Europa, somada a menor capacidade russa de escoar produto para outras regiões, acaba garantindo o avanço dos diferenciais de preços entre o diesel e o petróleo, com as apostas do mercado se mantendo de um balanço mais apertado do combustível até o início do inverno no mercado europeu e norte-americano. A StoneX divulgará hoje pela tarde a sua revisão da Projeção de Preços de Petróleo, Combustíveis e Câmbio, que pode ser acessada através do link: https://stonex.link/w4q3n.

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Entenda como paradas em refinarias, ataques e gargalos no refino global podem restringir a oferta de diesel nos próximos meses.


7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.


6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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