
Diesel enfrenta três riscos para a oferta global em 2026
Entenda como paradas em refinarias, ataques e gargalos no refino global podem restringir a oferta de diesel nos próximos meses.

- Energia
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By: Isabela Garcia, Market Intelligence Analyst

Ontem, dia 02, o contrato mais ativo do Brent fechou com queda de 1,14%, posicionando-se em USD 62,45 bbl. Os contratos do WTI seguiram a mesma trajetória, alcançando USD 58,64 bbl (-1,15%).
Os futuros do petróleo voltaram a recuar conforme mercado ponderava a possibilidade das negociações entre Moscou e Washington serem bem-sucedidas, especialmente com a chegada de enviados da Casa Branca para discutir o plano proposto por Trump.
Hoje pela manhã (03), o contrato do Brent para vencimento em fevereiro de 2026 é negociado em torno de USD 63,15 bbl (+1,12%) até as 09h10. O mercado recupera as perdas da sessão diante das frustrações com a conversa sobre o acordo no Leste Europeu, além de maiores tensões entre EUA e Venezuela.
API registra alta dos estoques americanos
De acordo com o API, as reservas de petróleo nos Estados Unidos apresentaram alta de 2,48 milhões de barris na última semana, volume que diverge da mediana das estimativas do mercado (-800 mil barris), mesmo em meio o aumento da atividade das refinarias (+2,3%). Isso pode sinalizar que a formação de estoques projetada para esse período tem se concretizado, mas vale destacar também que as reservas americanas seguem próximas das mínimas sazonais.
Na frente dos combustíveis, o API registrou alta tanto para a gasolina (3,16 milhões de barris) e diesel (2,88 milhões de barris). Trata-se de um forte aumento frente as primeiras projeções do mercado, conforme a produção mais elevada apoia o indicador. O mercado deve aguardar a divulgação oficial do DOE a fim de avaliar essas movimentações e, especialmente, o cenário de demanda pelos derivados. Ademais, caso as tendências apresentadas pelo API se confirmem, o relatório tende a ser baixista para o mercado.
Acordo no Leste Europeu mais distante
Os preços do petróleo revertem as perdas da sessão anterior diante do enfraquecimento das expectativas de um acordo de paz entre Rússia e Ucrânia, o que prolonga a condição de aproximadamente 9% da oferta global permanecer sancionada. De acordo com alguns representantes russos, as conversas em Moscou realizadas no início da semana com enviados da Casa Branca não foram bem-sucedida, não conseguindo chegar em uma resolução aceitável para as partes. Além disso, o presidente russo ameaçou retaliar tankers de países que estariam apoiando a Ucrânia nos ataques mais recentes registrados no Mar Negro.
Com esses impasses na negociação, o petróleo russo deve seguir enfrentando maiores restrições no comércio internacional, com países asiáticos reduzindo o ritmo de compra diante as sanções mais recentes contra as duas maiores empresas do setor petrolífero da Rússia. As resistências de negociação de Moscou, mesmo com a pressão americana, levam a uma revisão dos prêmios associados aos riscos de oferta de petróleo, os quais voltaram a ser incorporados nas últimas sessões após as primeiras notícias envolvendo essa nova tentativa de acordo.
Para além das resistências no Leste Europeu, outros fatores geopolíticos também vêm apoiando os contratos nessa quarta-feira (03). O presidente Donald Trump voltou a pressionar a Venezuela, afirmando que os EUA iniciarão ataques contra o país “em breve”, o que representaria um escalonamento das tensões já registradas no Caribe, que atualmente consiste em ataques a barcos na região. Apesar da menor probabilidade de uma invasão por terra até o momento, o fato de o presidente americano abertamente falar que o objetivo seria a queda do governo Maduro eleva preocupações sobre disrupção do setor de petróleo venezuelano.
Atualmente, as exportações de petróleo da Venezuela estão em torno de 800 kbpd, com grande parte desse volume destinado para a China e Estados Unidos. Caso as tensões levem a uma queda da atividade de petroleiras no país, isso poderia pressionar a oferta global nos próximos meses, limitando a formação de estoque projetada para o período.

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Entenda como paradas em refinarias, ataques e gargalos no refino global podem restringir a oferta de diesel nos próximos meses.


7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.


6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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