
Diesel enfrenta três riscos para a oferta global em 2026
Entenda como paradas em refinarias, ataques e gargalos no refino global podem restringir a oferta de diesel nos próximos meses.

- Energia
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By: Isabela Garcia, Market Intelligence Analyst

Ontem, dia 17, o contrato mais ativo do Brent fechou com alta de 1,29%, posicionando-se em USD 59,68 bbl. Os contratos do WTI seguiram a mesma trajetória, alcançando USD 55,94 bbl (+1,21%).
Depois de encerrar a sessão no menor patamar desde 2021 o petróleo reagiu com alta, sendo fortemente impactado por incertezas geopolíticas e riscos de oferta. As frentes de conflitos que envolvem os mercados de petróleo ganharam novos capítulos. Os Estados Unidos ameaçaram novas sanções contra a frota paralela de navios petroleiros que auxiliam nas exportações de petróleo russo, em caso de recusa de Moscou para o acordo de paz proposto, ao mesmo tempo em que as restrições contra o mercado de petróleo venezuelano se intensificam.
Hoje pela manhã (18), o contrato do Brent para vencimento em fevereiro de 2026 é negociado em torno de USD 59,59 bbl (-0,15%) até as 09h10. O mercado opera em leve queda, conforme investidores aguardam novos direcionamentos da Casa Branca sobre a Venezuela e Rússia, mantendo os contratos abaixo de USD 60 bbl.
China contesta bloqueio de exportações venezuelanas
Após os Estados Unidos anunciarem um bloqueio de exportações de petróleo venezuelano por navios sancionados, a China manifestou apoio ao país caribenho afirmando que a situação se tratava de uma “intimidação unilateral”, mas não indicou alguma ajuda. Atualmente a China é a maior compradora de petróleo venezuelano, responsável por quase 80% das exportações do país, entre 600 e 700 kbpd em média nos últimos meses. Quando colocado em perspectiva, a Venezuela representa 5% das importações chinesas.
A China deve ser a principal afetada pelas medidas americanas, uma vez que os fluxos para os Estados Unidos têm sido estáveis, de acordo com agências de rastreamento, com a Chevron mantendo os carregamentos na última semana. Todavia, muitos navios permanecem ancorados na Venezuela por receio de apreensão caso naveguem em direção à China, com aproximadamente 15 milhões de barris estocados em navios parados enquanto compradores pressionam por descontos e ajustes contratuais devido ao aumento do risco.
Além da ameaça militar explícita dos Estados Unidos, o setor de petróleo venezuelano também passou por outro estresse na semana, com um ataque cibernético contra a PDVSA – empresa estatal – impactando a operação da petroleira e os carregamentos de petróleo nos últimos dias. As atividades parecem ter sido retomadas na quarta-feira (17), mas os riscos de interrupções parecem seguir na empresa.
Relatório DOE se distancia de registros do API e mostra queda nos estoques mais lento
A atualização do relatório DOE mostrou uma queda nos estoques de petróleo norte-americano em linha com as expectativas de mercado, mas bem inferior se comparado com o registrado pelo API. Os estoques de petróleo cederam em 1,2 milhões de barris, após aumento da demanda interna e exportações, ao mesmo tempo em que caiu as importações e a produção. Ainda com fator de utilização das refinarias elevadas, o consumo doméstico chegou a quase 17 milhões de barris por dia, superando o consumo dos anos anteriores para o mesmo período do ano. Com isso, o mercado americano segue com dificuldades de recompor estoques, o que contribui para apoiar os contratos do petróleo.
Apesar de uma grande diferença entre os volumes registrados pelo DOE e pelo API para o mercado de petróleo, ambas as fontes registraram variações nos estoques de gasolina bem similares, com um aumento de 4,8 milhões de barris nos estoques norte-americanos. O aumento na oferta de gasolina, principalmente via importações (+26,6% na semana), observou uma queda de 8,7% nas exportações semanais do combustível, contribuindo a formação de estoque nos níveis médios observados nos últimos cinco anos. A demanda, por sua vez, reagiu frente as últimas semanas, atingindo o maior patamar desde outubro (+9 mbpd).
Os estoques de diesel acompanharam as expectativas de mercado e somaram 1,7 milhões de barris nos Estados Unidos, após aumentos nas reservas da maior parte das regiões, com exceção do PADD 2 e 5. No contexto nacional, apesar da produção de diesel recuar em 4,2%, o desaquecimento da demanda foi ainda mais intenso, atrelado ainda a uma balança comercial menos deficitária.

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Entenda como paradas em refinarias, ataques e gargalos no refino global podem restringir a oferta de diesel nos próximos meses.


7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.


6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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